Mujica oferece abrigo a crianças e mulheres sírias refugiadas

Após aceitar receber presos de Guantánamo, presidente do Uruguai quer ajudar vítimas da guerra na Síria

O presidente uruguaio, José "Pepe" Mujica, ofereceu ajuda de seu país para receber cerca de 70 pessoas, entre crianças e mulheres, vítimas da guerra civil na Síria. O ministro de Relações Exteriores, Luis Almagro, afirmou em entrevista concedida nesta quarta-feira (30/04) que a ideia é receber refugiados do campo de Zaatari, o maior do norte da Jordânia, onde vivem cerca de 100 mil pessoas em más condições de vida. O governo também estuda enviar ajuda humanitária à região.

Flickr/IHH Humanitarian Relief Foundation/CC

Refugiados sírios na fronteira com o Líbano. Desde 2011, mais de 2,6 milhões de pessoas pessoas deixaram a Síria devido à guerra

A possibilidade está sendo estudada em conjunto com o Acnur (Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados) a fim de encontrar a melhor solução. Em entrevista concedida hoje ao jornal La República, Almagro ressaltou que a ideia é “oferecer opções para estas crianças e viúvas com filhos” recebendo-os em “nosso país, para que tenham uma opção, uma melhor condição de vida”.

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O chanceler, que esteve recentemente em visita oficial no Oriente Médio, afirmou que “25% dos refugiados são menores de oito anos”. Alguns estão acompanhados por suas mães e outros são órfãos. E esclareceu que essas pessoas viriam para o Uruguai na condição de refugiados.

Solidariedade internacional

Em seu programa semanal na segunda-feira (28), Mujica consultou seus compatriotas sobre a possibilidade de “socorrer de alguma forma as crianças sírias abandonadas nos campos de concentração em consequência da guerra”. O tema também foi defendido por ele durante reunião do Conselho de Ministros nesta semana.

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"Sou presidente porque tive a ousadia de desafiar o mundo das pesquisas", diz Mujica

 

“Todos vemos televisão e uma coisa das que realmente impacta é a quantidade de crianças abandonadas que está nos campos de refugiados perto da Síria. Não podemos fazer algo como sociedade?”, questionou o mandatário. “Dar ao mundo uma mão não significa cortar a identidade ou ter crianças roubadas da dor, mas simplesmente uma prática familiar da solidariedade”, defendeu.

E rebateu a possibilidade de ser criticado pelo gesto. "Há pessoas que que vão me perguntar por que não me ocupo das crianças pobres uruguaias, que existem, mas penso que a imensa maioria tem carinho. Estes nem isso”.

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Mujica questionou ainda se “não valerá a pena que em nossa sociedade levantemos um pouco a cabeça e sejamos capazes de tentar socorrer as crianças abandonadas que estão ficando com o custo de uma guerra que está longe de ser solucionada?”.

O ex-guerrilheiro tupamaro aceitou, recentemente, o pedido feito pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de acolher, como homens livres, seis presos de Guantánamo. “Se fosse por nós, traríamos os 154 presos que restam em Guantánamo para fechar esta prisão, esta barbárie”, afirmou.

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