EUROPA
20/08/2013 - 20h21 | Redação | São Paulo

Motorista não foi único responsável por acidente de trem na Espanha, diz juiz

Sinalização da via onde ocorreu acidente que deixou 79 mortos era insuficiente, o que pode culpar também duas empresas
   

O juiz do caso do trem que descarrilou e deixou 79 pessoas mortas em 24 de julho na cidade de Santiago de Compostela, na Espanha, considerou nesta terça-feira (20/08) que o maquinista não foi o único culpado pelo acidente: os responsáveis pela segurança do local do ocorrido, empregados pela Adif, que administra as ferrovias, também foram indicados como réus.

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Em um documento, o magistrado Luis Aláez explicou que definirá a data da audiência em que os acusados serão citados assim que a companhia pública Adif informar a identidade dos responsáveis de segurança.

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Aláez especifica que as mortes e lesões causadas pelo acidente estão "obviamente conectadas" com a condução inadequada e o excesso de velocidade do maquinista, Francisco José Garzón, mas afirma ser possível "deduzir também sua conexão com a omissão de medidas de segurança preventivas de natureza viária e, definitivamente, com uma conduta imprudente das pessoas responsáveis por garantir uma circulação segura no lance da via onde aconteceu a catástrofe".

Agência Efe

Bombeiros trabalham em local do acidente, em Santiago de Compostela, capital da Galícia; 79 pessoas morreram  

O juiz considera ainda que essa omissão por parte da segurança da via é “uma imprudência passível de punição, pois, perante a existência de um risco significativo à circulação, o sistema de segurança não tem nenhum recurso que o resolva automaticamente ou advirta o maquinista sobre esse risco concreto mais que de modo indireto”.

"O certo é que o maquinista é o responsável de conduzir e guiar o trem", mas "também era claramente previsível que uma distração ou desatenção dele poderia provocar um acidente com alto risco para a vida e integridade dos passageiros", diz o documento, que começa esclarecendo não haver “dados para conjeturar” que um desenho ruim do trajeto tenha influenciado no ocorrido.

Tanto a Adif quanto a Renfe, operadora do trem, quando compareceram ao tribunal, admitiram estar estudando se a sinalização da via era adequada. Para o juiz, a advertência logo antes do local do acidente, “um sinal fixo que indica a velocidade máxima como 80 km/h, entre 200 e 300 metros antes do início da curva, se mostra insuficiente” por estar próxima demais.

Aláez explicou que é “pertinente” analisar o desempenho dos responsáveis legais pela segurança da via, mas que essa análise “não deve ser política” e  que “não se pode, por mais graves que tenham sido as consequências do acidente, criminalizar todo o setor ferroviário”.

Anteriormente, a Adif havia culpado somente Garzón pelo acidente que, além das mortes, provocou ferimentos em mais de 150 pessoas, afirmando que ele deveria ter “freado quatro quilômetros antes” e que controlar a velocidade “é o papel do maquinista dentro do trem”.



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