Após detectar fraudes, comissão recomenda anulação total das eleições no Haiti

Segundo relatório, é impossível determinar número de eleitores que depositaram seu voto nas eleições presidenciais realizadas em outubro de 2015

A Comissão de Verificação dos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais no Haiti divulgou nesta segunda-feira (30/05) seu esperado relatório, no qual propõe a anulação dos pleitos realizados no ano passado no país e a organização de novos.

Agência Efe

Presidente interino do Haiti, Jocelerme Privert (à direita), entrega relatório da Comissão ao chefe do Comitê eleitoral, Leopold Berlanger

Entre os erros detectados, a comissão assegurou que é impossível determinar o número de eleitores que depositaram seu voto, além da ocorrência de "fraudes" nas eleições presidenciais.

"As fraudes ocorreram em todo o sistema eleitoral, de cima para baixo", disse a Comissão de Verificação.

Os cinco membros da Comissão de Verificação das eleições de 25 de outubro do ano passado entregaram ao presidente interino do Haiti, Jocelerme Privert, o resultado de suas investigações, exatamente um mês depois de iniciar seu trabalho.

O presidente da entidade, François Benoit, falou aos veículos de comunicação depois de se reunir com Privert.

"Em nome da comissão quero agradecer a todos e todas os que nos apoiaram durante este trabalho tão difícil para cumprir nossa missão. Após um mês de trabalho deixamos que os números falem por nós. Descobrimos que há fraude sistemática no processo. As fraudes estavam em todo lados", garantiu.

Em seguida, Benoit disse que a comissão propôs "eliminar as eleições presidenciais, porque tinha sido impossível determinar o número de pessoas que exerceram o sufrágio".

"A máquina eleitoral está muito ruim e propomos que se mude o método para escolher os membros dos escritórios de votações. Sem respeito pelo voto da população, não vamos dar nenhum passo adiante", acrescentou.

 

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Por sua vez, Privert reagiu ao relatório pedindo aos haitianos que não recorram à violência, já que "o país não aguenta mais incerteza".

O governante defendeu o trabalho da comissão e acrescentou que "o Haiti tem que avançar com calma" rumo ao desenvolvimento.

"As eleições foram adiadas muitas vezes após várias denúncias de fraudes no processo eleitoral. Hoje temos que agradecer aos cinco membros da comissão porque nem uma pessoa nem uma só voz pôde dizer algo ruim sobre a integridade dos membros da comissão", comentou o presidente provisório após receber o relatório.

Além disso, Privert convocou todos os atores do processo eleitoral a "colaborar para organizar eleições democráticas e imparciais", e advertiu da importância do relatório da Comissão de Verificação.
 
"Vou continuar fazendo meu trabalho para evitar o caos político. Todos os cidadãos temos que garantir a paz", destacou o chefe de Estado interino.
 
O Haiti realizou no último dia 25 de outubro de 2015 o primeiro turno das eleições para eleger presidente, a totalidade da Câmara dos Deputados e uma parte do Senado, assim como grande parte dos governos municipais.
 
No entanto, o segundo turno do pleito foi adiado em três oportunidades, e o presidente Michel Martelly finalizou em fevereiro seu mandato constitucional de cinco anos sem entregar o poder a um sucessor legítimo, deixando o cargo para Jocelerme Privert, que era então presidente do Senado.
 
Privert propôs recentemente que o segundo turno das eleições fosse realizado no próximo mês de outubro.

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