Colômbia vota após campanha marcada por troca de acusações e denúncias mútuas

Além disso, voto em branco e alta abstenção revelam desinteresse por eleição que não debateu assuntos mais populares

A campanha colombiana não empolgou o eleitorado que irá às urnas neste domingo (25/05), em meio ao alto crescimento econômico do país e discussões sobre como encerrar o mais longo conflito armado do mundo. Ao invés de propostas e debate político, os eleitores assistiram a troca de acusações e denúncias mútuas entre os principais concorrentes. O presidente e candidato à reeleição, Juan Manuel Santos, chega à reta final como favorito em cenário indefinido para um segundo turno.

Reprodução/ Facebook

Candidatura de Juan Manuel Santos recebeu apoio de parte do Partido Conservador, do Partido Progressista e de lideranças de esquerda

“Fria” e “distante da realidade dos colombianos”, a campanha não debateu temas como a crise no campo, propostas para a criação de empregos, melhoria na saúde e na educação, além de soluções para a questão da violência. Como o voto não é obrigatório na Colômbia, a média histórica de abstenções tem ultrapassado 50%.

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Apesar das trocas de acusações, os três principais candidatos têm mais semelhanças do que diferenças em seus projetos eleitorais. O único ponto de discordância que se destaca entre os três principais candidatos é o acordo de paz. Santos, da coalizão Unidade Nacional e Enrique Peñalosa do Aliança Verde, são favoráveis à continuidade dos Diálogos de Paz, mantido pelo governo com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), enquanto Óscar Iván Zuluaga, do partido Mudança Democrática, apadrinhado de Álvaro Uribe, se opõe.

Agência Efe

Considerado neutro na disputa, Peñalosa pode surpreender devido ao grande descontentamento com a briga entre os dois favoritos

Vozes dissonantes, Clara López e ​Aída Avella, duas figuras históricas da esquerda no país, tentaram lançar as bases de um debate político mais sólido, mas não conseguiram unir a oposição progressista em seu entorno. Dessa forma, a candidatura do Polo Democrático provavelmente não passará a marca de 10% dos votos.

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Outro ator de destaque nas eleições, o voto em branco esteve durante a campanha eleitoral com uma média de 20% da intenção dos eleitores. Os colombianos veem esta opção como maneira de se manifestar contra as mazelas e irregularidades no país.

Diálogos de Paz

Pesquisa realizada pelo instituto Datexco, no entanto, revelou que apesar de ter sido o tema principal dos debates e desentendimento dos presidenciáveis, o Diálogo de Paz realizado em Havana é apenas o sexto tema de interesse dos cidadãos, que estão mais preocupados com emprego, saúde, educação e segurança.

Reprodução/ Facebook

Zuluaga fala sobre seu projeto de paz e para a agricultura diante de empresários

Santos fez das conversas o baluarte de sua campanha eleitoral com a ideia de que a paz trará mais desenvolvimento econômico ao país. O tema, no entanto, não sustentou sua candidatura. A intensa troca de acusações entre ele, Zuluaga e Uribe, somadas às denúncias que afetaram a imagem de ambos, provocou grande desgaste à sua imagem.

Uma pesquisa divulgada recentemente mostrou um cenário inédito em que o mandatário perderia a presidência para o candidato verde Peñalosa, em um possível segundo turno entre ambos.

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Santos foi ministro de Defesa de Uribe, responsável pela estratégia que resultou na morte de líderes importantes da guerrilha. Apesar disso, em nome da continuidade dos diálogos, parte da esquerda tem manifestado apoio a ele de forma aberta, como fez o prefeito progressista de Bogotá, Gustavo Petro, ou velada, como a ativista pelos direitos humanos e ex-senadora, Piedad Córdoba. 

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Já Zuluaga, que aparece empatado com Santos nas últimas pesquisas, segue os passos de Uribe. “O Zorro”, apelido que pegou durante a campanha, assim como seu padrinho, defende o extermínio da guerrilha e o fim dos diálogos. Nos últimos dias, afirmou que aceitaria a criação de um partido formado por ex-guerrilheiros, desde que estes não tenham participado de “crimes de lesa humanidade”.

Peñalosa apoia o diálogo e promete mantê-los, se eleito. Já a conservadora Marta Lucía Ramírez, em quinto lugar nas pesquisas, é critica das negociações.

Insegurança e desemprego

Apesar de apresentar um dos maiores crescimentos na América do Sul (4,2%), a Colômbia mantém uma taxa de desemprego de 10,4% — alta se comparada com a do Brasil, de 6,9%, e da Venezuela, 7,8%, segundo dados do Banco Mundial de 2012. 

As propostas dos candidatos para o problema são vagas e sem detalhamento de como serão realizadas. Santos promete criar mais de 2,5 milhões de empregos a partir da assinatura do plano de paz. Zuluaga defendeu o aumento de 10% no salário mínimo com alívio de impostos para “ajudar o trabalhador”. Já Peñalosa afirmou que para aumentar o emprego no país é necessário investir em educação, segurança e oferecer apoio a microempresários.

A segurança é outro ponto-chave. A Colômbia é o segundo país mais violento da América do Sul, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas). Para a questão também não há projetos concretos, como se observa na proposta dos candidatos. Santos afirma que vai “aumentar o número de câmeras de segurança” e vai incentivar que os cidadãos denunciem as ocorrências. Zuluaga irá “estimular a redução do preço dos celulares para desestimular o furto” de aparelhos — uma das modalidades mais recorrentes no país. Já Peñalosa investirá em “tecnologia para identificar e prender os delinquentes”, que terão seus bens confiscados.

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