Hoje na História: 1980 - Governo da Polônia aceita reivindicações de trabalhadores de Gdansk

Ex-eletricista Lech Walesa liderava grevistas, o que o levou a fundar o Solidariedade, primeiro sindicato independente em uma nação do bloco socialista

Atualizado em 30/08/2017 às 16:48


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Em 31 de agosto de 1980, representantes do governo comunista da Polônia aceitam as reivindicações dos trabalhadores dos estaleiros da cidade de Gdansk em greve. O ex-eletricista Lech Walesa liderava os grevistas, o que o levou a fundar o Solidariedade, o primeiro sindicato independente de trabalhadores organizado numa nação do bloco socialista.

Lech Walesa, em 1980/Wikicommons

Em julho de 1980, ao se ver enfrentado a uma crise econômica, o governo da Polônia elevou o preço dos alimentos e outros bens, enquanto tentava refrear o crescimento dos salários. A subida dos preços tornou difícil para muitos poloneses a compra das necessidades básicas e uma onda de greves varreu o país.

Em meio às crescentes tensões, uma popular operadora de empilhadeiras chamada Anna Walentynowicz foi despedida dos estaleiros Lenin de Gdansk, importante cidade do norte da Polônia. Em meados de agosto, cerca de 17 mil trabalhadores do estaleiro começaram uma greve de braços cruzados exigindo a reincorporação dela, bem como um moderado aumento dos salários. Eram liderados por Walesa, que havia sido ele próprio demitido havia quatro anos por ‘ativismo sindical’.

A despeito da censura governamental e tentativas de evitar publicação do noticiário sobre a greve, protestos similares irromperam em cidades industriais por toda a Polônia.

Em 17 de agosto, um Comitê de Greve Interfábricas apresentou ao governo polonês 21 ambiciosas reivindicações, incluindo o direito de organizar sindicatos independentes, o direito à greve, a libertação de prisioneiros políticos e ampliação do direito de expressão. Temendo que uma greve geral pudesse levar a uma revolta nacional, o governo enviou uma comissão a Gdansk a fim de negociar com os trabalhadores rebeldes.

Em 31 de agosto, Walesa e Mieczyslaw Jagielski, representante do governo, assinaram um acordo em que se cedia a muitas das reivindicações dos trabalhadores. Walesa assinou o documento com uma caneta esferográfica gigante decorada com um retrato do recém-eleito papa João Paulo II, Karol Wojtyla, ex-arcebispo de Cracóvia.

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Na esteira da greve de Gdansk, líderes do Comitê de Greve Interfábricas votaram a criação de uma única federação nacional conhecida como Solidarnosc (Solidariedade), que logo evoluiu para um movimento social de massas com a adesão de mais de 10 milhões de pessoas. O Solidarnosc atraiu a simpatia de líderes sindicais do Ocidente e a hostilidade de Moscou, que chegou a cogitar uma intervenção militar na Polônia.

No final de 1981, sob pressão da União Soviética, o governo do general Wojciech Jaruzelski revogou o reconhecimento do Solidarnosc e decretou lei marcial na Polônia. Cerca de 6.000 ativistas do Solidariedade foram presos, inclusive Walesa, quem ficou detido por quase um ano. O movimento Solidarnosc moveu-se clandestinamente, continuando a receber apoio político e logístico de líderes Internacionais como o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, quem impôs sanções à Polônia.

Walesa foi agraciado em 1983 com o Prêmio Nobel da Paz e, após a queda do governo em 1989, tornou-se o primeiro presidente da Polônia a ser eleito pelo voto popular.

A eleição ocorreu em 9 de dezembro de 1990, tendo ele tomado posse em 22 de dezembro de 1990. Em 1995, realizaram-se novas eleições presidenciais, mas Walesa foi derrotado por uma diferença de 3 pontos percentuais no segundo turno. Nas eleições presidenciais de 2000 não conseguiu ir além de 1% dos votos, devido a uma crescente insatisfação da opinião pública em relação às suas posições políticas de direita.

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