costaOs Estados Unidos mantêm a maior força bélica jamais vista na história da humanidade. Forças terrestres, aéreas, navais, porta-aviões, bases militares, mísseis, foguetes, energia atômica e nuclear espalhadas pelo mundo. Para que serve tudo isso? A melhor pergunta é: quanto custa e como sustentar tudo isso?

Paulo Cannabrava Filho*

Paulo Cannabrava FilhoEles são hoje o país capitalista que abriga o maior número de pobres, que tem o maior déficit orçamentário e a maior dívida externa. Você verá neste texto que, como o general Napoleão Bonaparte foi derrotado pelo “general inverno”, os generais estadunidenses certamente serão derrotados pelo “general dinheiro”.

 

Um pouco de história

 

Os Estados Unidos da América do Norte surgiram e se desenvolveram sob a égide do expansionismo. Quem conhece um pouco de história das Américas lembrará que as doze colônias inglesas ocupavam uma pequena faixa de terra na costa leste.

Assista o programa 20 minutos história desta semana, do nosso parceiro Opera Mundi, que fala sobre esse tema:

Conquistada a independência sob o signo da superioridade racial e na crença de ser o povo escolhido, cometeram um dos maiores genocídios e ecocídios da história da humanidade, exterminando a população originária e a fauna, com ênfase nos búfalos (leia-se bisontes).

A partir da entrada dos Estados Unidos na 2a Guerra, cinco anos depois de iniciada, os demais Estados beligerantes estavam praticamente destruídos e com o melhor de suas populações (juventude, intelectuais, militantes) morta. Foram 40 milhões de mortos (há quem diga que foram 80 milhões). Outro fato é que o Exército Vermelho foi quem hasteou a bandeira no Reichstag, o palácio de governo de Hitler. Mas pagou um alto preço por essa vitória. Essa que é a “guerra mãe” de todos os russos, custou 20 milhões de mortos.

Tal como César e Napoleão, o que Hitler e seus seguidores pretendiam, era impor a hegemonia da Alemanha nazista sobre os países que contornam o Mediterrâneo e, a partir dali, marchar para o Leste. Com a derrota da Alemanha, os Estados Unidos ocuparam seu lugar econômica e militarmente e passaram a impor sua hegemonia na Europa ocupada, e a avançar para o Oriente.

A Guerra terminou faz tempo, há mais de 70 anos, contudo, os Estados Unidos mantêm 400 bases militares (há quem diga que são mais) e seis frotas navais espalhadas pelo mundo. Ademais de uma verdadeira ocupação militar desses países da Europa e do Oriente Médio.

A paz firmada em Ialta foi também um redesenho do mapa euroasiático, criando fronteiras irreais que dividiu povos. A criação da ONU, e principalmente da OTAN, nada mais foi que consolidação da hegemonia estadunidense. Onde aportou um soldado ianque instalou-se também uma fábrica da Coca-Cola.

Vejam que na área da economia e do comércio internacional, todos os organismos criados, longe de servirem à comunidade internacional, estão servindo aos interesses do capitalismo mundial sob a hegemonia estadunidense que, através deles, impõe suas leis a outros países. Assim também os organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. No âmbito das Américas, a Organização dos Estados Americanos (OEA), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e principalmente a Junta Interamericana de Defesa (JID) têm servido unicamente aos interesses dos Estados Unidos.

A mesma coisa com a Organização Mundial do Comércio (OMC) e os acordos regionais que também impõem as leis dos Estados Unidos aos países associados. Verdadeiras violações das soberanias, imposição tipicamente colonialista. E os países estão se deixando (re) colonizar.

Já foram criados outros fóruns multinacionais regionais e mundiais como alternativa àqueles que servem ao neocolonialismo. No entanto, não se pode dizer que tenha havido grandes avanços na Nossa América. Isso para não magoar. O fato concreto é que estamos em pleno retrocesso. Contudo, no longo prazo, com a decadência do Império, alternativas como o MERCOSUL ou a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) e, principalmente, os BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e assemelhados conglomerados de países emergentes terão sobrepujado o Império e estarão vivendo em paz.

O general Omar Torrijos, líder da luta de libertação do Panamá contra o enclave colonial dos Estados Unidos, -meu saudoso amigo costumava dizer para que o povo não perdesse as esperanças: “Não há colonialismo que dure 100 anos, nem um povo que o aguente”. No Panamá, os Estados Unidos retiraram suas tropas exatamente 100 anos depois do desembarque.

 

O advento de Trump está pondo em evidência essas contradições

 

Durante um tempo, os Estados Unidos encheram o Norte do México de maquilas que, com mil peças produzidas em dezenas de países, montam produtos de consumo. Logo, ficou mais barato produzir no Sudeste Asiático e até mesmo em navios; então abandonaram o México.

Os mexicanos ficaram a ver navios, o maior desemprego de sua história. O México aceitou ser sócio do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), ficou sem a produção agrícola familiar, sem maquilas, prisioneiro de dívidas, e o tráfico transformou o país num inferno de violência. Agora Trump quer separar os dois países com um muro e já mandou 4 mil soldados para a fronteira. Prestem atenção no México, pois há muita semelhança com o Brasil.

Os grandes conglomerados empresariais, cada dia maiores, acompanhando o ritmo da concentração da riqueza, estão cada dia em menos mãos e as corporações bancárias sediaram suas matrizes em paraísos fiscais para pagar menos impostos e escapar das legislações dos países por onde estendem seus tentáculos.

E é assim, com a globalização, a concentração, a financeirização e o grande cassino da especulação mundial, que está sendo mudada a geopolítica do mundo.

 

É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar

 

O desmantelamento da União Soviética foi, em parte, consequência desse processo. Caíram no canto de sereia e deixaram as portas abertas para a penetração do capital financeiro. Quebraram a Rússia impondo a financeirização através dos bancos associados às máfias.

Não satisfeitos com isso, os Estados Unidos construíram centenas de bases militares constituindo um verdadeiro cerco militar em torno da Rússia, uma ameaça também à China. Historicamente, sempre tiveram pretextos para impor sanções políticas e econômicas com objetivo de frear o desenvolvimento, além de ações desestabilizadoras contra a Rússia. Obama foi quem mais construiu bases na região e fustigou a Rússia.

O grande feito de Vladimir Putin foi libertar o país da ditadura do capital financeiro, expurgar a máfia e voltar a controlar os centros de decisão. Conseguiu também reavivar o poderio militar modernizando principalmente a área de mísseis (indetectáveis), tecnologia e armas nucleares. O povo russo, com a autoestima restabelecida, reconhece e agradece.

O mundo também agradece. Um mundo que já não era bipolar, em que os Estados Unidos avançavam com intenção de reinar solitariamente, já está se tornando pentagonal, com China, Rússia, Japão, União Europeia e os países com grande potencial de desenvolvimento como a Índia, África do Sul e Brasil. Os BRICS são fundamentais nessa imposição de uma nova ordem num rearranjo geopolítico global, tendo a China como principal protagonista.

 

Esse mundo pentagonal está reagindo ao Império

 

Desde os tempos coloniais, a imposição das hegemonias tem sido feita pelo controle da economia e das finanças e, quando necessário, pelas armas. O imperialismo de hoje segue as mesmas regras. A primeira coisa no campo econômico é a oferta de crédito pelos bancos com o devido atrelamento dos países através da dívida.

Em seguida vem a financeirização da economia. Aí sim, já implantaram o pensamento único e a ditadura do capital financeiro. Se não conseguem através desse método, tratam de desestabilizar o país. É a tática da implantação do caos. Se também não der certo, invadem. Foi o que fizeram no Iraque, na Líbia, no Afeganistão, e estão fazendo agora na Síria.

Putin, um homem da Inteligência, estando no poder na Rússia, percebeu a trama e cortou pela raiz a financeirização, em que através dos bancos controlam toda a economia dos países, como acontece hoje no Brasil. Agiu como um estadista. Talvez por isso mesmo a imprensa ocidental o desqualifique.

A Rússia e a China são os países cuja economia está funcionando fora do cassino global. Em outras palavras, são países em que a soberania é levada a sério e planejam seu desenvolvimento de acordo com seus interesses e também as características regionais. Afinal, Rússia, China e Índia constituem quase que por inteiro continente asiático e mais de um terço da população do planeta.

Não há futuro para a Europa se não com sua integração com a Ásia. A Eurásia não é ficção. É só olhar no mapa. Disso já sabiam Gengis Khan e Tamerlão, Alexandre e Carlos Magno. Disso já sabia a coroa britânica em cujo império o sol não se punha. Essa situação geopolítica é que levou Hitler a aventurar-se a estender seu território até o mar do Japão. Antes de Hitler, também Napoleão, ambos derrotados pelo “general inverno”.

 

Qual general derrotará o novo Império?

 

Terminada a 2a Guerra, os Estados Unidos saíram demasiadamente fortalecidos, enquanto os países da Europa e Ásia muito debilitados. Diante disso, os dirigentes estadunidenses passaram a se acreditar maiores que todos os césares e trataram de impor sua hegemonia sobre todo o mundo. Não por nada o anti-imperialismo de todos os povos passou a ter como foco os Estados Unidos.

A revista de negócios Forbes, do Brasil, informava que “depois da China (2,2 milhões) e da Índia (1,4 milhões), os Estados Unidos possuem o maior número de tropas militares ativas ao redor do mundo, totalizando 1,3 milhão de pessoas. O que diferencia os Estados Unidos das demais nações, diz a revista, é a presença militar global sem paralelos. No início deste ano (2017), foi divulgado que as forças de operações especiais estadunidenses foram instaladas em 138 países em 2016 – cerca de 70% do mundo”.

Segundo o Defense Manpower Data Center, o Exército, Marinha, Força Aérea e Guarda-Costeira dos Estados Unidos possuem 200 mil efetivos ativos em pelo menos 170 países. “São 156 países com tropas em todo o planeta, 63 países com bases militares e tropas, sete países com 13 novas Bases desde 2001. Um total de quase 400 mil soldados espalhados pelo mundo”.

Além disso, a Marinha de Guerra dos Estados Unidos possui seis frotas, numeradas de 2a a 7a, cada uma equivalente em força bélica a mais que o conjunto dos países da América Latina. No total, os Estados Unidos possuem 19 porta-aviões e deverão chegar a 23 até 2024.

Exemplo é a 4a Frota, vinculada ao Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos, o USSOUTHCOM, que até o final da década de 1970 estava em um enclave colonial na República do Panamá e agora está em Miami, Flórida.  

A 4a Frota, quando sediada em Porto Rico, deixou trauma profundo nos brasileiros, pois se moveu em direção ao Rio de Janeiro e São Paulo para apoiar o golpe militar que depôs o governo de João Goulart. Como não houve resistência, também não houve invasão e voltou ao porto de origem, na base de Vieques.

Em 2008, foi reativada o que voltou a preocupar os latino-americanos, pois constitui ameaça real. Sabem disso os países que já sofreram invasões dos fuzileiros navais ianques. Segundo artigo publicado no Brasil 247, essa frota compreende “22 embarcações: treze fragatas com mísseis, 4 cruzadores com mísseis, quatro destróieres com mísseis e um navio hospital. Além do poderio bélico, a esquadra traz uma arma potente contra as democracias populares do Cone Sul das Américas, poderoso aparato cibernético, capaz de realizar escutas telefônicas em solo e crackear computadores”.

É a própria “L’armata Brancaleone”: o Exército de Brancaleone de Mario Monicelli. Diante de toda essa parafernália bélica, à qual não mencionamos o poder da Força Aérea nem o retorno aos esforços para a Guerra nas Estrelas e a corrida espacial pela NASA. Diante dessa força descomunal, as perguntas que se suscitam são:

Pra que serve? Quanto custa? Até quando? Vai arrastar o mundo para uma guerra global? Como nos afetará essa guerra?

Essa vontade de guerra deve ser uma doença. Haverá cura? Há condições para a humanidade impor a paz? A paz romana?

Pelo visto, só haverá paz com a débâcle do Império.

 

Ué, não acabou a guerra fria?

 

Pelo que se vê, não acabou nem a fria nem a quente.

A Europa continua ocupada militarmente e recentemente, (com Obama) cercaram a Rússia com bases militares no Uzbequistão, Tadjiquistão Quirguistão, Afeganistão e Paquistão; bases no Golfo Pérsico e no Oriente Médio e mais recentemente nos países balcânicos, e no Oriente do Mediterrâneo. Israel não passa de uma base militar avançada institucionalizada como Estado no Oriente do Mediterrâneo.

Depois da 2a Guerra Mundial, os Estados Unidos não retiraram até hoje suas tropas da Europa, ao contrário, permanecem e ampliam a presença militar na Alemanha, Itália, Espanha, Grécia, Portugal, em todos os países nórdicos, e até mesmo se expandiram para a Europa do Leste, acompanhando a modificação das fronteiras. Veja abaixo a lista completa das bases europeias:

  • Bases localizadas na Grã-Bretanha
  • Menwith Hill Air Base
  • Mildenhall Air Base
  • Alcon Bury Air Base
  • Croughton Air Base
  • Fairford Air Base
  • Bases localizadas na Alemanha
  • USAG Hohenfels
  • USAG Wiesbaden
  • USAG Hessen
  • USAG Schweinfurt
  • USAG Bamberg
  • USAG Grafenwoehr
  • USAG Ansbach
  • USAG Darmstadt
  • USAG Heidelberg
  • USAG Stuttgart
  • USAG Kaiserslautern
  • USAG Baumholder
  • Spangdahlem Air Base
  • Ramstein Air Base
  • Panzer Kaserne (marine base)
  • Bases localizadas na Bélgica
  • USAG Benelux
  • USAG Brussels
  • Bases localizadas na Holanda
  • USAG Schinnen
  • Joint Force Command
  • Bases localizadas na Itália
  • Aviano Air Base
  • Caserma Ederle
  • Camp Darby
  • NSA La Maddalena
  • NSA Gaeta
  • NSA Naples
  • NSA Sigonella
  • Bases localizadas na Sérvia/Kosovo
  • Camp Bondsteel
  • Bases localizadas na Bulgária
  • Graf Ignatievo Air Base
  • Bezemer Air Base
  • Aitos Logistics Center
  • Novo Selo Range
  • Bases localizadas na Grécia
  • NSA Souda Bay
  • Bases localizadas na Turquia
  • Izmir Air Base
  • Incirlik Air Base
Fonte: http://www.globalresearch.ca/the-geopolitics-of-americas-military-presence-in-europe/5510426

Por incrível que pareça, no início deste ano, a agência Reuters informou que o tenente-general das Forças Aéreas dos Estados Unidos, Tim Ray, vice-comandante do Comando Europeu dos Estados Unidos, declarou que, “como parte de nossos esforços para deter a agressão russa, garantir a integridade territorial de nossos aliados e manter uma Europa unida, livre, próspera e em paz”, vai aumentar efetivos e equipamentos e aumentar as atividades de treinamento na Europa “para deter agressões por parte da Rússia”.

Antes disso, o general Curtis Scaparrotti, comandante de todas as forças estadunidenses na Europa, disse no Congresso que os Estados Unidos deveriam estacionar mais uma brigada de blindados na Europa. Duas já estão lá, uma na Alemanha e outra na Itália. Em seguida, cerca de 20 veículos de combate, uma montanha de contêineres contendo material bélico, e 4.500 soldados da base de Fort Calrson desembarcaram na Europa para se posicionar no Leste Europeu.

Não demorou e os Estados Unidos, utilizando a OTAN, realizaram uma das maiores operações militares depois da segunda guerra. Tipo das manobras que fazem aqui na Nossa América, com a Operação Unitas, a última delas realizada em outubro de 2017. Curiosamente, a Marinha do Brasil este ano suspendeu a “tradicional” participação na Operação Conjunta Unitas LVIII que transcorreu em julho, na costa peruana. O motivo: falta de dinheiro.

O que preocupa agora são os pronunciamentos erráticos do Trump, pondo o mundo em tensão novamente. Veja se não é errático e perigoso. Em 4 de abril (2018), Trump ordenou ao Pentágono retirar todos os efetivos combatendo na Síria. Antes tinha anunciado que sua vontade era deixar o problema para os outros. Lembram?

Sete dias depois, em 11 de abril, os Estados Unidos mandam para a costa da Síria uma esquadra com maior poder de fogo que o de que qualquer país de Nossa América. O porta-aviões Harry S. Truman, de 332 metros de comprimento, 90 aviões de combate, 5.600 combatentes. Como se não bastasse, a esquadra é completada com o Cruzador Normandy, sete destróieres lançadores de mísseis, carregados com mais de 600 mísseis inteligentes BGM Tomahawk. O que vão fazer? Vão apagar a Síria do mapa?

Durante sete décadas dos anos 1900, o pretexto para manter todo esse aparato bélico e as pressões contra a União Soviética era a necessidade de combater o comunismo. Um comunismo que não existia em lugar nenhum do mundo. A verdade transparece agora não deixando dúvida de que a questão não era ideológica e sim econômica: a necessidade de expandir a hegemonia.

E agora? A alienação desses generais é tão grande que continuam afirmando a necessidade de combater o comunismo. Coincidentemente, no Brasil os comandantes militares, manifestando-se sobre o julgamento do ex-presidente Lula, revelam esse mesmo apego pelo macarthismo, não admitem o pensamento divergente.

Oficialmente dizem que é para combater o terrorismo e o narcotráfico. Faz sentido isso? Por acaso é a Rússia ou a China que traficam e financiam o terrorismo? Já há provas abundantes de que os grupos “terroristas” foram criados, equipados, treinados e financiados pelos serviços de Inteligência das potencias da OTAN.

 

Os Estados Unidos cercou o Brasil com suas bases militares

 

Na América Latina, só cercando o Brasil, são mais de uma dezena de bases militares, com tropas:

No vizinho Peru, Iquitos, Nanay e Santa Lúcia, na Amazônia onde, em dezembro de 2016 já foi autorizada a construção de uma nova base, próximo à fronteira com o Equador. Além dessas, foram construídos outros “centros de operações de emergência” (base militar com tropas. Em 2015 já havia mais de 3.200 efetivos e o objetivo é chegar a 5 mil), em Lambayeque, Loreto, Piura, San Martín, Trujillo e Tumbes.

O Peru é um país que se deixou ocupar, ocupação que ameaça a segurança de toda Nossa América. E isso com o pretexto de combater o narcotráfico e insurgentes (guerrilheiros ou opositores, dá na mesma).

Na Colômbia, é onde os Estados Unidos têm bases há mais tempo, por conta do combate às guerrilhas e ao narcotráfico. Depois que Rafael Correa, presidente do Equador, mandou retirar a base naval e aérea de Manta, foi reforçada a presença na vizinha Colômbia. Segundo especialistas, as bases em Larandia, Três Esquinas, Arauca, Puerto Leguizamo, Letícia e Florencia, formam um “arco estratégico” com vistas a uma potencial invasão na Venezuela.

Esse “arco estratégico”, ou melhor, cerco militar, se completa com bases de escuta e com tropas de assalto de Ilha Sofía em Aruba e Hato Rey em Curaçau, ambas no Caribe. E em Honduras, a base de Palmerola, com centro de operações e aeroporto de grande porte, é a maior base estrangeira na Nossa América.

No Caribe, além dessas mencionadas, os Estados Unidos mantêm bases em Cuba (Guantánamo) e em Porto Rico (Vieques), já meio desativada, pois o país — ainda considerado pelos Estados Unidos um enclave colonial está um caos e no abandono depois do furacão.

Na América Central, Comalca, em El Salvador. Os Estados Unidos voltaram a ter bases no Panamá. Depois de terem sido expulsos, invadiram o país e agora já possuem base com modernos equipamentos de controle de comunicação.

Na Argentina, os Estados Unidos já estão construindo bases na Patagônia e nas proximidades da Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai). Não se pode deixar de lembrar que o Arquipélago das Malvinas é uma imensa base militar múltipla do Reino Unido.

No Paraguai, base Mariscal Estigarribia, na região do “Chaco Paraguayo”, o Pantanal lá deles.

No Brasil, por enquanto o Império se contenta com as tropas pretorianas brasileiras. Há continuar esse governo ilegítimo ou sucedê-lo mais um agente do capital financeiro ou a serviço dos Estados Unidos, o que dá na mesma, teremos bases militares no Nordeste, na Amazônia e seguramente no extremo Sul. Já estão ensaiando para isso. Com essa finalidade foram realizadas aquelas manobras, em novembro de 2017, em conjunto Estados Unidos, Colômbia, Peru e Brasil na região da tríplice fronteira da Amazônia Ocidental.

Pra que tudo isso? Vão invadir o Brasil? Não precisam. Já tomaram conta.

O problema é: quando nosso povo latino-americano vai entender que o inimigo é externo e interno, mas é um só na sua complexidade, e a estratégia a ser construída é de libertação nacional.

 

Para que servem?

 

Os Estados Unidos dizem que podem chegar a qualquer ponto do planeta para defender seus interesses. Podem mesmo? Podem aqui nas indefesas Américas, mas já tomaram conta sem disparar um tiro. Sobram o Oriente do Mediterrâneo e o Oriente Médio, zona em conflito desde os tempos antes do Dilúvio, já invadida, ocupada e destruída pelo Império.

Estados Unidos/OTAN cercaram a Rússia e a China tentando sufocá-las. O tiro saiu pela culatra, China e Rússia estão se unindo num projeto de desenvolvimento e a tal Rota da Seda, que envolve mais de uma centena de países, está sendo construída sem deslocamento de tropas, apenas com financiamento de obras de infraestrutura. Mas isso não significa que a China não esteja modernizando e ampliando suas forças armadas.

Contudo, essa Guerra de Movimento já está ficando pra trás. O principal problema é o quanto custa sustentar todo esse aparato bélico. Enquanto os Estados Unidos gastam vidas e orçamento para sustentar sua força militar, os BRICS gastam em infraestrutura para o desenvolvimento. Agora já nem todos, pois o Brasil de Temer não tem como seguir no grupo, está fazendo tudo ao contrário.

Quem vai derrotar o império, desta vez não será o “general inverno” nem o Exército Vermelho. O que parece certo é que será o “general dinheiro” que vencerá e dobrará o império.

Em novembro de 2017 o Congresso estadunidense aprovou um orçamento de 700 bilhões de dólares e, no começo deste ano (janeiro de 2018), Trump pediu mais 54 bilhões.

Como é que vão pagar isso? Boa pergunta… primeiro reduzirão gastos sociais e depois imprimirão mais papéis e aumentarão a dívida.

Diante disso, a pergunta que fica no ar: até quando os países do mundo vão financiar as guerras dos Estados Unidos?

É isso, gente, estamos financiando os déficits dos Estados Unidos comprando seus títulos. Grande parte dos países do Ocidente compram esses títulos, inclusive o Brasil. A China é a maior financiadora dos Estados Unidos, ou credora se preferirem, pois possui nada menos que 1,3 trilhão de dólares da dívida estadunidense.

Está, portanto, nas mãos dos povos do mundo determinar o fim do Império. Mas é preciso uma consciência proativa.

*é jornalista e editor de Diálogos do Sul

Fontes:

https://thoth3126.com.br/Estados Unidos-uma-rede-militar-global-a-servico-de-quem/

https://www.brasil247.com/pt/247/artigos/220497/A-rearticula%C3%A7%C3%A3o-da-IV-Frota-da-Marinha-estadunidense-o-PL-13115-de-Jos%C3%A9-Serra-e-a-amea%C3%A7a-de-golpe-no-Brasil.htm

http://forbes.uol.com.br/colunas/2017/03/saiba-quais-sao-os-paises-com-a-maior-presenca-de-militares-norte-americanos/

https://oglobo.globo.com/mundo/Estados Unidos-reforcam-presenca-militar-na-europa-para-deter-russia-20745159