Neste primeiro aniversário do desaparecimento físico do comandante em chefe da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz, parece ser relevante recordar sua defesa da necessidade da integração latino-americana-caribenha, muitas décadas antes de que concretizassem organismos como a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).

Arantxa Tirado*

Fidel Castro integracionistaA integração dos países da América Latina e Caribe era –e continua sendo- um objetivo fundamental para uma região que constitui uma área geopolítica de vital importância para os diferentes impérios que se sucederam no domínio mundial e regional. Nessa visão estratégica Fidel coincidia com os grandes líderes latino-americanos e caribenhos que o precederam, tanto nos tempos da Independência como posteriormente. Fidel foi continuador de uma linha histórica emancipadora que entendia a integração como escudo de defesa coletiva de Nossa América. Esse pensamento se tornou evidente muito cedo, tanto nos discursos do comandante em chefe, como no desenho da projeção exterior da Revolução Cubana.

Em 5 de maio de 1959 Fidel Castro declarava em Montevidéu: “A América nossa tem um papel próprio, a América nossa, com suas características espirituais, com suas característica materiais, com a idiossincrasia de nossos povos, com o caráter de nossos povos, ,ó pode seguir um caminho inteiramente próprio. Difícil será a tarefa de encontrar o caminho próprio em meio das opiniões as mais dissimilares, em médio às ideias mais contrapostas. Porém há algo que pode dignificar esse caminho por cima de todas as disparidades de critério, e é que os latino-americanos busquemos aquelas coisas que são comuns a todos, busquemos aquelas aspirações que são comuns a todos, busquemos aqueles interesses que são comuns a todos e, na busca desse anseio, unamos a todos os setores de cada nação e a todas as nações da América Latina para alcançar nosso objetivo. Divididos entre si nada conseguiremos jamais”(1).

Talvez a melhor maneira de honrar o legado político de Fidel Castro para os povos de América Latina e Caribe seja recordar essas palavras e a prática da Revolução Cubana com vistas à integração, não como um mero enunciado, mas como um propósito de ação política prioritária para alcançar nossa autêntica soberania.

 

*Original de La Jiribilla, direitos reservados.