Hoje na História: Nasce a Liga das Nações, predecessora da ONU

Com a entrada em vigor do Tratado de Versalhes, nasce oficialmente em 10 de janeiro de 1920 a Sociedade das Nações, conhecida como Liga das Nações. A organização internacional, cuja sede foi estabelecida em Genebra, recebe 32 países como membros, entre eles o Brasil, submetidos à autoridade de um conselho permanente. O papel central da Liga é o de assegurar a manutenção da paz no mundo. Após a Segunda Guerra Mundial ela é substituída pela ONU (Organização das Nações Unidas).

A Liga representa um produto da Primeira Guerra Mundial, no sentido que o conflito acabou convencendo os governantes da necessidade de impedir outro conflito semelhante. As bases filosóficas residem nas visões de homens como o duque de Sully e Immanuel Kant, porém, os alicerces práticos ficam respaldados pelo recente crescimento de organizações formais internacionais, como a União Telegráfica Internacional (1865) e a União Postal Internacional (1874). A Cruz Vermelha, as Conferências de Haia e a Corte Permanente de Arbitragem (Tribunal de Haia) consistiram também em importantes pedras fundamentais para a cooperação internacional.

Ao término da Primeira Guerra Mundial, figuras proeminentes como Jan Smuts, Lord Robert Cecil e Leon Bourgeois defenderam uma sociedade de nações. O presidente norte-americano Woodrow Wilson incorporou a proposta nos seus famosos 14 pontos e se transformou em figura importante na criação da Liga durante a Conferência de Paz de Versalhes em 1919. A base institucional da Liga foi o Pacto (Covenant), incluído no Tratado de Versalhes.

O Pacto era formado por 26 artigos. Os artigos 1º ao 7º diziam respeito à organização: uma assembléia geral composta de todos os países membros; um conselho composto pelas grandes potências, originalmente Grã Bretanha, França, Itália, Japão e China, e mais tarde também a Alemanha e a URSS (paradoxalmente com exceção dos Estados Unidos, cujo Senado se recusou ratificar o Tratado de Versalhes); e um secretariado.

Wickicommons

Charge britânica fala da ausência dos EUA na formação da Liga das Nações que, segundo o autor, seria a "pedra principal"

Tanto a assembléia geral quanto o conselho tinham poderes para discutir e dirimir qualquer matéria da esfera da Liga ou qualquer conflito que afetasse a paz mundial. Em ambos era exigida decisão unânime. Os artigos 8º e 9º reconheciam a necessidade de desarmamento. O art. 10º era uma tentativa de garantir a integridade territorial e independência política dos estados membros contra agressões externas. Os artigos 11º a 17º tratavam do estabelecimento de uma Corte Internacional Permanente de Justiça para arbitragem e conciliação. Os demais artigos tratavam de cooperação humanitária e emendas ao Pacto.

A Liga rapidamente provou sua validade arbitrando a disputa entre Finlândia e Suécia sobre as ilhas Aland (1920–21), garantindo a segurança da Albânia (1921), resgatando a Áustria do desastre econômico, estabelecendo a divisão da Alta Silésia (1922) e evitando a eclosão da guerra nos Bálcãs entre Grécia e Bulgária (1925), além de ações contra a escravidão branca, ao tráfico de ópio e em outros campos.

Declínio

A pressão política, especialmente das grandes potências, levava a organização ao esfacelamento. A Polônia recusou a arbitragem da Liga em seu contencioso com a Lituânia; a Liga ficou sem ação quando a França ocupou o Ruhr alemão (1923) e a Itália ocupou Kérkira, Corfu, Grécia (1923). A omissão quanto à invasão da Manchúria pelo Japão infligiu um duro golpe ao prestígio da Liga, em especial porque foi seguido da retirada do Japão da organização (1933). Outro grande insucesso foi a inabilidade da Liga para pôr fim à Guerra do Chaco (1932–35) entre Bolívia e Paraguai.

O fracasso da Conferência de Desarmamento e a retirada da Alemanha da Liga (1933), bem como o ataque da Itália à Etiópia, acabaram por selar a inoperância da organização. Em 1936, Hitler remilitarizou a Renânia e denunciou o Tratado de Versalhes. Em 1938 anexou a Áustria.

Diante das ameaças à paz internacional – a Guerra Civil espanhola, a retomada da Guerra do Japão contra a China (1937) e finalmente a ‘política de apaziguamento’ com Hitler em Munique (1938) – a Liga entrou em colapso.

Em 1940 estava reduzida a um esqueleto. Por fim, em 1946, a Liga das Nações deixou oficialmente de existir, transferindo seus serviços e bens imóveis, especialmente o Palácio das Nações em Genebra às Nações Unidas, recém formada.


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