Fernanda Pompeu

Entrevistas
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Guimarães Rosa, um inventor da língua pátria

Regina Pereira afirma que Guimarães Rosa é hoje, no Brasil, passados 50 anos de seu encantamento, que é como se diz docemente morrer na língua dele, o autor mais lido, bordado, pintado, cantado, encenado, estudado, amado, venerado.

Caderno C
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Pagu, a Patrícia Galvão

Pagu tinha um aguçado instinto de independência. Também era dona de uma fantástica cabeça multimídia, mais de meio século antes dessa palavra fazer sentido. Pagu pensava com palavras, imagens, gestos e muita ação. Pagu desenhava, Pagu escrevia, Pagu agitava. Fernanda Pompeu*

Mulheres
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Mulheres: A canoa contra o rochedo, quem quebra?

Por um breve momento, as mulheres próximas do novo poder chegaram perto do amor livre, do divórcio, do aborto, da dissolução do casamento, da coletivização do cuidado das crianças, das cozinhas e lavanderias. Fernanda Pompeu*

Crônicas
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Quando sempre temos que usar o hífen

O Acordo Ortográfico entrou em vigor em 2009. Seu objetivo é unificar a ortografia (o modo como se escrevem as palavras) entre os 8 países que usam o português. São eles, Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor Leste. Fernanda Pompeu*

Brasil
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Luiza Erundina, reserva moral

Luiza Erundina saiu da prefeitura rigorosamente com a mesma renda pessoal com que entrou. Honestidade raríssima entre seus pares. Sua inteireza moral funciona como receituário para o poder das mulheres em prol de uma sociedade mais igualitária.

Cinemateca Diálogos do Sul
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O lúcido Milton Santos

Milton Santos foi um dos maiores críticos da ditadura do pensamento único. O professor dizia que o Brasil precisava encontrar seu próprio modelo de desenvolvimento: O centro do mundo é o lugar onde se está. Sem abandonar o que somos, podemos nos tornar universais.

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Meu avô judeu

Gostava de dizer na escola que eu tinha um avô judeu. Isso durou até o dia que ele me chamou para dizer que eu não era e nunca seria uma menina judia. Não se tratava de uma escolha, mas de origem.

Afrodescendentes
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O macho branco europeu, com sua cultura, se autointitulou o modelo mundial, diz Sueli Carneiro

Entrevista com Sueli Carneiro, filosofa e ativista do movimento de mulheres negras. Fernanda Pompeu* Não é que a fila anda? Sueli Carneiro, filosofa e ativista do movimento de mulheres negras, foi uma das ganhadoras do Prêmio Itaú Cultural 30 Anos, neste 2017. Abaixo você pode ler uma entrevista dada por ela para mim em 2010. Foi originalmente publicada no livro Mulheres Fazendo Pazes, editado pela Associação Mulheres pela Paz. Apesar da passagem do tempo, as…

Crônicas
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Envelhecer é o quê?

“Faz nove anos recebi o crachá de velha. Aconteceu na linha verde do metro paulistano. Uma mocinha, sentada no assento preferencial, ao me ver se levantou prontamente cedendo o lugar para mim. Meu impulso bem-educado pensou em dizer: Obrigada pela gentileza, mas com os meus 52 anos ainda não ganhei o direito de sentar no banco preferencial, que é líquido e certo a partir dos 60.” Fernanda Pompeu* Já meu impulso mal-educado pensou em vociferar:…

#PlanetaÁgua
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Passeios pela água doce

A Terra é azul! exclamou o astronauta Yuri Gagarin ao avistar, do espaço, nosso planeta. Azul porque 3/4 do planeta são água. No entanto: menos de 3% de toda água da Terra é doce. Boa parte da água doce está em lugares de difícil acesso: calotas polares e subterrâneos. Adivinhou? A água doce é um tesouro! Fernanda Pompeu* 1 Água desperta, água sonhadora para: acariciar ajudar alimentar banhar batizar beber benzer brincar brindar brotar construir…

Mulheres
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A educadora Bia Cannabrava

“Para mim, o grande desafio não é apenas denunciar as atrocidades das guerras. Paz não é só ausência de conflitos armados. Paz é construção. É também árduo caminho para encontrar soluções que derrotem os inimigos cotidianos. Esses inimigos são as violências econômicas, sociais, culturais e de gênero”.

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Tempos Brutos

Desde garotinho preferiu o não ao sim, a tentativa à certeza. Esse temperamento não correspondia às fantasias dos pais e professores. Fernanda Pompeu* Ele era uma ave rara no meio de um rebanho rotineiro. De avós a netos, todos haviam encarado a vida como uma biblioteca de tramas já escritas. Na qual bastava estender a mão, colher um volume e viajar para conflitos e resoluções alheios. Ranulfo pensava diferente. Acreditava que, para além de acompanhar…

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Diversidade: Meu nome é existir

Então chega a segunda-feira. No cafezinho, a colega conta que a viagem com o noivo foi 10, ruim mesmo só a fila no aeroporto. O chefe diz que passou o domingão no sofá, ele e a mulher botaram em dia a pipoca e os capítulos atrasados do Homeland. O estagiário, deixando a timidez de lado, confidencia que conheceu uma garota especial na balada. E o que o colega gay e a colega lésbica contam? Nada.…

Mulheres
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Lucinha e As caras da violência

Maria Lúcia da Silva, a Lucinha, não transita pelos movimentos feminista e negro em brancas nuvens. Muito ao contrário. Ela é o tipo de pessoa que faz e reflete. Reflete e faz. Psicoterapeuta, especialista em mediação e trabalhos em grupos, com recortes de raça e gênero. É uma das fundadoras do Instituto AMMA – Psique e Negritude, ONG que trabalha o racismo sob a lupa psicossocial. A ênfase deste trabalho são os efeitos psicossociais do…

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O príncipe menstruado

Três meninas. Denise, Fátima e eu. A tarde era de um domingo medíocre e acalorado. A brincadeira, proposta por Fátima, consistia em representar uma cena teatral: o momento em que o príncipe encantado beijava a bela adormecida, acordando-a de um sono enfeitiçado para uma vida fausta em promessas principescas de amor, filhos e paz. Fernanda Pompeu* A falta de cenário não incomodava, pois não havia público. Nos preocupamos apenas com o figurino. A madrasta jogou…

Ditadura Nunca Mais
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“Esqueço não”, Janaína de Almeida Teles

Janaína de Almeida Teles, nascida em 1967, tem pedigree político. É filha de Amelinha e César Teles – dois ativistas pelos direitos humanos de longa viagem. Sobrinha da Criméia de Almeida, sobrevivente da Guerrilha do Araguaia. Irmã de Edson Teles, estudioso do período militar. Prima de João Carlos Grabois, o Joca, nascido na prisão. Historiadora e pesquisadora com livros publicados, Janaína dedica-se a procurar restos mortais dos desaparecidos políticos e a reconstituir possíveis últimos momentos…

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Desafinando o coro dos contentes

A frase do título é verso de Torquato Neto (1944-1972). Poeta que em sua brevíssima vida desafinou as mesmices do redigir. O cara experimentou para valer e pôs a alma para fora. Salve, menino Torquato! O craque da máquina de escrever. Fernanda Pompeu* Foi pensando no poeta e letrista piauense que me recordei do carioca Carlos Lamarca (1937-1971). Não que os dois (que eu saiba) tivessem afinidades ideológicas. De certo, o primeiro estaria mais para…

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Kafka: A barata faz 100 anos

Fernanda Pompeu* Uma das venturas – não são muitas – de envelhecer é a capacidade de reconhecer e agradecer o que muitas pessoas fizeram por nós. Júlio, meu avô postiço, judeu fugido da barbárie nazista, deu com o destino no Rio de Janeiro. Sua vida se tornou um esforço de adaptação à língua, à cultura, ao calor diabólico. Ao constatar que eu adorava ler me apresentou seu compatriota Franz Kafka (1883-1924), puxando da estante um…

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Sua excelência, o rádio

Fernanda Pompeu* Muito antes dos iPods e similares colados nos ouvidinhos, houve os rádios de tomada e depois de pilha. Pelo Brasil profundo eles ainda resistem, apesar do assombroso avanço dos smartphones. Mas bem mais interessante do que o aparelho em si, é viajar para atrás no relógio e encontrar a importância do rádio antes que a televisão roubasse as salas e as atenções. O rádio, nos anos 1940 / 1950, funcionou como uma espécie…

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Rindo do quê?

Fernanda Pompeu* A morte se anuncia quando paramos de rir. Meu pai foi um sujeito de várias risadas. Ele tinha o humor da provocação. Quando tudo soava calmo ou careta demais, ele soltava uma frase ou fazia um gesto para bagunçar o coreto. Mesmo sem ter lido o poeta Torquato Neto (1944 -1972), papai fazia acontecer os versos: Vai bicho desafinar / o coro dos contentes. Só quando a doença se apossou é que seu…

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Prêmio Rose Marie Muraro

Fernanda Pompeu* Clara Charf, Herilda Balduino de Sousa, Lenira Maria de Carvalho, Mireya Suárez, Moema Viezzer e Neuma Aguiar foram agraciadas com o Prêmio Rose Marie Muraro: Mulheres Feministas Históricas, destinado para ativistas com mais de 75 anos. A iniciativa vem da parceria entre a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Cada uma receberá 50 mil reais pelos serviços prestados em prol da cidadania…

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Brasil 40 graus

Fernanda Pompeu* O livro 1964 na visão do ministro do Trabalho de João Goulart, escrito por Almino Affonso, se parece com o filme Titanic. Todos que foram ao cinema sabiam do naufrágio final. Assim como os leitores do livro sabem que o golpe de 1964 afundou, por mais de duas décadas, a democracia brasileira. Então qual a graça em ver um filme ou ler um livro, se conhecemos o fim? Pelo encanto do roteiro que…

Ditadura Nunca Mais
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1964 + 50

Fernanda Pompeu* Histórias de pessoas de carne e osso – e também de personagens de papel – que, a partir de 1964, viveram na roda viva da ditadura militar. Episódios quinzenais toda quinta-feira. Quando vi meu pai morto, faz um ano, pensei para me consolar: ele teve uma vida imensa. Conheceu o fracasso, mas também o sucesso. Tentou, errou, tentou novamente. Foi homem capaz de uma consistente história de amor de vida inteira com a…

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Getúlio Vargas: Um tiro completa 60 anos

Fernanda Pompeu* Meu saudoso pai comprava flores no mercado municipal de Taubaté – Vale do Paraíba -, quando a florista esbaforida soltou a bomba: Acabei de ouvir no rádio que o velho se matou! O velho era Getúlio Dornelles Vargas, presidente do Brasil. O rádio, em 1954, era o principal veículo pelo qual os brasileiros ouviam músicas, programas humorísticos e notícias. TV era bem de ricos. O que se seguiu foi uma agitação gigantesca. O falecimento de um presidente…

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O professor

Fernanda Pompeu*  Histórias de pessoas de carne e osso – e também de personagens de papel – que viveram na roda viva da ditadura militar. Não havia nenhuma chance de um mal-entendido quanto ao local e horário. No 31 de outubro de 1975, toda São Paulo estava sabendo que na Catedral da Sé, o católico Dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o pastor James Wrigth celebrariam uma missa em memória do jornalista…

Ditadura Nunca Mais
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Duas filhas da ditadura

Fernanda Pompeu*   Histórias de pessoas de carne e osso – e também de personagens de papel – que viveram na roda viva da ditadura militar. Novos episódios toda quinta-feira. Já se vão quase trinta anos que minha amiga, num gesto tresloucado e para sempre inexplicável, atirou contra a própria cabeça interrompendo uma mente brilhante. Pois, com 20 anos, ela era rápida, criativa, ousada e, supreendentemente para sua idade, muito culta. Por que se matou? Essa…

Brasil
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Caiam os reis!

Fernanda Pompeu* Leio que o rei da Espanha Juan Carlos abdicou do trono em favor do filho Felipe. Parece que o papa Bento XVI anda fazendo escola. O que é uma ideia otimista. Há momentos e circunstâncias em que o mais honesto a fazer é ir-se. Deixar carta, e-mail, vídeo, áudio com um libertador: Fui! Verdade também que Bento e Juan pularam fora um pouquinho antes da casa cair. Andavam severas às críticas ao Vaticano,…

Ditadura Nunca Mais
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Contos da maladita

Fernanda Pompeu* Em 1975, eu estudava no Colégio Equipe. Para quem não ouviu nada sobre ele, conto aqui. Era um colégio particular com inspiração coletiva e fama de permitir que os alunos se expressassem. Isso numa época na qual a livre expressão podia virar questão de segurança nacional. Nos dias atuais, há garotas e garotos – e velhinhos também – que dizem várias besteiras acerca da ditadura militar. Repetem que a repressão só atingiu guerrilheiros,…

Crônicas
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Amantes de aço

Fernanda Pompeu* Gabriel García Márquez (1927-2014), autor do romance mágico Cem Anos de Solidão e de outras iguarias jornalísticas e literárias, declarou certa vez que para escrever necessitava ter uma flor amarela sobre a mesa. Até parece que o talento de Gabo precisava ser visitado pela inspiração, puro fetiche. Escritores são particularmente tocados por manias. Uma amiga minha, colombiana como Márquez, só escreve ao lado de uma vela acesa. Se o vento sorrateiro janela adentro…

Ditadura Nunca Mais
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Qual a sua Geni?

Fernanda Pompeu* Faz trinta e seis anos, Chico Buarque compôs uma canção cuja letra conta de uma mulher que já foi namorada “de tudo que é nego torto, do mangue e do cais do porto. A rainha dos detentos, das loucas, dos lazarentos, dos velhinhos sem saúde, das viúvas sem porvir.” A cidade toda, ao vê-la, canta em coro um refrão: “Joga pedra na Geni! Ela é feita para apanhar! Ela é boa de cuspir!…

Dialogando
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Tiros: sobre uma biografia de Getúlio Vargas

Fernanda Pompeu* Getúlio Vargas (1882-1954) gostava tanto do poder que ao saber de um golpe que o destituiria da presidência da República preferiu dar um tiro no peito. Deixou na sua carta-testamento a célebre frase: Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história. Foi o fim de um homem que passou, no total, dezoito anos no poder. Com a curiosidade de ter saído como ditador e…

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Fácil publicar, difícil ser lido

Fernanda Pompeu*  Um dos maravilhosos milagres da Nossa Senhora da Internet é possibilitar a expressão de uma multidão de escribas. Está fácil publicar e quase todo mundo está bordando palavras no Facebook, Twitter, blogs e congêneres.  A enorme vantagem de uma multidão de escribas é navegarmos na infinita leitura de pontos de vista, abordagens, narrativas. Veganos e carnívoros, devassos e evangélicos, anjos e demônios disputam olhos e atenção de leitores. Todos almejando aumentar o número…