Grécia permitirá venda de alimentos fora de validade

Condição é que produtos sejam vendidos a preços mais baixos; carne, leite e derivados são excluídos da medida

Wikimedia Commons


O governo do primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, deverá reativar, através de um decreto ministerial, uma antiga lei local que autoriza supermercados e outros estabelecimentos comerciais a venderem alimentos fora do prazo de validade, desde que por preços mais baratos. Apenas a carne, o leite e seus respectivos produtos derivados seriam excluídos dessa medida.

A medida fixa um limite máximo de datas em que os produtos poderão continuar a ser vendidos.

"A regulamentação existe há muitos anos. E é algo permitido também no resto da Europa. A única coisa que fizemos foi precisar que estes produtos serão vendidos a preços menores. Não entendo porque isso está causando tanto barulho”, disse Yorgos Moraitakis, assessor do Ministério de Desenvolvimento, Competitividade, Infraestrutura, Transporte e Comunicações.

Os alimentos que indicarem o dia e o mês na data de validade poderão se manter à venda por mais uma semana.
 

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No caso dos produtos cuja data de validade permita a indicação apenas do mês e do ano, a venda poderá estender-se por mais um mês, enquanto que, se o produto indicar apenas o ano, poderá ser vendido por mais um trimestre.

No entanto, a medida não estabelece o valor da queda do preço original, o que faz com que a redução fique ao critério de cada comerciante.

Protestos

A medida foi bastante criticada por associações de consumidores gregas, que a consideram uma prova da incapacidade do executivo grego em baixar os preços dos alimentos.

Victor Tsiafutis, da Associação de Consumidores "Qualidade de Vida", acusa o governo Samaras de praticar "um ato imoral", afirmando que o executivo deveria antes "tomar iniciativas para controlar os preços".

Já o presidente do Organismo Nacional de Alimentos, Yannis Mijas, considera "questionável que estes alimentos venham a ser vendidos a baixos preços, porque os mecanismos de controle de preços fracassaram".

Yannis Mijas considera também que a medida pode criar um dilema moral, uma vez que os comerciantes acabarão por se dividir entre aqueles que podem comprar produtos dentro do prazo e aqueles que, por motivos econômicos, "se vêem obrigados a recorrer a alimentos de qualidade duvidosa".

Em meio a uma crise que envolve corte de salários e pensões e desemprego galopante, o preço dos alimentos não deixou de subir. Entre os meses de agosto de 2011 a agosto de 2012, o preço do açúcar disparou em 15%; os ovos, 6,8%; a manteiga, 3,3%; e o café, 5,9%, segundo dados da autoridade estatística nacional.
 

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