O Foro de São Paulo encarna simbolicamente a importância de voltar ao farol moral que é a Revolução Cubana e uma oportunidade para consolidar a unidade da esquerda latino-americana, disse a ativista colombo-venezuelana María Barreto.

Livia Rodríguez Delis*

Esta reunião, que será realizada de 15 a 17 de julho em Havana, encontra em Cuba um contexto ideal em um momento histórico tão difícil para a América Latina, “quando a injustiça e a guerra querem condenar o mundo à violência e ao pragmatismo”, afirmou Barreto em entrevista concedida por e-mail à Prensa Latina.

A integrante da Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade (REDH) opinou que a nação caribenha, “em meio a mudanças, mantém sua resistência aos embates do império capitalista e erguidas as bandeiras da justiça social e da paz que conquistou com a força da luta”.

Acrescentou que o Foro realiza sua edição 24 em meio a uma arremetida da direita contra os governos progressistas, pelo que a viabilidade de suas resoluções definirá suas contribuições à esquerda, considerou.

“Será vital que emerjam resoluções eficazes de apoio à Venezuela e à Nicarágua, pois ambas nações enfrentam uma guerra de baixa intensidade com grande perigo para as forças progressistas do mundo”, acrescentou.

Como essencial, estimou a defesa das saídas políticas negociadas ao conflito social e armado na Colômbia, e do respeito aos acordos assinados em Havana entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o governo do presidente Juan Manuel Santos.

Barreto cunhou a importância de uma posição mais forte para apoiar a continuação “sem mais exigências” da mesa de diálogo com o Exército de Libertação Nacional (ELN) e também pelo respeito aos direitos humanos dos líderes sociais.

Esses ativistas, argumentou, são submetidos a processos judiciais fraudulentos e tendenciosos e em maior medida são vítimas fatais de um Estado paramilitarizado; situação, segundo Barreto, com tendência a piorar com o retorno do uribismo ao poder, com a vitória de Iván Duque, na Colômbia.

Confira o bate-papo sobre a vitória de Iván Duque:

A integrante da REDH considerou imprescindível cerrar fileiras diante do ingresso da Colômbia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)como sócio global e o aumento das bases militares dos Estados Unidos na região.

“Esse será o ponto de ruptura para um continente que tem se autodefinido como território de paz”, disse.

Ressaltou ainda que “com o relançamento da doutrina Monroe no continente, a esquerda deve trabalhar pelo fortalecimento da unidade do povo organizado, seus partidos e organizações em vias de consolidar um poder popular capaz de gerar e defender seus próprios projetos históricos”.

Finalmente, enfatizou a urgência de frear o ingerencismo e a espoliação sistemática “de nossas riquezas por parte dos países do norte e suas corporações”, assim como impedir as pretensões de Washington de posicionar governos frustrados e subordinados a seus interesses através de uma guerra infinita com o uso da Otan e grupos terroristas.

*Prensa Latina, de Havana, especial para Diálogos do Sul – direitos reservados.