Reportagem

Agência nuclear binacional nega suspeitas contra o Brasil reveladas pelo Wikileaks

Documento diploático dos Estados Unidos, vazado pelo Wikileaks, revelou que o diretor encarregado da não proliferação nuclear no Ministério do Exterior argentino comentou o programa nuclear brasileiro com representantes dos EUA, dizendo que a Argentina mantém “alerta amarelo” em relação aos projetos do Brasil e que os brasileiros “escondem tecnologia, como centrífugas”, dos inspetores.

Leia o documento do Wikileaks na íntegra, em português

De acordo com o engenheiro Orpet Peixoto, da ABACC (Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares), desde que o órgão foi criado, em 1991, nunca houve nenhum incidente determinado pelos técnicos que poderia sugerir intenção de proliferação nuclear pelo Brasil. “Na avaliação dos resultados das salvaguardas podem surgir alguns detalhes técnicos pontuais, às vezes na descrição técnica do  processo inerente a cada instalação, mas nada que indicasse proliferação”.

“Isso é contrário a nossa experiência. Na experiência da ABACC, a confiança mútua entre os dois países é uma experiência de sucesso. Os técnicos de ambos os países têm certeza de que não existe nenhum problema de proliferação entre um lado e outro. Os técnicos argentinos sabem que todas as atividades desenvolvidas estão sendo declaradas, assim como os brasileiros”, continuou Peixoto.

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Segundo ele,  o Brasil defende o direito de manter segredo sobre a tecnologia da construção de centrífugas, algo reconhecido internacionalmente. “A tecnologia de construção da centrífuga é uma propriedade tecnológica do Brasil, e abri-la poderia inclusive contribuir para a proliferação, pois poderia facilitar o acesso da informação por outros países”.

Peixoto disse ainda, contrariando o relato da embaixada norte-americana, que as regras da ABACC possibilitam a inspeção de instalações nucleares com apenas uma hora de aviso prévio. “O Brasil tem exaustivamente se declarado contra a produção de armas nucleares. Não existe indicação dessa intenção pelo Brasil para garantir as intenções de não-proliferação, mas o que temos pode existir, é justificável. Para isso existem as salvaguardas e as inspeções”.

A ABACC não quis se manifestar sobre o fato de uma autoridade argentina ter procurado representantes norte-americanos para tratar do programa nuclear brasileiro.


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