Expatriada, em 1969. em Israel pela ditadura militar no Brasil, Guila Flint era colaboradora do Opera Mundi em Israel e cobria assuntos do Oriente Médio, principalmente sobre o conflito israelense-palestino, há mais de 20 anos.

Jornalista brasileira Guila Flint morreu na madrugada deste domingo (26/03)

A jornalista brasileira Guila Flint, expatriada em Israel em 1969, morreu na madrugada neste domingo (26/03), às 2h, em consequência de uma doença. O enterro ocorreu às 10h, segundo informações do Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo, onde foi sepultada. Guila Flint, que aos 14 anos foi viver em Israel por medo da família de que ela sofresse com a ditadura militar, descobriu uma doença no ano passado, e decidiu voltar ao Brasil.

Autora dos livros “Miragem de Paz” e “Israel Terra em Transe – democracia ou teocracia?”, da editora Civilização Brasileira, Guila Flint cobria o Oriente Médio para a imprensa brasileira há 20 anos, tendo colaborado com Opera Mundi em diversas matérias e reportagens desde 2010, além de atuar como correspondente da BBC Brasil, rádio CBN, Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo e o Correio Braziliense durante sua carreira.

Guila Flint, apesar de ser judia e cobrir um tema tão difícil, sempre teve a habilidade e o profissionalismo de se manter absolutamente isenta e correta em relação ao tema que ela estava cobrindo, nunca esquecendo de localizar muito bem em diversos momentos quem era o oprimido e o opressor, com um senso de justiça muito aguçado”, afirmou Marina Terra, ex-editora-chefe de Opera Mundi. “Cada conversa com ela era muito enriquecedora, existia muito carinho e reconhecimento, não só como profissionais, mas como seres humanos. Sentimos muito a sua partida”, acrescentou.

Marina ainda lembrou que, como colaboradora do site, Guila Flint teve a oportunidade de explorar temas que não aparecem na grande imprensa, “justamente por essa característica de Opera Mundi de dar voz ao que não é da mídia tradicional”, como o texto em que conta, em primeira pessoa, sua trajetória desde a militância no Colégio de Aplicação, em São Paulo, à expatriação em Israel, após a instauração da ditadura militar no Brasil.

Breno Altman, jornalista fundador do site Opera Mundi, também lamentou a morte de Guila Flint, destacando sua competência e profissionalismo em temas relacionados ao Oriente Médio. “Mulher corajosa e estudiosa, profundamente crítica ao Estado de Israel, onde vivia desde os anos 60, são de sua autoria algumas das reportagens e livros mais esclarecedores sobre a transformação do sionismo em uma doutrina colonialista e antidemocrática”, escreveu.

Caio Quero, editor-chefe da BBC Brasil, veículo de comunicação com que Guila Flint colaborava, afirmou que a jornalista descobriu uma doença no último ano e decidiu voltar ao Brasil. “Viveu intensamente os últimos meses ao lado de novos e antigos amigos. Tratava-se no SUS e nunca deixava de lembrar o orgulho que tinha de termos um sistema de saúde universal que, apesar dos problemas, está aberto a todos os brasileiros. Guila Flint morreu brigando por suas convicções. Mesmo no hospital, lia, escrevia, discutia, ensinava e aprendia. Tudo, sempre, intensamente“, escreveu Quero no Facebook, lamentando a morte da jornalista.

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