A recente visita ao Equador do primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros de Cuba, Miguel Díaz-Canel, testemunha o bom momento que atravessam as relações entre ambos os países, no seu entender, “irmãos com um caminho por andar”.

Sinay Céspedes Moreno*

diaz-canel-ecuador2“Tudo o que estamos vivendo tem que ver também com reflexões históricas”, assegurou em entrevista nos últimos momentos de sua visita a Quito de onde partiu para Bolívia,

Nesse sentido, enfatizou a necessidade de reconhecer na Revolução Cidadã muitos elementos de cooperação e mencionou a posição do presidente Rafael Correa quando assegurou que uma Cúpula das Américas carecia de sentido sem Cuba e recusou participar dela sem a presença do governo cubano.

Também divulgaram outros exemplos da colaboração e a proximidade compartilhada como a ajuda que Equador propiciou quando o território de Cuba foi afetado pelo furacão Sandy, ou a defesa constante, na ONU, na luta cubana contra o bloqueio imposto por Estados Unidos há mais de cinco décadas.

Mencionou a seguir o apoio ao restabelecimento das relações diplomáticas entre Washington e La Habana e por um acordo migratório entre ambas as partes para uma mobilidade segura, lógica, racional e sem manipulação política.

Com relação a colaboração cubana, sobretudo em temas bilaterais, recordou os programas de saúde, educação e, especialmente, o “Yo sí Puedo”, para a alfabetização.

Para ilustrar os vínculos existentes, lembrou a recente visita a duas províncias cubanas do ex presidente Correa em sua última viagem oficial, quando teve uma calorosa e autêntica recepção.

“Só é possível assistir coisas como essas quando realmente há um sentimento que ultrapassa as relações de governo, de Estado, e que tem que ver como os povos se apropriam desse sentimento”, disse.

É uma relação de sentimentos revolucionários e também tem que ver com a maneira como os cubanos e equatorianos interagem, disse e especificou o encontro entre Correa e o presidente Raúl Castro.

“São abraços de irmãos, não simples saudações protocolares, nem tão somente um aperto de mãos, são sentimentos de povos que se querem, que se estimam, que se respeitam, e que juntos têm um caminho por andar”, asseverou.

Díaz-Canel também informou que durante os três dias em Quito, onde esteve para os atos de juramento do novo chefe de Estado, Lenín Moreno, expressou às autoridades o compromisso de Cuba com apoiar a continuidade da Revolução Cidadã iniciada por Correa.

A esse respeito lembrou como o líder equatoriano chegou a seu primeiro mandato com um país em desigualdade, desequilíbrio econômico e financeiro e falta de esperança, mas, batalhou e lhe devolveu a confiança ao povo.

Hoje, passados dez anos, há um acúmulo de conquistas e melhorias dos indicadores sociais, relacionados com a saúde e educação, diminuição dos índices de pobreza e da pobreza extrema.

Nesse percurso, foram duros os dois últimos anos, ocorre a queda dos preços de petróleo, um terremoto que provocou enormes prejuízos e, não obstante, aplicaram estratégias de recuperação diante dessas adversidades, acrescentou.

“Correa se retira com dignidade tremenda, entre elas um país totalmente diferente, reconhecido pelas autoridades, mas sobretudo pelo povo equatoriano”, disse.

Dedicou um momento especial a Venezuela, que sofre um programa de desestabilização, bem estruturado pelos círculos de poder e imperialistas, com seus aliados na área e pensa que esse é o ponto onde se decide a situação na região e onde está a trincheira fundamental.

Sobre isso, disse que a campanha sistemática de difamação, e o papel que desempenham as redes sociais e os meios de comunicação, semeia desconfiança, dúvidas, tergiversação e manipulação, parte de uma plataforma que demonstra a ingerência e a existência de um propósito de desestabilização.

Sobre esse tema disse: “Acreditamos que há que lutar pela integração e a maneira mais concreta é precisamente defendendo a Revolução Bolivariana. Venezuela hoje não necessita de ingerência nem de descrédito ou manipulação, necessita apoio, confiança e que o povo e a união cívico-militar definam a autodeterminação do país. Nisso há um compromisso e uma responsabilidade fundamental para toda América Latina e Caribe”.

A visita serviu não só para apoiar o novo governo do Equador mas também para reforçar os vínculos de amizade e fraternidade histórica que unem os povos e governos de Cuba e Equador.

*Prensa Latina, de Quito, Equador, especial para Diálogos do Sul