E o que Caetano pensa sobre 'Caetano estaciona carro no Leblon'?

Um título, três fotos e suas legendas. Há 6 anos, 'Caetano estaciona carro no Leblon', uma notícia no site Terra, mudava a percepção sobre o jornalismo online brasileiro. 'Pessoas amigas me mostraram e rimos sempre muito com o absurdo', diz Caetano
*O jornalista Shin Oliva Suzuki escreveu e publicou o texto abaixo em seu perfil no Medium no dia 10 de março de 2016, quando se completaram cinco anos de publicação da já antológica "Caetano estaciona carro no Leblon". No sexto aniversário da infame nota, reproduzimos o texto de Suzuki, cujas reflexões seguem pertinentes e divertidas.
 
Um título, três fotos e suas legendas. Há cinco anos, “Caetano estaciona carro no Leblon”, uma notícia no site Terra, não mudava a vida dos leitores, mas mudava a percepção sobre o jornalismo online brasileiro: qualquer banalidade de uma pessoa minimamente conhecida viraria informação. Bastava ser flagrada.
 
Na web, sem as limitações de uma edição de jornal ou revista, a abundância é a característica mais evidente. Os sites de celebridades assinam serviços como os da agência Agnews, autora das imagens de Caetano, e recebem diariamente flagras de vários fotógrafos. Por que não publicá-los? Bem, se você respondeu “relevância jornalística”… O fato é que, cinco anos depois, a quantidade de notas do tipo só aumentou. Eu pessoalmente acho perda de tempo lutar contra isso. As pessoas clicam. Em vez de reprimir, melhor estimular a popularização do oposto: boas histórias com esforço de precisão nas informações e bem contadas. Notícias úteis para o dia a dia dos leitores com trabalho para obter clareza e exatidão.

Mas o que Caetano, alguém que sempre teve algo a dizer sobre os temas mais diversos, pensa da nota da qual foi protagonista e de sua repercussão? Mandei algumas perguntas e ele gentilmente me respondeu através dos seus assessores, aos quais também agradeço.
 
Reprodução
 
"Vi essas fotos com certo atraso. Pessoas amigas me mostraram e rimos sempre muito com o absurdo. Havia um pouco de indignação também nesse riso. Depois percebi que um número imenso de pessoas ria e se indignava com esse show de banalidade. Achei que há suficiente consciência do ridículo dessas coisas."
 
Caetano lembra então que a curiosidade do público sobre a vida privada das celebridades não é de hoje:
 
“Pessoalmente não estou em rede social e nunca vejo sites de celebridades. Mas basta eu abrir o Yahoo! para entrar no meu email que eu vejo notícias de nada sobre pessoas que são conhecidas. Fico meio perdido. Sempre houve curiosidade sobre a vida particular de pessoas famosas. Me lembro da Revista do Rádio mostrando toda a casa de Angela Maria e detalhando seu cotidiano. Entendo que se queira achar distração olhando a vida dos outros. Mas vivo longe desse mundo de curiosidade maluca”.
 

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Ele diz que não liga muito para a atenção dada a esse aspecto da vida de personalidades, mas que é importante manter o espírito crítico sobre o que é produzido no jornalismo hoje.
 
“Claro que [esse tipo de publicação] deve ser criticada. E é. A própria reação a essa ‘reportagem’ sobre mim mostra que um grande número de pessoas percebe a maluquice. E aponta para a burrice inerente. As pessoas famosas sabem que suas vidas são objeto de curiosidade. Eu não me importo tanto com isso. Mas não se pode perder a dimensão crítica”, escreve ele.
 
Caetano pensa que atualmente sua opinião recebe mais atenção do que sua produção artística? “Talvez. Não ligo muito. Mas me importa mais o que acontece com ‘A bossa nova é foda’ do que com uma reportagem minha sobre Israel. Embora opinar, discutir e analisar estejam entre as coisas que me estimulam. Mas cantar é melhor ainda.”
 
E, em defesa do interesse por detalhes fúteis e banais (até certo grau) e da curiosidade de como vivem as pessoas, o que inclui as celebridades (também até determinado ponto), perguntei: “Afinal, como é estacionar um carro no Leblon?”.
 
“Aprendi a dirigir quando já tinha 35 anos. Não tenho intimidade com automóveis. Adoro dirigir na madrugada, dar carona a meus amigos até suas casas e voltar ouvindo a Roquette Pinto ou a MPB FM. Mas não sou bom de estacionar, fazer manobras, nada disso. Me viro e não causo problemas a ninguém. Mas não sei nem reconhecer um carro meu no estacionamento. Quando dizem nomes de marcas ou modelos de carro minha cabeça fica em branco.”
 
Um obrigado a minha amiga querida Liv Brandão por ter ajudado nos contatos.


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