Este documentário do cineasta brasileiro Sílvio Tendler, discute os problemas da globalização sob a perspectiva das periferias (seja o terceiro mundo, seja comunidades carentes). O filme é conduzido por uma entrevista com o geógrafo e intelectual baiano Milton Santos (1926–2001), gravada quatro meses antes de sua morte.

Milton Santos não era contra a globalização e sim contra o modelo de globalização vigente no mundo, que ele chamava globalitarismo. Analisando as contradições e os paradoxos deste modelo econômico e cultural, Milton Santos enxergou a possibilidade de construção de uma outra realidade, que ele considerava “mais justa e mais humana”.

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O cineasta conheceu Milton Santos em 1995, e desde então tinha planos para filmar o geógrafo. Os anos foram passando e, somente em 2001, Silvio Tendler realizou o que seria a última entrevista de Milton (que viria a morrer cinco meses depois). Baseado nesse primeiro ponto de partida o documentário procura explicar, ou até mesmo elucidar, essa tal Globalização da qual tanto ouvimos falar.

O documentário percorre algumas trilhas desses caminhos apontados por Milton Santos, vemos movimentos na Bolívia, na França, México e chegamos ao Brasil, na periferia de Brasília. Em Ceilândia, a câmera nos mostra pessoas dispostas a mudar as manchetes dos jornais que só falam da comunidade para retratar a violência local. Adirley Queiroz, ex-jogador de futebol, hoje cineasta, estudou os textos de Milton Santos e procura novos caminhos para fugir do ‘sistema’ ou do Globaritarismo — termo criado por Milton Santos para designar a nova ordem mundial.

Crítica Canal IBASE

Como se dá a globalização? No documentário “Encontro com Milton Santos – O mundo global visto do lado de cá”, o fenômeno da globalização é analisado em todas as suas nuances, inclusive apresentando três vertentes da globalização ao redor do mundo: a globalização como é posta, a globalização da perversidade e o mundo por uma outra globalização.

O filme é certeiro ao mostrar situações que poderiam passar despercebidas como grandes sucessos da globalização e de fato mostram a realidade de uma sociedade fragmentada. Entre exemplos de privatizações de recursos naturais e corporações tão grandes quanto os níveis de miséria e desemprego, percebe-se a existência de uma sociedade baseada no modelo capitalista “selvagem”, onde as ações predatórias são justificadas ao se dar privilégios para uma minoria dominante. O mundo se divide em dois grupos: “o grupo dos que não comem e o grupo dos que não dormem com receio do grupo dos que não comem.” (José de Castro).

A mídia não escapa das críticas. Para Milton Santos, a mídia tem o grande poder de controlar a interpretação do que acontece no mundo e, por isso, se torna uma intermediária da globalização. Vejam o fenômeno “Avenida Brasil”: o subúrbio carioca retratado pela classe média-alta. Mas nesse ponto podemos dizer também que a maioria não-privilegiada teve sua revanche ao chamar atenção como movimento e mostrar que tem o poder de transformar a ordem imposta.

 

 Brasil
2006 •  cor •  89 min 
Direção Sílvio Tendler
Elenco Milton Santos
Boubacar Boris Diop
Carlos Pronzato
Ailton Krenak
Adetokunbo Borishade
Adirley Queiroz
Eduardo Galeano
Aline Sasahara
José Saramago
Joseph Stiglitz
Celso Amorim
Gênero documentário
Idioma português
inglês