Na situação de crise e de violenta precarização do trabalho, torna-se comum uma pessoa deixar de pagar a prestação de um imóvel e querer devolvê-lo por absoluta falta de condições financeiras. É de supor-se, também, que essa pessoa esteja sob profundo estresse. Humano est: é humano.

Pois bem. O que está acontecendo é que o “famigerado mercado” mudou as regras, afetando gravemente os inadimplentes, sem a menor consideração. Em consideração às incorporadoras, construtoras e imobiliárias, e não ao consumidor, a Câmara dos Deputados (ué, não é a casa do povo?), aprovou, no dia 6 de junho, multa de 50% do valor já quitado para o comprador que quiser devolver o imóvel.

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O castigo já era grande antes disso, com multas que giram em torno de 10% a 25%. A maioria dos casos é de casais jovens querendo materializar o sonho da casa própria e de repente vê seu salario achatado em relação à inflação, ou simplesmente foi despedido. São 12 milhões de despedidos hoje no país, e, quais as chances de conseguir emprego?

Por que isso acontece?

Por uma razão muito simples. Eles são os donos da bola e estão no poder. E quem os colocou no poder? Boa pergunta nessa conjuntura pré-eleitoral.

Os donos do mercado imobiliário, ou seus serviçais, estão lá porque foram eleitos. Quem mandou votarem neles?

Muitos deles (70%) agora são candidatos à reeleição, e outro tanto representando a minoria milionária também estarão disputando o seu voto.

É o voto desqualificado, também conhecido como voto de cabresto, que está perpetuando o sistema. Sistema que é democrático só para os mais ricos e poderosos e exclui tanto a classe média como os já excluídos da periferia.

Essa é a questão. Quer mudanças sem rupturas? Vote em quem você tenha a certeza de que representará seus interesses.