'Panama Papers' gerou debate global, mas pouca ação, diz fonte que vazou documentos

Em carta, denunciante explicou motivação para vazamento, citou Snowden e fez apelo para que pessoas que divulgam arquivos sejam protegidas

O jornal alemão Süddeutsche Zeitung publicou nesta sexta-feira (06/05) uma carta escrita pela fonte que vazou os documentos da firma panamenha Mossack Fonseca, conhecidos como “Panama Papers”. Identificada pelo pseudônimo “John Doe”, a pessoa afirmou que, com o vazamento, “teve início um novo debate global” sobre o tema, porém é necessário que os países adotem mais ações.

“Teve início um novo debate global, o que é encorajador” e “agora é a hora para ação de verdade, e isso começa ao se fazer perguntas”, disse na carta.

EFE

Identidade de pessoa que vazou documentos da Mossack Fonseca permanece oculta

“Eu não trabalho para nenhum governo ou agência de inteligência, nem nunca trabalhei. Meu ponto de vista é inteiramente meu, assim como foi minha a decisão de compartilhar os documentos com o Süddeutsche Zeitung e o ICIJ [Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos], não por nenhum propósito político específico, mas simplesmente porque eu entendia o suficiente de seus conteúdos para perceber a escala das injustiças que eles descreviam”, afirmou.

“Eu decidi expor a Mossack Fonseca porque seus fundadores, funcionários e clientes precisavam responder por seus papéis nesses crimes, que até o momento vieram à tona apenas em parte. Levará anos, possivelmente décadas, para toda que toda a extensão dos atos sórdidos da firma se torne conhecida”, disse. Entre os criticados por “John Doe” na carta sobre a forma com que lidam com a questão das empresas offshore estão o Congresso norte-americano, o Parlamento britânico, a Comissão Europeia e o primeiro-ministro da Nova Zelândia, John Key.
 

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Apesar de o ICIJ ter negado colaboração solicitada pela Justiça de diversos países, “John Doe” afirmou na carta que está pessoalmente disposto a colaborar “o quanto puder” com a aplicação da lei.

“Empresas fantasmas são frequentemente associadas com o crime de evasão fiscal, mas os Panama Papers mostram, sem sombra de dúvidas, que embora empresas fantasmas não sejam ilegais por definição, elas são usadas para cumprir uma ampla série de crimes graves que vão além de evadir impostos”, disse “John Doe” na carta.

“John Doe” citou o ex-agente da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA, na sigla em inglês) Edward Snowden, que “merece as boas-vindas de um herói, e não ser banido”. Na carta, o denunciante pede proteção às pessoas que vazam documentos. “Denunciantes [whistleblowers] que expõem irregularidades inquestionáveis merecem imunidade total como retribuição do governo”. “A próxima revolução será digitalizada. Ou talvez já tenha começado”, finaliza.

O ICIJ, responsável pela apuração dos arquivos, irá disponibilizar na próxima segunda-feira (09/05) em seu site os cerca de 11,5 milhões de documentos. A organização pontua que os arquivos não indicam que necessariamente houve irregularidades cometidas pelas empresas e pessoas citadas. “Existem usos legais de empresas offshore. Nós não pretendemos sugerir ou insinuar que quaisquer pessoas, empresas ou outras entidades incluídas nos documentos quebraram a lei ou agiram de modo indevido”, diz uma nota no site.

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