Serão 33 os chefes de Estado e de Governo que se reunirão em Lima em abril para a 8ª Cúpula das Américas. Entre eles, 12 constituem o que já estão chamando de Grupo de Lima, formado por iniciava do presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski (PPK), com já explicitado objetivo: apoiar a ofensiva ianque contra a Venezuela Bolivariana.

Por Gustavo Espinoza M.*

Esse grupo já se reuniu várias vezes e, em todas elas, em torno de uma agenda monotemática: atacar a administração de Caracas, atendendo os ditames da Casa Branca. As palavras de Donald Trump, estimulando essas iniciativas, se escuta forte desde que tomou posse. Aliás, despreza todos os países ao sul do Rio Bravo, como se fossem seres inferiores.

Trump, de fato, disse há pouco tempo que o Peru recebia “ajuda estadunidense”, e em troco enviava droga, ou seja, cocaína. Ocultou a verdade nua e crua de que os EUA são o maior consumidor de drogas no mundo e que, no contexto do livre mercado, os exportadores peruanos do setor encontraram seus melhores clientes.

Vale recordar que, em meados de 2016, quando ainda não tinham sido realizadas as eleições nos EUA, PPK, já ungido presidente, defendia a candidata Hillary Clinton, assegurando que a eleição de Trump acarretaria enormes perigos para a região. Há que admitir que nisso ele tinha razão.

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Esses perigos estão aí, crescendo. A diferença é que PPK a eles se somou. E concentraram contra a pátria de Bolívar, considerando-a como ponto de início para uma ofensiva generalizada sobre Nossa América em busca de petróleo, minérios e aquíferos, além da riquíssima biodiversidade.

É evidente que a política de Trump nada tem de pessoal. Pessoal é seu estilo. No demais, a essência responde aos interesses dos grandes monopólios, das corporações transnacionais, empenhadas em se apoderar do mundo para colocá-lo a seu serviço. Para elas, a guerra é apenas uma contingência do processo histórico, consubstancial à natureza humana. Caso gere morte e destruição, consideram apenas danos colaterais. O importante será sempre o lucro financeiro que ela provoca.

Trump esteve um tempo entretido com o Iraque e, em seguida, se meteu numa virulenta guerra verbal contra o governo de Pyongyang. Os próprios coreanos, do Norte e do Sul, deram-lhe um chega pra lá. Não querem mais continuar nessa guerra iniciada pelos EUA. Querem viver em paz, querem reconstruir a República da Coreia como um só país.

O Donald de nossos dias deixou esse cenário e foi buscar novos. O demônio da vez é Nicolás Maduro, que foi eleito de forma muito mais democrática do que o senhor Trumo. Mas a campanha contra encontra eco na imprensa e nos governos servis. Acusam a Maduro de tudo: ditador, mãos manchadas de sangue, assassino, ladrão, que mata seu povo de fome…

Impressionante como atuam em uníssono os redatores dos jornais, os apresentadores das televisões. O mesmo texto apenas muda o sotaque de um país para o outro. Ignoram as dificuldades inerentes a um processo de mudanças profundas que afeta desde as instituições do Estado até os modos de produção mais simples. Afeta principalmente as classes que vivem da exploração dos demais.

Há que ter um pouco de senso crítico para entender realmente como as coisas acontecem. O que a classe dominante diz hoje contra os que lideram processos de transformação do capitalismo e mais ainda contra os que conduzem processos libertadores é o mesmo que dizia a classe dominante contra Tupac Amaru, Tupac Katari, Tiradentes ou Zumbi dos Palmares. O mesmo que disseram contra San Martin e Simón Bolívar. O mesmo que disseram contra Sandino, Farabundo Marti, Fidel Castro e Che Guevara.

Eles se defendem atacando com mentiras, insultos, orientados apenas para encobrir a política criminosa e de rapina executada pelos exploradores em todo o continente. Disso, nós, latino-americanos, temos muita vivência.

Alguém de juízo perfeito poderia acreditar que os ex-presidentes Alan García, Fujimori ou PPK, ou ainda, Temer ou Macri são gente honrada? Alguém poderia afirmar que essa gente não têm as mãos manchadas de sangue?

As matemática utilizada pelos mandatários de alguns países é curiosa. Uma dúzia resolve decidir contra a vontade de 33. Pior ainda, no Conselho de Segurança da ONU, onde cinco decidem contra toda a humanidade. Para esses doze, Maduro, isto é, a Venezuela, não é bem-vinda à reunião de abril e querem que se aplique a cláusula “democrática” da OEA contra o país fundante da independência sul-americana.

Que democracia é essa, senhor PPK? É a do dólar? Seguramente festejaram e beijarão os pés do senhor Trump, convidado de honra dos vende-pátria.

É que esses doze não se importam com o que digam ou pensem os demais mandatários de Nossa América. Importa só o que eles querem, que é a vontade, ou a ordem que receberam durante a visita do ex-ministro de relações exteriores dos EUA, Rex Tillerson. Ele transmitiu a vontade de Trump e os doze áulicos aceitaram.

*Colaborador de Diálogos do Sul, de Lima, Peru