Mujica anuncia retirada de soldados uruguaios no Haiti

Para presidente, se em 10 anos país não conseguiu se estabilizar, é hora de pensar em outra solução


O Uruguai retirará em breve parte de suas forças de paz no Haiti, disse o presidente José Mujica, que ratificou a decisão de seu país de deixar de integrar a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti).

"O Uruguai continua mantendo sua decisão de ir embora e vai retirar por esses dias parte de suas forças, que não vai repor", informou Mujica em seu programa de rádio semanal "Habla el presidente", onde também enumerou os temas tratados em seu encontro no último domingo (16/11) com a presidente Dilma Rousseff.

Mujica afirmou que conversou com a presidente brasileira sobre o Haiti, onde acompanha o Brasil e outros países há quase 10 anos com uma força expedicionária, na tentativa de ajudar essa sociedade que passou por profundas crises, inclusive por um terremoto devastador.

"Manifestamos, e nisso concordamos com a senhora presidente, que não podíamos nos transformar em uma espécie de guarda pretoriana, se o governo desse país não evolui para realizar eleições e, finalmente, se não conseguem, com rapidez, saídas de caráter institucional por um lado e por outro, pôr em funcionamento uma polícia interna do Haiti que assuma o comando da segurança", acrescentou.
 

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"Se em 10 anos não podemos resolver essas questões, evidentemente, nos parece que o caminho tem que ser outro", explicou Mujica.

O presidente uruguaio disse que o tema será discutido com representantes de todos os países que contribuem com tropas à Minustah, comandada pelo Brasil, mas ratificou que o Uruguai mantém sua decisão de deixar de integrar essa força de paz.

O Uruguai é o país que mais contribui com as forças de paz da ONU em relação a sua população. Atualmente conta, no Haiti, com 840 oficiais do Exército e uma centena da Marinha.
 

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