Maria José Silveira

Caderno C
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É primavera, Madá!

Isso me fez lembrar um personagem de Jô Soares, Sebastien, “o último exilado” em Paris. Em um programa de televisão, já nos estertores da ditadura, ele ligava para sua mulher no Brasil, Madá querendo saber como estava o país.

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Do ódio ao inimigo

Quando temos um inimigo – e estamos em luta contra esse inimigo – suspendemos a crença de que nele há um ser também capaz de algo bom. Abstraímos suas características de ser humano como nós. Passamos a vê-lo como um ser achatado, sem família, sem sentimentos, sem uma vida que, para ele, certamente é tão preciosa quanto, para nós, a nossa. Sua única dimensão é o mau. Maria José Silveira* Na guerra, em uma revolução…

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Sonhei que eu era a Dilma

Maria José Silveira* Como em todo sonho, eu não reconheci bem onde estava. Era um quarto, o meu quarto no Palácio da Alvorada, mas era como se nunca estivesse estado lá. O que não tinha a menor importância; o que importava era decisão que eu havia tomado. O primeiro que fiz foi me vestir do jeito que gosto: calça preta confortável e blusa de manga comprida, seda branca e estampa vermelha. Mantive a maquilagem habitual,…

Brasil
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Pauliceia de mil dentes: novo livro de Maria José da Silveira marca os 10 anos de carreira da escritora

Autora de diversos romances, entre eles A Mãe da Mãe de sua Mãe e suas filhas, pelo qual recebeu o Prêmio Revelação APCA, em 2002, Maria José Silveira lança Pauliceia de mil dentes. Tensa e profunda, a obra descortina a diversidade e vitalidade que sustentam a capital paulista, com inúmeras personagens, seus diferentes tipos de vida e dramas que se esbarram no incessante movimento da megalópole. Uma invasão a um famoso escritório de advocacia dá…

Letras sobre a mesa Brasil
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Literatura tem sexo?

<<Maria José Silveira>> Minha resposta é «não, sim e não». O primeiro «não» tem a ver com o contexto em que essa pergunta aparentemente ingênua é colocada. Enquanto ela se referir, claramente, apenas à literatura feita por mulheres, porque a literatura feita por homens não exige adjetivo complementar e é considerada a Literatura original, aquela com L maiúsculo, minha resposta é «não». Enquanto, nessa hierarquia de poder e valor, a literatura feminina for a ponta…