Budapeste e Viena investigam morte de 71 refugiados em caminhão e aumentam controles

Governo húngaro concluiu construção de controversa cerca de 1,5m de altura ao longo de sua fronteira sul com a Sérvia a fim de interromper fluxo de refugiados

As autoridades húngaras anunciaram neste domingo (30/08) a prisão de um quinto suspeito de envolvimento na morte dos 71 refugiados na Áustria, país que adotou hoje medidas extraordinárias para combater o tráfico de pessoas.

Em comunicado, a polícia húngara informou que deteve ontem à noite um cidadão búlgaro que se soma aos outros quatro - três búlgaros e um afegão -, que tiveram a prisão preventiva decretada ontem por um tribunal de Kecskemét.

Enquanto isso, no Centro de Medicina Legal de Viena continua o processo de autópsia dos 71 corpos, possivelmente refugiados sírios, incluindo quatro crianças, achados na quinta-feira passada em um caminhão frigorífico abandonado na beira da estrada austríaca A4.

Agência Efe

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Os investigadores deverão esclarecer o momento e o lugar exatos das mortes já que, se aconteceu na Hungria como se acredita até agora, será a Promotoria de Kecskemét a que ficará com o caso. Se o lugar tiver sido a Áustria, quem se ocupará da situação será a Promotoria de Eisenstadt.

Por enquanto, a Promotoria de Kecskemét está à frente do caso desde que a polícia húngara determinou que o caminhão com o grupo de refugiados partiu dessa cidade rumo à Áustria. Seja de um ou de outro país, as autoridades de ambos cooperam estreitamente neste caso que comoveu o mundo.

A ministra do Interior austríaca, Johanna Mikl-Leitner, anunciou hoje medidas extraordinárias de controle policial nas estradas para lutar contra o tráfico de pessoas.

"A mensagem é clara: não podem se sentir seguros na Áustria! Os traficantes serão capturados na Áustria e terminarão atrás das grades", alertou a ministra em comunicado.

Ela advertiu ainda sobre a necessidade de trabalhos de cooperação internacionalmente, já que as redes de tráfico de pessoas se organizam para além das fronteiras nacionais.

Prova disso é o caso que veio à tona ontem na Áustria: uma caminhonete interceptada pela polícia perto da fronteira com a Alemanha, onde foram encontrados 26 refugiados, entre eles três crianças que foram hospitalizadas em estado grave por desidratação.

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Os refugiados vinham da Síria, do Afeganistão e de Bangladesh e estavam confinados em um espaço estreito com pouca ventilação. A caminhonete tinha placa da Espanha e, por isso, as autoridades austríacas pedirão a colaboração das espanholas para esclarecer o ocorrido.

"O veículo é um Fiat Ducato com permissão para circular na Espanha. O motorista é um cidadão romeno e não foi capaz de dar mais informações a respeito", disse neste domingo à Agência Efe o porta-voz da polícia do estado federado de Alta Áustria, David Futner.

Segundo ele, as crianças já estão bem e com os pais. Tanto a Áustria quanto a Hungria esperam um considerável aumento no número de refugiados que chega pela chamada "Rota dos Bálcãs", que passa pela Grécia, Macedônia e Sérvia.

Cerca

O governo húngaro concluiu a construção de uma controversa cerca de 1,5m de altura ao longo de sua fronteira sul com a Sérvia a fim de interromper a imigração. Por enquanto, a cerca não surtiu o efeito desejado e os refugiados continuam usando a passagem com relativa facilidade.

Diariamente, a Hungria intercepta milhares de imigrantes e o governo está a ponto de adotar punições severas, de até cinco anos de prisão, para quem passar pela fronteira ou romper a cerca. Enquanto isso, continua a construção, na mesma fronteira, de uma segunda cerca, mais extensa e de 4m de altura, que deve ser concluída em novembro.

A onda de refugiados também teve como consequência a superlotação dos acampamentos da Hungria e o aumento das tensões. A grande maioria dos refugiados não quer ficar na Hungria, mas sim seguir rumo aos países mais ricos da União Europeia.

Uma centena deles protestou neste fim de semana na estação de trens Keleti, em Budapeste, pedindo que as autoridades lhes ajudem a chegar à Alemanha.

Neste ano, a Hungria interceptou mais de 140 mil pessoas que entraram no país sem documentação.

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