Raul Longo*

charge-globoSe há algo a ser criticado nos meios de comunicação, sem dúvida, é o insuficiente esforço no desenvolvimento de uma consciência democrática entre a sociedade brasileira, apesar do reconhecimento internacional pela promoção da igualdade e integração social.

Melhor seria menos verba para condicionadores de opinião pública através do monopólio oligárquico da mídia. Ou que as verbas programadas pelo Ministério das Comunicações se destinassem à promoção da mídia alternativa e criação de novas opções para informação de fatos reais, sem seletividade, omissões e espetacularizações, com conteúdo instrutivo e dignificante.

O resultado está aí: promoção do fascismo, da barbárie e da selvageria por todo o país pelos meios convencionais de uma mídia sem lei. Ou melhor, lei existe e está na Constituição de 1988 que há quase trinta anos a bancada da mídia não permite homologar. E com uma mídia monopolizada claro que eternamente elegerão parlamentares para defender a ilegalidade de seus interesses.

Apesar do avanço social brasileiro ser admirado e louvado no mundo inteiro, os governos do PT negligenciam os prejuízos à classe média brasileira ao não seguir exemplos como o da Argentina onde o governo adquiriu, construiu ou alugou um satélite para transmissão de imagens e disponibilizou a custos acessíveis antenas, decodificadores e assinatura de pacote de cerca de 20 novos canais de TV. Assim, além dos canais abertos e dos de assinatura para divulgação e promoção de interesses contrários aos da população, os argentinos dispõem da alternativa de bons conteúdos em canais infantis, esportivos, cinema, educativos, etc. Além dos informativos da Telesur e da TV Pública para comparar as diferenças entre o fato e a especulação. E argentinos lêem muito mais que brasileiros.

Aqui no Brasil, condicionados pelo monopólio de uma mídia única, não nos comovemos sequer com a superação do grande flagelo de nossa história que é a maior vergonha para qualquer sociedade humana: a fome.

Perceptivelmente a sociedade brasileira não é normal nem sadia e não há como negar grande parte da responsabilidade por esta realidade à mídia e à escória que a desenvolveu a partir do golpe de 1964 e desde lá a mantêm sem qualquer controle e responsabilidade pública, mesmo quando se beneficiam de concessões públicas.

Tidos como brasileiros, proprietários e empregados dessa mídia em verdade não tem identidade nacional, não pertencem a nenhuma sociedade. Escrevem e falam apenas para defender seus ganhos e salários e não se consideram responsáveis com nada, cinicamente respondendo por suas mentiras e especulações com desculpas inventadas no momento.

Apenas obedecem aos interesses do patrão como fez o comentarista econômico da Globo ao responsabilizar Lula pela crise na Grécia, invertendo o outro ex-presidente que desculpava a incompetência do próprio governo culpando crises regionais do outro lado do mundo.

Os empregados da Globo tem de omitir notícias negativas sobre o Estados Unidos, não fosse isso o mesmo Carlos Augusto Sardenberg diria também ser culpa do Lula o relatório da ONU de 2014 ter indicado que 80% da população estadunidense está na linha de pobreza. Mas neste ano os empregados da Globo não puderam falar coisa alguma daquele relatório, pois nele o Brasil aparece ao revés, registrando 80% da população brasileira acima da linha de pobreza.

A mídia instalada no Brasil se nega a divulgar as realidades do Brasil porque só é brasileira na hora de sonegar impostos. E seus empregados se orgulham em autoproclamar-se “formadores de opinião”. É com a diversidade de opiniões entre todos os cidadãos que se pode constituir uma sociedade plural e livre, mas identificada com os interesses de todos e consciente do respeito devido à sociedade e a cada um de seus integrantes.

*Colaborador de Diálogos do Sul