Campanha '30 dias por Rafael Braga' denuncia racismo estrutural no Brasil

Atividades culturais e rodas de conversa serão usadas para dialogar com população durante todo o mês de junho

Racismo estrutural, seletividade penal, guerra às drogas, tráfico e politização da Justiça: a história de Rafael Braga, desde sua prisão até as condenações, é vista por militantes do movimento negro e ativistas de direitos humanos como uma das mais emblemáticas para demonstrar a falha do sistema judicial brasileiro quando se trata da população negra. Para expor essa realidade e debater essas questões, organizações e voluntários iniciaram, no dia 1º de junho, em São Paulo, a ação  "30 dias por Rafael Braga".


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As atividades se estenderão até o final do mês e pretendem reunir psicólogos, criminalistas e jornalistas para a realização de debates, exibição de filmes e documentários que abordem a seletividade carcerária, o racismo estrutural e como essas questões afetam a sociedade.

A historiadora Suzane Jardim, uma das organizadoras da ação, classifica o caso de Rafael Braga como "urgente e simbólico", por sintetizar todas essas questões, e diz que a opção por realizar diversas atividades se deve ao fato de querer conscientizar toda a população, "não só a militância".

"Porque o debate ainda é muito raso. Ainda é muito comum a máxima: 'bandido bom é bandido morto'", argumenta Jardim. "E a gente não quer que a ação acabe em junho. Queremos que as pessoas discutam isso todo dia, a fim de chegarem a propostas de mudanças, de reformas, sobre todos esses abusos que estão acontecendo com a população negra, pobre e periférica", ressalta a historiadora.

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'30 dias por Rafael Braga' que trazer para o debate temas como encarceramento e racismo 

Para o advogado Lucas Sada, que cuida do caso de Rafael Braga e é membro do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH), essa questão é política. "Por isso, é muito importante que se denuncie, proteste, que faça a história do Rafael correr, porque não é só a história do Rafael, mas sim de milhares de pessoas que estão privadas de liberdade no Brasil, acusadas dos crimes de tráfico e associação, condenadas tão somente com base na palavra de policiais, através de provas forjadas e depoimentos obtidos sob tortura".

Relembre o caso

Em 2013, enquanto carregava somente dois frascos lacrados de produto de limpeza em sua mochila, o catador Rafael Braga foi preso sob a acusação de portar explosivos.

Em janeiro do ano passado, ele foi detido novamente enquanto respondia em regime aberto e usava tornozeleira eletrônica. Desta vez, ele foi acusado de tráfico de drogas e associação ao tráfico e, mesmo negando ser o dono dos entorpecentes, foi condenado a 11 anos e três meses de reclusão.

"Estamos esperando a publicação da sentença para entrar com recurso de apelação, para tentar reverter essa condenação, que é ilegítima e baseada apenas na palavra dos policiais, contrastada pela versão de uma testemunha ocular e do próprio Rafael", afirma Sada.

(*) Publicado originalmente em Brasil de Fato


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