O povo de Cuba presta homenagem permanentemente aos milhares de compatriotas, heróis ou mártires que sem poupar sacrifícios forjaram os caminhos que levaram ao triunfo da Revolução faz já 58 anos.

Marta Denis Valle*

fangio-revoUns 20 mil cubanos e cubanas morreram assassinados ou caíram em combate e um número incalculável recebeu terríveis torturas a partir do golpe militar de Fulgêncio Batista, em 10 de março de 1952 até o 1o de janeiro de 1959. Isso sem contar as vítimas das etapas revolucionárias anteriores, pois o processo cubano é concebido como único desde 10 de outubro de 1868, início das lutas pela libertação nacional e justiça social.

Essa continuidade histórica foi ratificada em vésperas do 26 de julho de 1953, no chamado Manifesto do Moncada, que expressa o ideário de Fidel Castro, morreu em 25 de novembro de 2016, e seus companheiros, com vistas a construir uma pátria melhor, sonho supremo de José Martí. Se trata da Revolução Cubana, ainda não terminada, iniciada por Céspedes, Agramonte, Maceió, Martí, Mella e Guiteras, Trejo e Chibás, disseram então.

O movimento insurrecional foi organizado depois que o advogado, então com 25 anos, Fidel Castro, solicitou sem êxito ao Tribunal de Garantias Constitucionais e Sociais julgasse os autores. Oito combatentes morreram na ação mas a repressão da ditadura cobrou a vida de mais 60 assassinados nos dias seguintes, sob tortura nos cárceres.

Desde o primeiro momento e em cada dia da guerra revolucionária a generosidade para com o inimigo vencido constitui um princípio ético. “Não é com sangue que se pode pagar as vidas dos jovens que morrem pelo bem de um povo; a felicidade desse povo é o único preço digno que se pode pagar por elas”, afirmou Fidel diante dos tribunais no julgamento pelo Moncada.

Depois dos horríveis assassinatos contra 18 expedicionários que desembarcaram do iate Granma, em dezembro de 1956, o pequeno grupo  rebelde atacou o Quartel de la Plana, em 17 de janeiro de 1957, sem nenhuma baixa e colocou em liberdade os feridos e prisioneiros.

Em 18 de agosto de 1958, Fidel informou pela Rádio Rebelde a derrota infligida às forças da ditadura em sua ofensiva contra a Sierra Maestra e a entrega à Cruz Vermelha, sem nenhuma condição, de 443 prisioneiros.

Mártires da pátria

Impossível mencionar a cada um dos mártires sem observar os grandes méritos de cada um e o quanto significavam para o futuro da Revolução, pois a maioria era muito jovem.

José Tey Saint-Blancard (1932-1956), jovem professor e dirigente universitário, morreu em combate junto com seus companheiro Tony Alomá e Otto Parellada, em 30 de novembro, na rebelião de Santiago de Cuba em apoio ao desembarque do Granma.

Nesse novembro de 1956, há mais de 60 anos, caíram Antonio (Ñico( López Fernández (1932-1956), oficial do Estado Maior do Granma, formou parte da direção do movimento revolucionário. Na Guatemala conhecera a Ernesto Che Guevara e no México o vinculou a Fidel Castro.

“Homens como Ñico –disse Raúl Castro- foram os que tornaram possível essa fagulha que formou aquela fogueira de redenção que nos traria posteriormente a liberdade que hoje desfrutamos”.

Cándido Gonzáles Morales (1929-1956), oficial do Estado Maior do Granma foi dirigente juvenil e do Movimento 26 de Julho em Camaguey. José Smith Comas (1932-1956), chefe do pelotão de vanguarda, era estudante de engenharia agronômica na Universidade de La Habana, pertenceu à Juventude Ortodoxa, e foi fundador do Movimento 26 de Julho. Raúl Suárez Martínez (1935-1956), delegado ao Ii Congresso de Estudantes Secundários e fundador do Movimento 26 de Julho. T

Também William Soler Ledea (1941-1956) menino mártir de 15 anos, que morreu em mãos de algozes da ditadura em 1o de janeiro de 1957. Detido na noite de 30 de dezembro de 1956, seu cadáver apresentava marcas de tortura e impactos de bala. Um dos melhores hospitais pediátricos de Cuba leva seu nome.

*Prensa Latina, de La Habana, Cuba, especial para Diálogos do Sul