“Temos que ser a vanguarda e a retaguarda, temos que buscar e construir uma utopia, radicalizar a democracia para construir uma sociedade socialista”.

Convergência de Comunicação dos Movimentos Sociais*

panel417nov172Representantes de diversos movimentos sociais da América Latina e Caribe se encontraram na mesa Integração dos Povos nas Jornadas Continentais pela Democracia e contra o Neoliberalismo, em 17 de novembro em Montevidéu, onde se evidenciou um contexto sobre como hoje os povos continuam resistindo diante das práticas capitalistas que tratam de desvincular as lutas coletivas no continente

A mesa moderada por Alejandra Laprea, de la Arena Feminista, MMM-Venezuela e Ricardo Pedro da CTA Argentina, apresentaram elementos centrais sobre a situação atual da integração e os desafios a enfrentar num contexto de organização neoliberal e enfraquecimento das democracias progressistas.

Para Fernando Gambera, da PIT-CNT Uruguai, uma das chaves da emancipação dos povos é a capacidade de integração que tenham os movimentos sociais e nesse sentido, abordou a experiência do MERCOSUL, instância que se bem nasceu “como uma ideia de governos nefastos da América Latina, os movimentos sociais tomaram a ideia de criar nessa integração, o que ganhou força e chegou a criar certas institucionalidades como o Foro Consultivo Econômico MERCOSUL em que participava o terceiro setor e os empresários”. Além disso, foram criadas diversas instâncias para discutir temas do trabalho com os sindicatos, experiências relevantes para o momento.

Não obstante, a integração tem se fundado fundamentalmente em experiências de unidade dos movimentos sociais que tampouco estiveram isentos de retrocessos. É o que mostrou Llanisca Lugo (Cuba) representante da Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo que esclareceu que desde há algumas décadas o capitalismo fraturou essa possibilidade de integração dos povos através de tratados de livre comércio, dos discursos nacionalistas reproduzidos pelos meios de comunicação que estão em mãos das classes dominantes e das religiões que avançam massivamente nos países americanos, assim como o paradigma da individualidade, que também se expressa na esquerda”. Não obstante, assevera, são diversas as experiências  bem sucedidas, e uma delas foi o triunfo contra a Alca, em que os povos demonstraram sua capacidade de ação quando se unem e organizam”.

Porém, apesar de que os povos latinos conseguiram derrotar a Alca, hoje o capitalismo continua gerando suas nefastas consequências contra os povos americanos através de uma de suas maiores expressões como é a mudança climática, que só este anos, com três furacões, devastou cidades e povos caribenhos que ainda não conseguiram se recuperar.

Mario Molina, da OSPAAAL, Capítulo Cubano Alba Movimentos, enfatizou que os povos do Caribe “temos que estar conectados porque sentimos o impacto de nossas alianças, que hoje estão servindo para recompor nossas cidades depois dos desastres naturais”

Molina também informou que atualmente se está coordenando a formação de um espaço de comunicação para a região para continuar avançando na integração continental, um dos maiores desafios dos países caribenhos.

Sem dúvida, no contexto político atual americano, em que as direitas avançam e o golpe praticada por Temer no Brasil serviu de alerta para os movimentos sobre a precaridade das democracias latinas e a necessidade de fortalecer a unidade e a solidariedade entre os povos. O dr. Rosinha, ex alto representante geral do MERCOSUL, do Brasil, esclareceu que no Brasil “ainda está em andamento um golpe que foi preparado em laboratório e que permitiu o avanço dos interesses estadunidenses”. “O golpe assim como a eleição de Macri na Argentina obriga a olhar a integração dos povos como uma urgência e levar em conta a imposição imperialista latente”.

Rosinha enfatizou que o capitalismo financeiro neoliberal que convencer as pessoas de que não há alternativas nem outros caminhos, num afã de gerar uma resignação diante da concentração da riqueza e que diante desse desafio o principal é a organização popular. “Temos que ser a vanguarda e a retaguarda, temos que buscar e construir uma utopia, radicalizar a democracia para construir uma sociedade socialista com os diversos exemplos que hoje temos e que a história nos demonstrou. Devemos enfrentar o modelo com organização popular, reunir a todos os que têm bandeiras próprias mas com problemas comuns: a ecologia, a questão de gênero e feminismo, o racismo e a homofobia”, concluiu.

 

Convergência de Comunicação dos Movimentos Sociais*