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Sexo, nudez e favelas: filme lançado na França explora clichês do Brasil

Uma comédia franco-brasileira inteiramente filmada no Rio de Janeiro estreou nas salas de cinema da França, nesta quarta-feira (23/02). É na cidade maravilhosa que os três estrangeiros de Rio Sex Comedy tentam conciliar satisfação pessoal e consciência social numa trama que reúne uma fileira de clichês sobre o país sul-americano.



A atriz Charlotte Rampling interpreta Dra. Jones, uma cirurgiã estética britânica em crise vocacional que tenta convencer seus pacientes a não entrarem no bisturi. A antropóloga francesa vivida por Irène Jacob realiza um documentário sobre as empregadas domésticas, enquanto o embaixador norte-americano no Brasil, personagem de Bill Pullman, foge de suas responsabilidades se escondendo em uma favela da cidade.

Essas três histórias seguem paralelas e imprevisíveis tendo o personagem da cirurgiã como o ponto de conexão entre elas.“Vivemos um momento de pouco humor. Há um politicamente correto ridículo que governa o ambiente em muitos países”, garante o diretor norte-americano Jonathan Nossiter.

Ele se diz fã de filmes pornôs e de Séries B e confirma que o título do longa-metragem é uma referência satírica a “clássicos” do gênero, como Blame it on Rio (1984) . “É uma comédia ácida sobre os preconceitos dos estrangeiros e todos os clichés que eles trazem para o Brasil. O filme tira sarro desse olhar errado”, afirmou.

A comédia, cuja pré-estreia foi no Festival de Toronto 2010, brinca com fantasias sexuais e estereótipos do Brasil visto de fora. Ela “traz prazer e reflexão atrás do prazer, mas os dois seguem juntos”, disse Nossiter.

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Construção e realidade

A praia de Copacabana, a Lagoa Rodrigo de Freitas e cinco favelas da cidade são alguns dos cenários. No roteiro, sexo, nudez, favelas, cirurgias plásticas, e claro, o mito da mulher brasileira. “Eu faço uma desconstrução dos estereótipos, quem não entende que é totalmente irônico o uso, não está pronto para receber uma comédia”, comentou o diretor.

Nossiter é casado com uma brasileira e se tornou carioca há seis anos. Para ele, fazer um filme sobre o Brasil é um desejo antigo. Seu último trabalho, o documentário Mondovino, sobre o universo do vinho, foi apresentado no Festival de Cannes, em 2004.

Divulgação


Há 11 anos ele não se dedicava à ficção. Nessa comédia, gravada em inglês sob o sol tropical, é tênue a fronteira entre construção e realidade. Não-atores contracenam com profissionais renomados e a preferência é dada para externas e locações "tipicamente cariocas". Ivo Pitanguy, pai da cirurgia plástica, aparece no filme no papel dele mesmo, enquanto Irène Jacob contracena com seu marido e seu filho, que interpretam seu amante e seu filho, respectivamente.

Rio Sex Comedy conta ainda com a participação dos atores brasileiros Herson Capri e Mary Sheyla, formada pela companhia de teatro “Nós do Morro” e que atou em Cidade de Deus, de Fernando Mereilles, em 2002.

Na França, Rio Sex Comedy foi razoavelmente bem recebida pela crítica e ganhou espaço em publicações como Libération, Le Parisien, Le Point e Les Inrocks.

O cineasta se sente otimista quanto a receptividade do filme no Brasil e já pode ter uma prova durante uma exibição no Festival de Cinema do Rio. “O público brasileiro tem senso de ironia sobre eles mesmos, é uma das coisas que mais curto”. A produção só deve chegar às salas nacionais em julho deste ano.

 

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