Um livro pode abrir-te o universo e dar-te uma plataforma para começar a voar.

Carolina Vásquez Araya *

Carol-800x500_cCada vez que abro um novo livro sinto essa emoção tão particular que precede o desconhecido. Conheço essa sensação desde menina, quando pegava um volume da coleção Zigzag e ia me refugiar debaixo da escada para ler sem que ninguém me estorvasse. Aí desfilavam os grandes mestres das letras e embora eu não entendesse as complexas divagações desses incríveis escritores russos, alemães, latino-americanos ou de lugares remotos que já não lembro, caia sob o influxo inevitável desse desfile de seres imaginários em cenários fantásticos.

Filgua1Livros, muitos livros emolduraram meus espaços desde então. Estão em toda parte como um acompanhante indispensável sempre disposto a abrir suas páginas para retomar sua vida e partilhá-la comigo. Por isso compreendo os esforços dos editores guatemaltecos por afiançar há 17 anos um dos poucos cenários de convergência para quem escreve, produz, lê e acredita na literatura como fonte de saber, de crescimento e desenvolvimento para as sociedades. A Filgua – Feira Internacional do Livro na Guatemala é um local de encontro fundamental e merece todo o apoio da cidadania porque só uma sociedade informada, educada e aberta ao saber, é capaz de transcender e evoluir.

A Filgua tem dedicado seus programas de atividades a todo tipo de público. No entanto, carregou seu acento na infância guatemalteca, um dos setores mais abandonados não só quanto ao gozo de seus direitos, o acesso à educação e a uma infância protegida, mas também à diversão sadia e construtiva. A cada ano essa Feira oferece amplos espaços para intercâmbio com escritores de diferentes países do mundo e uma agenda diversa graças à qual é possível ter acesso a um mundo literário rico em novidades e pródigo em ofertas.

Em sua apresentação os organizadores afirmam que “desde sua origem, a Filgua tem sido um espaço no qual se combinam a exibição e venda de livros com um extenso e amplo programa de atividades culturais dedicadas ao entretenimento, à educação, à capacitação continuada de profissionais do mundo do livro e à promoção da leitura”. E assim tem sido. Pelos salões da feira desfilam a curiosidade, o interesse e o saber em proporções iguais. E no final, quando fecha suas portas e se despede até o próximo ano, fica o eco de muitas vozes e a satisfação do labor cumprido.

A Guatemala necessita desesperadamente afiançar estas atividades cujo objetivo é fincar raízes culturais em uma sociedade carente de espaços propícios para isso.

A Filgua é uma oportunidade para crescer e se divertir em família. Na quinta-feira 13 de julho abrirá suas portas e durante 10 dias a população terá esse refúgio de amizade e convivência para todas as idades. Esta Feira é organizada pela Gremial de Editores e pela Asociación Gremial de Editores de Guatemala, com um aporte financeiro do Estado por meio do Ministério de Cultura e Esportes. O trabalho e o esforço dessas organizações têm mostrado a cada ano melhores resultados e um crescente interesse da população para aproveitar sua oferta cultural. Isto se tem traduzido em maiores demandas de espaços para exibição e venda de livros com ofertas cada vez mais tentadoras para o público. Entre as novidades para esta edição 2017 da Filgua, haverá eventos de homenagem a Miguel Ángel Astúrias, pelo cinquentenário de seu Prêmio Nobel e outras muitas atividades cujo centro essencial é a promoção da leitura e do intercâmbio produtivo de experiências entre os principais protagonistas da ocasião: os autores e seus leitores. A Filgua te espera.

Cada vez que pegas um livro e começas a ler, uma janela se abre para fazer voar tua imaginação.

*Colaboradora de Diálogos do Sul, da Cidade da Guatemala