Fernanda Pompeu

Sueli Carneiro Sem categoria
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O macho branco europeu, com sua cultura, se autointitulou o modelo mundial, diz Sueli Carneiro

Entrevista com Sueli Carneiro, filosofa e ativista do movimento de mulheres negras. Fernanda Pompeu* Não é que a fila anda? Sueli Carneiro, filosofa e ativista do movimento de mulheres negras, foi uma das ganhadoras do Prêmio Itaú Cultural 30 Anos, neste 2017. Abaixo você pode ler uma entrevista dada por ela para mim em 2010. Foi originalmente publicada no livro Mulheres Fazendo Pazes, editado pela Associação Mulheres pela Paz. Apesar da passagem do tempo, as…

Fernanda-Pompeu-2 Crônicas
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Envelhecer é o quê?

“Faz nove anos recebi o crachá de velha. Aconteceu na linha verde do metro paulistano. Uma mocinha, sentada no assento preferencial, ao me ver se levantou prontamente cedendo o lugar para mim. Meu impulso bem-educado pensou em dizer: Obrigada pela gentileza, mas com os meus 52 anos ainda não ganhei o direito de sentar no banco preferencial, que é líquido e certo a partir dos 60.” Fernanda Pompeu* Já meu impulso mal-educado pensou em vociferar:…

Amelinha Teles dest #NósSóQueremosJustiça
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Amelinha Teles vermelha e lilás

Faz exatos 53 anos, o Brasil engatinhou ditadura. Essa época entrou para a história como Golpe Militar de 1964. Por mais de duas décadas, o mando da República esteve à força não de projetos e contraditórios, mas de repressão, censura, opacidade, medo. Milhões de brasileiros tiveram suas vidas marcadas a partir do Golpe, bem próximas a mim, meu pai e minha mãe. Escolhi postar a história de uma dessas pessoas, a de Amelinha Teles –…

agua-escrita-com-agua #PlanetaÁgua
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Passeios pela água doce

A Terra é azul! exclamou o astronauta Yuri Gagarin ao avistar, do espaço, nosso planeta. Azul porque 3/4 do planeta são água. No entanto: menos de 3% de toda água da Terra é doce. Boa parte da água doce está em lugares de difícil acesso: calotas polares e subterrâneos. Adivinhou? A água doce é um tesouro! Fernanda Pompeu* 1 Água desperta, água sonhadora para: acariciar ajudar alimentar banhar batizar beber benzer brincar brindar brotar construir…

DSC_3718 (1) Beatriz Cannabrava
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A educadora Bia Cannabrava

Beatriz Cannabrava, a Bia, é uma das fundadoras da Rede Mulher de Educação e da Repem – Rede de Educação Popular entre Mulheres da América Latina e do Caribe. Durante a ditadura militar brasileira, ela e seu companheiro, o jornalista Paulo Cannabrava, viveram exilados no Peru, México, Cuba, Panamá. Fernanda Pompeu* Cantora, foi professora de música por muitos anos. Ao voltar ao Brasil, com a Anistia em 1979, aplicou sua prática didática e sensibilidade na…

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Tempos Brutos

Desde garotinho preferiu o não ao sim, a tentativa à certeza. Esse temperamento não correspondia às fantasias dos pais e professores. Fernanda Pompeu* Ele era uma ave rara no meio de um rebanho rotineiro. De avós a netos, todos haviam encarado a vida como uma biblioteca de tramas já escritas. Na qual bastava estender a mão, colher um volume e viajar para conflitos e resoluções alheios. Ranulfo pensava diferente. Acreditava que, para além de acompanhar…

Diversidade Meu nome é existir Fernanda Pompeu
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Diversidade: Meu nome é existir

Então chega a segunda-feira. No cafezinho, a colega conta que a viagem com o noivo foi 10, ruim mesmo só a fila no aeroporto. O chefe diz que passou o domingão no sofá, ele e a mulher botaram em dia a pipoca e os capítulos atrasados do Homeland. O estagiário, deixando a timidez de lado, confidencia que conheceu uma garota especial na balada. E o que o colega gay e a colega lésbica contam? Nada.…

Lucinha1 Fernanda Pompeu
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Lucinha e As caras da violência

Maria Lúcia da Silva, a Lucinha, não transita pelos movimentos feminista e negro em brancas nuvens. Muito ao contrário. Ela é o tipo de pessoa que faz e reflete. Reflete e faz. Psicoterapeuta, especialista em mediação e trabalhos em grupos, com recortes de raça e gênero. É uma das fundadoras do Instituto AMMA – Psique e Negritude, ONG que trabalha o racismo sob a lupa psicossocial. A ênfase deste trabalho são os efeitos psicossociais do…

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O príncipe menstruado

Três meninas. Denise, Fátima e eu. A tarde era de um domingo medíocre e acalorado. A brincadeira, proposta por Fátima, consistia em representar uma cena teatral: o momento em que o príncipe encantado beijava a bela adormecida, acordando-a de um sono enfeitiçado para uma vida fausta em promessas principescas de amor, filhos e paz. Fernanda Pompeu* A falta de cenário não incomodava, pois não havia público. Nos preocupamos apenas com o figurino. A madrasta jogou…

Janaína de Almeida Teles família Ditadura Nunca Mais
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“Esqueço não”, Janaína de Almeida Teles

Janaína de Almeida Teles, nascida em 1967, tem pedigree político. É filha de Amelinha e César Teles – dois ativistas pelos direitos humanos de longa viagem. Sobrinha da Criméia de Almeida, sobrevivente da Guerrilha do Araguaia. Irmã de Edson Teles, estudioso do período militar. Prima de João Carlos Grabois, o Joca, nascido na prisão. Historiadora e pesquisadora com livros publicados, Janaína dedica-se a procurar restos mortais dos desaparecidos políticos e a reconstituir possíveis últimos momentos…

Fernanda Pompeu1 Crônicas
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Desafinando o coro dos contentes

A frase do título é verso de Torquato Neto (1944-1972). Poeta que em sua brevíssima vida desafinou as mesmices do redigir. O cara experimentou para valer e pôs a alma para fora. Salve, menino Torquato! O craque da máquina de escrever. Fernanda Pompeu* Foi pensando no poeta e letrista piauense que me recordei do carioca Carlos Lamarca (1937-1971). Não que os dois (que eu saiba) tivessem afinidades ideológicas. De certo, o primeiro estaria mais para…

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Kafka: A barata faz 100 anos

Fernanda Pompeu* Uma das venturas – não são muitas – de envelhecer é a capacidade de reconhecer e agradecer o que muitas pessoas fizeram por nós. Júlio, meu avô postiço, judeu fugido da barbárie nazista, deu com o destino no Rio de Janeiro. Sua vida se tornou um esforço de adaptação à língua, à cultura, ao calor diabólico. Ao constatar que eu adorava ler me apresentou seu compatriota Franz Kafka (1883-1924), puxando da estante um…

RADIO Crônicas
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Sua excelência, o rádio

Fernanda Pompeu* Muito antes dos iPods e similares colados nos ouvidinhos, houve os rádios de tomada e depois de pilha. Pelo Brasil profundo eles ainda resistem, apesar do assombroso avanço dos smartphones. Mas bem mais interessante do que o aparelho em si, é viajar para atrás no relógio e encontrar a importância do rádio antes que a televisão roubasse as salas e as atenções. O rádio, nos anos 1940 / 1950, funcionou como uma espécie…

sapatao1 Fernanda Pompeu
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Rindo do quê?

Fernanda Pompeu* A morte se anuncia quando paramos de rir. Meu pai foi um sujeito de várias risadas. Ele tinha o humor da provocação. Quando tudo soava calmo ou careta demais, ele soltava uma frase ou fazia um gesto para bagunçar o coreto. Mesmo sem ter lido o poeta Torquato Neto (1944 -1972), papai fazia acontecer os versos: Vai bicho desafinar / o coro dos contentes. Só quando a doença se apossou é que seu…

Prêmio Rose Marie Muraro Crônicas
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Prêmio Rose Marie Muraro

Fernanda Pompeu* Clara Charf, Herilda Balduino de Sousa, Lenira Maria de Carvalho, Mireya Suárez, Moema Viezzer e Neuma Aguiar foram agraciadas com o Prêmio Rose Marie Muraro: Mulheres Feministas Históricas, destinado para ativistas com mais de 75 anos. A iniciativa vem da parceria entre a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Cada uma receberá 50 mil reais pelos serviços prestados em prol da cidadania…

Almino Alfonso Crônicas
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Brasil 40 graus

Fernanda Pompeu* O livro 1964 na visão do ministro do Trabalho de João Goulart, escrito por Almino Affonso, se parece com o filme Titanic. Todos que foram ao cinema sabiam do naufrágio final. Assim como os leitores do livro sabem que o golpe de 1964 afundou, por mais de duas décadas, a democracia brasileira. Então qual a graça em ver um filme ou ler um livro, se conhecemos o fim? Pelo encanto do roteiro que…

Nunca Mais Crônicas
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1964 + 50

Fernanda Pompeu* Histórias de pessoas de carne e osso – e também de personagens de papel – que, a partir de 1964, viveram na roda viva da ditadura militar. Episódios quinzenais toda quinta-feira. Quando vi meu pai morto, faz um ano, pensei para me consolar: ele teve uma vida imensa. Conheceu o fracasso, mas também o sucesso. Tentou, errou, tentou novamente. Foi homem capaz de uma consistente história de amor de vida inteira com a…

Getulio Vargas Crônicas
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Getúlio Vargas: Um tiro completa 60 anos

Fernanda Pompeu* Meu saudoso pai comprava flores no mercado municipal de Taubaté – Vale do Paraíba -, quando a florista esbaforida soltou a bomba: Acabei de ouvir no rádio que o velho se matou! O velho era Getúlio Dornelles Vargas, presidente do Brasil. O rádio, em 1954, era o principal veículo pelo qual os brasileiros ouviam músicas, programas humorísticos e notícias. TV era bem de ricos. O que se seguiu foi uma agitação gigantesca. O falecimento de um presidente…

profesor Crônicas
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O professor

Fernanda Pompeu*  Histórias de pessoas de carne e osso – e também de personagens de papel – que viveram na roda viva da ditadura militar. Não havia nenhuma chance de um mal-entendido quanto ao local e horário. No 31 de outubro de 1975, toda São Paulo estava sabendo que na Catedral da Sé, o católico Dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o pastor James Wrigth celebrariam uma missa em memória do jornalista…

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Duas filhas da ditadura

Fernanda Pompeu*   Histórias de pessoas de carne e osso – e também de personagens de papel – que viveram na roda viva da ditadura militar. Novos episódios toda quinta-feira. Já se vão quase trinta anos que minha amiga, num gesto tresloucado e para sempre inexplicável, atirou contra a própria cabeça interrompendo uma mente brilhante. Pois, com 20 anos, ela era rápida, criativa, ousada e, supreendentemente para sua idade, muito culta. Por que se matou? Essa…

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Caiam os reis!

Fernanda Pompeu* Leio que o rei da Espanha Juan Carlos abdicou do trono em favor do filho Felipe. Parece que o papa Bento XVI anda fazendo escola. O que é uma ideia otimista. Há momentos e circunstâncias em que o mais honesto a fazer é ir-se. Deixar carta, e-mail, vídeo, áudio com um libertador: Fui! Verdade também que Bento e Juan pularam fora um pouquinho antes da casa cair. Andavam severas às críticas ao Vaticano,…

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Contos da maladita

Fernanda Pompeu* Em 1975, eu estudava no Colégio Equipe. Para quem não ouviu nada sobre ele, conto aqui. Era um colégio particular com inspiração coletiva e fama de permitir que os alunos se expressassem. Isso numa época na qual a livre expressão podia virar questão de segurança nacional. Nos dias atuais, há garotas e garotos – e velhinhos também – que dizem várias besteiras acerca da ditadura militar. Repetem que a repressão só atingiu guerrilheiros,…

Maquina de escrever Crônicas
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Amantes de aço

Fernanda Pompeu* Gabriel García Márquez (1927-2014), autor do romance mágico Cem Anos de Solidão e de outras iguarias jornalísticas e literárias, declarou certa vez que para escrever necessitava ter uma flor amarela sobre a mesa. Até parece que o talento de Gabo precisava ser visitado pela inspiração, puro fetiche. Escritores são particularmente tocados por manias. Uma amiga minha, colombiana como Márquez, só escreve ao lado de uma vela acesa. Se o vento sorrateiro janela adentro…

geni-e-o-zepelim Crônicas
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Qual a sua Geni?

Fernanda Pompeu* Faz trinta e seis anos, Chico Buarque compôs uma canção cuja letra conta de uma mulher que já foi namorada “de tudo que é nego torto, do mangue e do cais do porto. A rainha dos detentos, das loucas, dos lazarentos, dos velhinhos sem saúde, das viúvas sem porvir.” A cidade toda, ao vê-la, canta em coro um refrão: “Joga pedra na Geni! Ela é feita para apanhar! Ela é boa de cuspir!…

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Tiros: sobre uma biografia de Getúlio Vargas

Fernanda Pompeu* Getúlio Vargas (1882-1954) gostava tanto do poder que ao saber de um golpe que o destituiria da presidência da República preferiu dar um tiro no peito. Deixou na sua carta-testamento a célebre frase: Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história. Foi o fim de um homem que passou, no total, dezoito anos no poder. Com a curiosidade de ter saído como ditador e…

scribus Fernanda Pompeu
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Fácil publicar, difícil ser lido

Fernanda Pompeu*  Um dos maravilhosos milagres da Nossa Senhora da Internet é possibilitar a expressão de uma multidão de escribas. Está fácil publicar e quase todo mundo está bordando palavras no Facebook, Twitter, blogs e congêneres.  A enorme vantagem de uma multidão de escribas é navegarmos na infinita leitura de pontos de vista, abordagens, narrativas. Veganos e carnívoros, devassos e evangélicos, anjos e demônios disputam olhos e atenção de leitores. Todos almejando aumentar o número…