Estupor internacional pelo continuidade da catástrofe econômica e social do governo Macri. Jornais internacionais como o britânico The Guardian; os estadunidenses Washington Post e New York Times; os espanhóis El País e El Mundo, os franceses Libération e o Le Monde Diplomatique; o Corriere della Sera, além de alemães como o Bild el Allgemeine e outros, se referem a deterioração da Argentina como consequência das políticas implementadas pelo presidente Maurício Macri e seus sócios.

Silvia Torres*

macri vendeOs índices estatísticos revelam as sucessivas catástrofes econômico-sociais que ocorrem na Argentina convertida hoje num país que soma o maior número de notícias negativas nos meios internacionais, depois da Síria, o que é sistematicamente ignorado pelos meios hegemônicos locais e regionais.

O 2 x 1 provocou uma queda espetacular da imagem positiva de Maurício Macri, abaixo de 40%, apesar de sua posição de último momento com relação à medida escandalosa aprovada pela Corte Suprema de Justiça da Nação.

Não é pra menos, 86% da população se manifestou contra a medida e 75% disse conhecer a decisão e o impacto negativo sobre a luta pela Memória Verdade e Justiça que o povo argentino vem travando nos últimos quarenta anos conduzida pelas Mães, Avós, Filhos e outros organismos de defesa dos direitos humanos.

A gigantesca mobilização realizada para enfrentar a decisão judicial foi notícia em dezenas dos mais importantes meios internacionais. Pode-se afirmar que nenhum meio de alcance mundial deixou de se ocupar do tema, destacando a ilegalidade da medida por violar normas consagradas por tratados nacionais e internacionais.

Isso dá motivo suficiente para um processo político aos três supremos autores da aberração jurídica.

Claro  que, enquanto a atenção dos argentinos se concentrava no decisão 2 x 1, outras medidas de não menos impacto negativo sobre a vida dos argentino sucediam  uma atrás de outra.

O governo autorizou a Avianca -empresa aérea com participação acionário de Macri- a operar em todo o país em prejuízo para a Aerolineas Argentinas.

O governo se endividou à Anses com 16 bilhões de pesos com a finalidade de provocar sua quebra e voltar ao regime das privatizações.

Por decreto o presidente designou a Carlos Mahiques para integrar o Conselho da Magistratura, um homem comprometido com o macrismo, ex ministro de Justiça de Vida, na província de Buenos Aires.

A extensão de grandes indultos pelo desfinanciamento do PAMI é outro fato catastrófico.

São elefantes que passam cotidianamente diante do olhar atônito de quem quer ver.

Os meios hegemônicos argentinos se ocupam sistematicamente em silenciar os efeitos nocivos das políticas implementadas pela aliança macrista-radical-massista, mas eles são publicadas pela imprensa de outros países.

Há poucos dias o Financial Times comentou que a “bicicleta financeira”  impera na Argentina, o que descreveu como insólito o acordo de vender limões aos Estados Unidos por 75 milhões de dólares e renunciar a exportação de biodiesel por 1.250 milhões de dólares.

Quase semanalmente, diários como o britânico The Guardian, os estadunidenses Washington Post e New York Times; os espanhóis El País e El Mundo, os franceses Libération ou o Le Monde Diplomatique; o Corriere della Sera, além de alemães como o Bild el Allgemeine e outros, se referem a deterioração da Argentina como consequência das políticas implementadas pelo presidente Maurício Macri e seus sócios.

Entre os temas mais abordados estão os escândalos de corrupção revelados pelos Panamá Papers e o Lava Jato, o aumento da fome num país que produz alimentos, a repressão nas ruas e a prisão inconcebível de Milagro Sala.

Nisso de estar no mundo, é talvez a única promessa de campanha cumprida pelo macrismo.

A Argentina está no mundo mais uma vez, e de novo como modelo de republiqueta bananeira, em que se manipulam as normas essenciais da república, onde o discurso político está de novo impregnado de cinismo e onde as catástrofes socioeconômicas são moeda corrente.

*Original de Red de Medios del Mercosur: Título original:” Continuidad de la catástrofe”