Base militar chilena a 15 quilômetros da fronteira é 'agressão à Bolívia', diz Evo Morales

Presidente boliviano diz que instalação tão próxima da fronteira é 'ilegal'; militar chileno afirma que se trata de apoio do Exército a cidadãos em região isolada

O presidente boliviano, Evo Morales, afirmou neste domingo (08/05) que a instalação “ilegal” de uma base militar chilena a 15 quilômetros da fronteira entre os dois países e perto da nascente do rio Silala, pivô de disputa entre La Paz e Santiago, é “uma agressão à Bolívia”.

Agência Efe

O presidente boliviano, Evo Morales, em ato do dia 1o de maio em La Paz

“Esta instalação é uma agressão à vida, à pátria e à Bolívia”, disse Evo durante um ato público no município de Pailón, no centro-leste do país. “Estamos convencidos que não o povo chileno mas grupos oligárquicos com pensamento colonial instalam bases militares para agredir o povo boliviano”, declarou em referência à base militar Patrulha Cariquima do Exército chileno, cujo estabelecimento a 15 quilômetros da fronteira com a Bolívia, a 3.400 metros de altitude, chegou ao conhecimento de La Paz em abril.

“Não consigo entender por que essa base militar que, primeiro, é ilegal, se levamos em conta convênios internacionais. Só se podem instalar bases militares a 50 quilômetros de fronteiras entre países”, disse o presidente boliviano.

Em entrevista à imprensa chilena, o chefe militar Pablo Onetto afirmou que a base tem a finalidade de “marcar presença militar em zonas isoladas do país, para que seus compatriotas nesses lugares sintam que seu Exército lhes pode prestar apoio permanente e se sintam seguros”.
 

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Para Evo, a base militar é uma resposta de “soberba e ameaça” diante das demandas bolivianas junto ao Chile em relação à saída para o mar e às águas do rio Silala. A Bolívia argumenta que o rio, na região fronteiriça do país, nasce em seu território, e que suas águas foram desviadas por canais artificiais. Já o Chile diz tratar-se de um rio internacional que beneficia o norte do país.

“Não estamos em tempos de invasão, mas de integração dos povos. No Chile governam o Partido Socialista [da presidente chilena, Michelle Bachelet] e o partido comunista, não posso entender que sejam militaristas”, disse o presidente da Bolívia.

As relações diplomáticas entre os dois países se deteriora desde o fim da década de 1970. A Bolívia tramita desde 2013 na Corte Internacional de Justiça de Haia, na Holanda, uma demanda contra o Chile em que exige acesso ao Oceano Pacífico, perdido em uma guerra entre os dois países no fim do século 19.

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