França investe em guia de estereótipos para identificação de potencial jihadista

Em cartilha, autoridades pedem que cidadãos fiquem de olho em mudanças de comportamento, como alterações no vestuário e nos hábitos alimentares

Reprodução/StopDjihadisme
Depois do ataque à sede do jornal satírico Charlie Hebdo no início deste mês, a França já gastou mais de US$ 480 milhões em programas para combater o terrorismo em seu território.

Nos últimos dias, um dos projetos que mais chamou atenção foi a criação de um site intitulado “Stop Djihadisme”, que enumera os primeiros sinais de um potencial jihadista.

A página do governo, que custou mais de US$ 60 milhões, apresenta uma série de vídeos e uma cartilha para identificar mudanças de comportamentos de pessoas próximas que podem revelar uma tendência a alguma forma de radicalismo islâmico.

Entre esses sinais, as autoridades apontam desde situações em que um cidadão passa a acessar mais a internet para frequentar fóruns de caráter extremista, até mudanças em hábitos alimentares e condutas sociais, como parar de ir ao cinema por não concordar com o conteúdo dos filmes expostos ou parar de realizar atividades esportivas.

Outras alterações de comportamento, como desconfiança perante antigos amigos, afastamento profissional e familiar, além de mudanças na forma de se vestir, também são destacadas no guia. O governo ainda fornece um telefone para denúncia e esclarecimento de eventuais dúvidas a respeito das condutas.

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No entanto, muitas vezes essas “medidas preventivas” impulsionadas pelas autoridades são confundidas como uma espécie de “histeria coletiva”. Um caso que retrata bem esse fenômeno aconteceu na última quarta-feira (28/01) em uma escola na cidade de Nice, ao sul do país.

Na ocasião, Ahmed Vallaud-Belkacem, um menino de 8 anos, se negou a participar de um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do Charlie Hebdo, alegando “ser terrorista”. O diretor da instituição chamou os policiais e o garoto foi intimado a ir à delegacia com seu pai.

Segundo o advogado da família, S. Ibn Salah, ao ser questionado qual seria o significado da palavra “terrorista”, o garoto respondeu: “eu não sei”.
 

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