O plano imperial de incitar os setores mais fascistas da oposição venezuelana para converter as ruas de Caracas e outros pontos do país no que foi o início da grande invasão terrorista na Síria, continua a todo vapor.

Carlos Aznárez*

A demonstrator catches fire after the gas tank of a police motorbike exploded during clashes in a protest against Venezuelan President Nicolas Maduro, in Caracas on May 3, 2017.Venezuela's angry opposition rallied Wednesday vowing huge street protests against President Nicolas Maduro's plan to rewrite the constitution and accusing him of dodging elections to cling to power despite deadly unrest. / AFP PHOTO / JUAN BARRETO
A demonstrator catches fire after the gas tank of a police motorbike exploded during clashes in a protest against Venezuelan President Nicolas Maduro, in Caracas on May 3, 2017.Venezuela’s angry opposition rallied Wednesday vowing huge street protests against President Nicolas Maduro’s plan to rewrite the constitution and accusing him of dodging elections to cling to power despite deadly unrest. / AFP PHOTO / JUAN BARRETO

Dia-a-dia todas as iniciativas de guerra deflagrada contra a Venezuela Bolivariana (guerra econômica e a midiática como marca registrada da investida direitista) soma-se uma violência cega, desalmada, repulsiva, que parece ser a matriz que ameaça impor-se entre essa mescla de hordas juvenis de lumpen em que se converteu Voluntad Popular e outros grupos capitaneados por Leopoldo López e Capriles Radonski.

A terrível cena de um jovem manifestante queimado vivo, esfaqueado, golpeado com sanha. Inclusive depois que o fogo arrasara com suas roupas e seu corpo destruído em quase 80 por cento, não faltaram energúmenos que continuavam batendo nele impedindo que pudesse ser acudido. Isto não é oposição e muito menos pacífica como continua a afirmar o secretário da OEA, Luis Almagro e boa parte dos presidentes subservientes de Washington como Maurício Macri, Horácio Cartes e Pedro Pablo Kuschinsky na cabeça (Temer agora está mais preocupado com não ser preso por corrupto) senão que isto é claramente  a cara mais brutal do que sempre foi patrocinado pelo imperialismo em cada um dos territórios que tenta destruir para depois dele se apoderar. O Oriente Médio é a melhor matriz pra gente conhecer como eles atuam. Praticam fascismo puro, de um estilo muito parecido ao que o Isis está aplicando no Iraque, Líbia e Síria, onde uma atrocidade se impõe sobre outra.

É provável que esta escalada de violência prossiga já que a permanente entrada de paramilitares colombianos não se detém e tanto o presidente Juan Manuel Santos como Álvaro Uribe Vélez estão unidos na cruzada anti-chavista. Não é casualidade a involução ocorrida com o aval do governo e da justiça colombiana do processo de paz, tampouco assombram os conselhos dados a Santos por senadores republicanos e pelo próprio Donald Trump, que pretendem que a partir de Bogotá gerar as condições para uma eventual ofensiva final contra o governo de Nicolás Maduro. Tudo coincide com gerar um clima em que não se leve em conta nenhuma das propostas de diálogo realizada por Madura, inclusive a de uma Assembleia Constituinte, tanto reclamada em seu momento pela oposição. O que se quer, tal como na Síria contra Bashar Al Assad, é a derrubada, a humilhação e a posterior destruição de todos os avanços alcançados durante esses 18 anos de chavismo.

Diante dessa complexa situação, é assombroso e meritório comprovar como apesar de tudo o governo continua exercendo seu poder para manter as conquistas sociais, tocando as Missões em seus mais variados aspectos, desde Saúde até a Educação, terminando de construir um milhão 600 mil casas e entregando-as aos que mais necessitam. Os Comitês Locais de Abastecimentos e Produção (Clap) por sua vez, continuam gerando possibilidade para que os setores mais humildes tenham acesso a produtos alimentícios ou medicamentos que são negados pela especulação criminosa.

Toda essa governabilidade social e de características evolucionárias, tomando em conta como estão as coisas em outros países conquistados pelo neoliberalismo, constituem a razão fundamental do apoio contínuo que o chavismo dos de baixo continua dando a Maduro. Outro elemento que a oposição não conseguiu quebrar é a lealdade das Forças Armadas, e a conjunção desses dois blocos consolidam o bunker no qual se estatelaram todas as tentativas golpistas. É importante que os que governam não percam isto de vista, já que é precisamente dos bairros e enclaves militantes do chavismo que exigem que se enfrente a atual situação com mais radicalismo, não cedendo um ápice às provocações direitistas nem tampouco aos cantos de sereia social democratas que apostam num chavismo contrário ao que foi sempre impulsionado pelo seu gestor e comandante Hugo Chávez.

A solidariedade é fundamental

Tampouco se deve descartar que em algum momento desta ofensiva reacionário os que dirigem o plano operacional contra insurgente não se confirme com as manifestações violentas dos fascistas e decidam passar a uma etapa superior, invadindo o país através da Colômbia ou outra plataforma semelhante. E que tenham venham terceirizando a intervenção direta como fez a OTAN no Oriente Médio, a partir de equipar e encher de dólares as mochilas dos terroristas. Para isso, na versão caribenha desse plano intervencionista, tentariam apelar ao uso de paramilitares buscando a luz verde de Santos e de Uribe. Para esta etapa, muito mais que a resposta que possa ser dada pelo povo e exército chavista, torna-se imprescindível a solidariedade internacionalista em todas suas variantes.

Diante dessa possibilidade, os que se dizem bolivarianos, chavistas e antiimperialistas, em todo o continente, devem estar preparados para estar à altura das circunstâncias do que Venezuela requeira. Sobretudo sabendo o que tem sido e é a cooperação desinteressado o povo e o governo venezuelano, partindo às vezes em que a Revolução Bolivariana correu em apoio a outros povos que passavam por necessidades ou eram chantageados por não se submeter ao Império.

É por isso que, analisando autocriticamente os fatos ocorridos até o presente, deve-se priorizar, como fez o Movimento pela Alba, sobretudo o apoio ao processo encabeçado por Maduro, ao mesmo tempo multiplicar a presença nas ruas cada vez que se convoque para apoiar a Venezuela e repudiar os fascista que a atacam. É indispensável também denunciar o que lá está a ocorrer, desmentir com informação verdadeira o que os meios hegemônicos de cada país se encarrega de tergiversar, e por último, estar em permanente alerta para evitar que essa guerra imperialista confunda e aliene os que se dizem de esquerda e terminam derrapando pela direita na hora de falar sobre Venezuela. Ninguém, absolutamente ninguém que se considere do campo popular pode ignorar que se cair o governo chavista a onda de terror revanchista não só golperá o povo venezuelano como poderá se estender a todos os países em que o Império tem discípulos e tece cumplicidades com Estados Unidos.

O destino da Pátria Grande está em jogo nesse confronto entre os que apostam na defesa da democracia participativa revolucionária e aqueles que através do terror tratam de implantar o fascismo e entregar o país às corporações transnacionais. A esquerda mundial, de todos os matizes, não pode falhar ao povo bolivariano e suas ânsias por paz.

*Original de Resumen Latinoamericano