Galeria de imagens: Cotidiano de Havana em cores

Em meio à retomada de relações entre Cuba e Estados Unidos, fotojornalista brasileiro registra rotina de habitantes de capital cubana em ensaio fotográfico

Diogo Zacarias

Futebol em rua no centro da capital cubana

Havana é uma cidade de muitas cores, sabores e sons. Tudo isso se mistura com a forte presença do imaginário da Revolução nas ruas da capital cubana. O ensaio fotográfico, feito entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015, mostra um pouco do charme da cidade mais populosa de Cuba. Leia abaixo o relato do fotógrafo, que estava na ilha caribenha no anúncio da retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos.
 

Era dia de São Lázaro, na hora do almoço, quando a programação da televisão foi interrompida para um pronunciamento de Raul Castro em rede nacional. Duvidei do que eu estava vendo e ouvindo: o chefe de Estado de Cuba fazia um agradecimento ao chefe de Estado dos Estados Unidos. Momentos depois notei que se tratava de um momento histórico para ambos os países, pois, 53 anos depois, as relações diplomáticas começavam a ser reatadas.

Logo depois já se falava nas ruas de Havana sobre a possibilidade da abertura de uma embaixada norte-americana no coração de Cuba, ou até mesmo de uma visita oficial de Obama na ilha. No entanto, o que se comemorava realmente dentro de bares, residências e escolas era volta dos três presos políticos que estavam sob cárcere há 18 anos nos EUA.

Assim como Cuba é um país de “personalidade forte” no cenário político internacional, sua cultura também tem características muito intensas. O tabaco é mais forte, o rum abunda entre os cidadãos enquanto a música permeia todos os ambientes da cidade. A religião e seu sincretismo são cativantes. A matriz africana está orgulhosamente presente em praticamente tudo o que se vê.

Diferentemente do que se prega por aqui, a expectativa das pessoas com quem eu conversei não é de enxurrada da cultura capitalista para dentro do país. O orgulho e a dignidade da população transbordam e parece que a tal abertura se dará de uma maneira bem gradual por conta disso. Conversando com uma jornalista de Havana, percebi que a expectativa que ela carrega é de abertura ao acesso tecnológico e de informação, a internet urge para se estabelecer na ilha. Porém, ela espera que isso não afete os ganhos que Cuba leva da Revolução, acesso indiscriminado e irrestrito à educação e à saúde e taxas praticamente nulas de violência no país, por exemplo. Com uma firmeza na voz e um brilho nos olhos ela garante que lá as coisas são diferentes: “aqui não se morre de fome”.

 

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Imagens do fotojornalista Diogo Zacarias, gentilmente cedidas para reprodução na Samuel.

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