Em carta aberta à Câmara Brasileira do Livro, quadrinistas e editores de HQs pedem criação da categoria 'Quadrinhos' no Prêmio Jabuti

Petição é iniciativa do quadrinista Wagner Willian, autor de 'Bulldogma' e 'Lobisomem Sem Barba', segundo colocado na categoria Ilustração do Jabuti em 2015

Não é de hoje a pedida de quadrinistas e editores brasileiros de HQs pela categoria “Quadrinhos” no Prêmio Jabuti. Mais tradicional premiação do mercado editorial brasileiro, o Jabuti vem incluindo ao longo dos últimos anos várias HQs em meio às indicações de algumas de suas categorias. No entanto, nos 59 anos de história do Jabuti, nunca houve uma categoria exclusiva para quadrinhos. Uma carta aberta e um abaixo-assinado pedindo a criação e inclusão da categoria “Quadrinhos” foram criados para ser entregue à Câmara Brasileira do Livro, responsável pela premiação.


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O texto em busca de assinaturas pode ser lido aqui. O projeto é iniciativa do quadrinista Wagner Willian, autor de “Bulldogma” e “Lobisomem Sem Barba”, segundo colocado na categoria Ilustração do Jabuti em 2015. Dentre seus argumentos, o texto afirma: “Como o Prêmio Jabuti enfoca a produção editorial nacional, cabe lembrar que – a exemplo do restante do mercado editorial brasileiro – boa parte das publicações de quadrinhos no Brasil é de material estrangeiro. Contudo, a proporção de material nacional, produzido por quadrinistas brasileiros, é pujante e crescente. A melhor comprovação que temos desta pujança está nas premiações que começam a aparecer para livros em quadrinhos brasileiros no exterior”.

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Acho uma tremenda causa. Premiações nem sempre são justas e jamais refletem toda a diversidade e grandeza das cenas e dos mercados que buscam reconhecer. Porém, a inclusão da categoria seria coerente dentro do que o Jabuti se propõe a ser, reconheceria o momento especial vivido pelos quadrinhos brasileiros e poderia expandir o alcance dos quadrinhos nacionais e também valorizá-los de forma inédita. Eu já assinei e recomendo que você faça o mesmo. Segue a íntegra da carta:

CARTA ABERTA DE QUADRINISTAS BRASILEIROS PROPONDO A INCLUSÃO DA CATEGORIA ‘QUADRINHOS’ NO PRÊMIO JABUTI 2017

“Criado em 1958, o Jabuti é o mais tradicional prêmio do livro no Brasil.”

A frase acima é encontrada no website do próprio Prêmio Jabuti. Como profissionais atuantes no mercado editorial, reconhecemos e subscrevemos: o Jabuti é, indubitavelmente, o mais tradicional prêmio do livro no Brasil.

Em seus 59 anos de história, vimos o Prêmio Jabuti criar categorias para contemplar segmentos diversos do mundo editorial. Na configuração atual, o Prêmio inclui categorias como “Arquitetura, Urbanismo, Artes e Fotografia”, “Didático e Paradidático”, “Direito”, “Gastronomia” e “Reportagem e Documentário” – focadas e devidamente regulamentadas para inscrição e premiação de livros exclusivos destes segmentos. As categorias, a nosso ver, respeitam a expansão constante do mercado editorial brasileiro.

Neste sentido, o propósito desta carta é realizar uma solicitação: A criação da categoria Quadrinhos no Prêmio Jabuti em 2017.

Embora tenham nascido nos jornais e tenham permanecido grande parte de sua história nas bancas de jornais e revistas, os quadrinhos são publicados no formato livro, no Brasil, desde o início do século 20. De coletâneas de tiras de jornal até reproduções de álbuns estrangeiros, os quadrinhos estiveram presentes nas livrarias brasileiras, mesmo que em grau reduzido, ao longo do século passado.

Neste século 21, não se pode mais falar “em grau reduzido”. Basta entrar em qualquer livraria física de médio a grande porte, ou nas livrarias digitais, e identificar que todas possuem seções dedicadas aos quadrinhos.

Dos dez maiores grupos editoriais no Brasil (1), nove publicaram quadrinhos na década corrente – e quatro possuem selos exclusivamente dedicados ao segmento (2). Há editoras de pequeno a grande porte exclusivamente dedicadas a quadrinhos (3). Quadrinhos aparecem com regularidade em Listas de Mais Vendidos (categoria Geral) como a do website PublishNews, assim como em resenhas em jornais e revistas nos seus cadernos de literatura. Livrarias já empreendem categorização interna e necessária ao segmento, classificando os quadrinhos em “autobiográficos”, “super-heróis”, “humor”, “infantis”, “adaptações literárias” e outras rotulações.

Como o Prêmio Jabuti enfoca a produção editorial nacional, cabe lembrar que – a exemplo do restante do mercado editorial brasileiro – boa parte das publicações de quadrinhos no Brasil é de material estrangeiro. Contudo, a proporção de material nacional, produzido por quadrinistas brasileiros, é pujante e crescente. A melhor comprovação que temos desta pujança está nas premiações que começam a aparecer para livros em quadrinhos brasileiros no exterior (4).

Independente de todos estes fatores, os livros em quadrinhos já satisfazem a regra do Prêmio Jabuti do que define um livro, conforme o regulamento geral da premiação: “considera-se livro obra intelectual impressa e publicada, com ISBN e ficha catalográfica, impressos no livro.”

O Prêmio Jabuti inclusive já elencou e premiou quadrinhos em categorias como “Didático e Paradidático”, “Adaptação” e “Ilustração”. Em 2015, o Prêmio homenageou o mais famoso quadrinista nacional, Maurício de Sousa.

No entanto, quadrinhos são uma forma de expressão artística com linguagem e histórico próprios. Com base nisto e em todos os argumentos de relevância artística e mercadológica apresentados acima é que reiteramos nossa solicitação:

Pela criação da categoria Quadrinhos no Prêmio Jabuti em 2017.

(1) Foram consideradas (em ordem alfabética): Grupo Autêntica, Grupo Companhia das Letras, Ediouro, Globo, Intrínseca, LeYa, Grupo Record, Rocco, Saraiva, Sextante.

(2) Nemo (Autêntica), Quadrinhos na Cia. (Companhia das Letras), Pixel (Ediouro), Globo Graphics (Globo). Cabe mencionar também a inclusão de quadrinhos em selos como Galera Record (Record) e Fábrica 231 (Rocco).

(3) Avec, JBC, Mino, NewPop, Panini (de grande porte), Veneta, Zarabatana, entre outras.

(4) Dois Irmãos, de Fábio Moon e Gabriel Bá, foi contemplado em categorias dos Harvey e Eisner Award (EUA) em 2016. No mesmo ano, Tungstênio, de Marcello Quintanilha, foi contemplado em categoria do Prix d’Angoulême (França).

 

*Publicado originalmente no blog Vitralizado, do jornalista Ramon Vitral.


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