Discurso do presidente da República Bolivariana de Venezuela, Nicolás Maduro, segundo as gravações da VII Cúpula das Américas no centro de Convenção Atlalpa, em cidade de Panamá.

Estamos, sem dúvida, em tempos de história, mas não é de qualquer história, em tempos de uma nova história que as vezes, por ser protagonistas e estar no olho do furacão em nossos respectivos países ocorre que não alcançamos valorizar toda sua magnitude.

Ontem visitei a comunidade de Chorrillos, Panamá, e depois o antigo convento de San Francisco no centro histórico. Realmente um museu belíssimo. Ali se desenvolveu o Congresso de Panamá (em 1826) em que estiveram reunidos nossos avós convocados pelo libertador Simón Bolívar, visualizado primeiro como um sonho.

Na Carta da Jamaica, em 1815, Bolívar estava derrotado, só, a direção político militar da luta de independência estava traída, dividida. Não reconheciam Bolívar como chefe e chegou a Jamaica e salvou sua vida milagrosamente e depois foi para o Haiti para receber o abraço carinhoso e salvador de Alexander Petión, o libertador de Haiti da República dos jacobinos negros. Derrotado Bolívar escreveu a famosa Carta de Jamaica, quase como um profeta, mas um profeta de fé e de compromisso. Logo chegaram os anos 16 e 17 e ele encontrou o caminho da vitória e dirigiu pessoalmente uma epopeia gigantesca.

Lamento que não esteja presente o presidente Obama, a quem respeito apesar de que tenha ameaçado a minha pátria. Para nós a história não são testemunhos passados, ocultos e mortos, para nós a história é uma força viva e falamos da história porque estamos orgulhosos de nossa história da que construíram os libertadores e da que hoje estamos construindo.

Não temos uma história sombria de que se arrepender porque nunca bombardeamos nem assassinamos povos irmãos em lugar nenhum do mundo. Por isso, presidente Obama, estamos orgulhosos da nossa história e aprendemos todos os dias com ela.

Dizia o libertador Simón Bolívar em 1815, “…é uma ideia grandiosa pretender formar de todo o novo mundo uma só nação com um só vínculo que ligue suas partes entre sí e com o todo já que tem uma origem, uma língua e costumes e religião, deveria, por conseguinte, ter um só governo que confederasse os diferentes estados a ser formados”.

Um sonho, quase uma poesia para um homem derrotado com suas forças dizimadas e, mais adiante, na mesma Carta, diz “…que belo seria que o istmo de Panamá fosse para nós o que é o de Corinto para os gregos. Oxalá que algum dia tenhamos a sorte de instalar ali, aqui diríamos hoje, história viva, um augusto congresso dos representantes da República, nós, dos reinos e dos impérios, eles a tratar de discutir sobre os altos interesses da paz e da guerra com as nações das outras três partes do mundo”.

Ontem também fomos a Chorrillos. Presidente, compañero Daniel Ortega, Rafael Correra, compañera Dilma, companheiros do Caribe, irmãos e irmãs do Caribe, a dor está viva ainda.

Em 1989, caia o bloco socialista soviético, se declarava o fim das ideologias. 1989 é inesquecível para nós os venezuelanos. 1989 teve início o Caracazo, de 27 e 28 de fevereiro, calcula-se mais de três mil mortos no massacre mais horroroso jamais ocorrido na história da Venezuela e jamais houve uma corte interamericana, nem uma comissão interamericana de direitos humanos que dissesse uma só palavra porque os assassinados foram os humildes dos bairros de Caracas, de Valência, de Maracaibo, e os humildes são invisíveis para as oligarquias e para as diplomacias imperiais. E ainda estávamos chorando nossos mortos, comandante Raúl Castro, comandante Fidel Castro, porque eu sinto que Cuba, sentada ali está Fidel de pé, digno, vitorioso.

Estávamos chorando a nossos mortos e um dia amanhecemos plenos de mais dor quando as armas mais modernas do mundo atacaram ao povo de Chorrillos que estava dormindo em suas casas. Não, não se pode esquecer essa dor. Essa invasão foi precedida de um decreto com o mesmo conteúdo do que eu tenho aqui, o decreto declarando a Panamá ameaça para Estados Unidos. Não foi qualquer coisa.

Tenho aqui uma carta e estou obrigado a entregá-la. Meu chanceler a entregará ao departamento de Estado, a carta do comitê de familiares vítimas de Chorrillo. Foi-me entregue por uma mulher que perdeu seu marido e ainda chora, 25 anos depois. Trinidad Ayola, uma mulher do povo, e que exige justiça.

Primeiro que Estados Unidos peça perdão histórico ao Panamá. Creio que é uma exigência justa e equilibrada e sei que o presidente Obama vai encarar dessa maneira.

Segundo, exigem indenização para todos os familiares das crianças que ficaram órfãs e já são adultos. Das mães que perderam seus filhos, das mulheres que perderam os maridos e ficaram viúvas porque lhes tiraram o amor de suas vidas. Calcula-se em mais de quatro mil mortos com as armas mais modernas. Um massacre que trataram de esconder como tratam de esconder a história. A história que não poderá ser detida, nem tampada jamais, a história é a história e continuaremos a construí-la.

Tem razão o presidente Corrêa quando diz que lamentavelmente as elites que governam os Estados Unidos, o aparato industrial-militar que dizia Eisenhower, terminou aliando-se e favorecendo durante todo o século XX e neste século XXI, as elites que saquearam nossos países e que fizeram com que nossa região fosse a região mais desigual do planeta.

A desigualdade é a base da miséria. É a desigualdade que cria as condições para que as oligarquias em vez de investir em saúde, educação, digam que a saúde e a educação não são direitos sociais e sim direito privado. Será que minto?

Não é a luta de nosso povo. Digam que moradia não é um direito social e humano mas sim um negócio dos bancos e tirem a moradia de milhares de milhares de homens e mulheres e de famílias. Prosperidade, estou seguro e convencido de que isso se constrói na mesma base com que resgatamos nossa independência, que começamos a construir modelos sociais igualitários verdadeiramente democráticos.

Democracia não é somente votar e eleger a cada cinco ou seis anos. A democracia tem garantir a distribuição da riqueza de nossos países, participação nas decisões. Democracias participativas, protagonistas. Na Venezuela, em 1999 teve início uma Revolução, uma nova revolução de independência, uma revolução de caráter bolivariano, que começou a construir novas formas sociais, políticas, econômicas, encabeçada pelo nosso comandante infinito Hugo Chávez Frías, o grande democratizador de nosso pátria.

O comandante Hugo Chávez, o primeiro que fez para iniciar a Revolução Bolivariana, em 1999, foi convocar a soberania popular para que exercesse sua vontade e deu-se um processo constituinte democrático. Devem saber que o comandante Chávez perguntou ao povo em referendum livre se queriam convocar um processo constituinte e uma Assembleia Nacional Constituinte e 80 por cento do povo aprovou, em 25 de abril de 1999. E em 25 de julho de 1999, o povo em voto direto, livre e secreto elegeu seus constituintes. Fui eleito deputado constituinte por Caracas e logo se iniciou um debate aberto, livre.

É a primeira Constituição da história pátria venezuelana que se fez com debate aberto, em processo constituinte, popular e no dia 15 de dezembro de 1999 foi convocado o referendum que pela primeira vez na história garantiu que o povo dissesse se estava de acordo e aprovasse ou não a Constituição redigida pela Assembleia Nacional Constituinte.

Nunca nosso país tinha vivido um processo tão democrático. Jamais. Assim foi o primeiro passo da Revolução Bolivariana, quase desde o primeiro dia já fomos enfrentados, incompreendidos. Quase que desde o primeiro dia as oligarquias políticas e midiáticas de todos os países aqui representados iniciaram uma campanha tenaz de manipulação, de mentira para dizer que o comandante Chávez era um ditador. Só porque resgatou a dignidade e deu voz própria a Venezuela diante do mundo.

Presidente Obama, só porque Chávez se opôs em varias oportunidades ao massacre contra o povo do Afeganistão, quando assassinaram crianças em nome da liberdade; só porque se opôs às mentiras que levaram à invasão do Iraque e hoje contabilizamos mais de um milhão de mortos iraquianos.

Hoje é 11 de abril, presidentes e presidentas, e em 11 de abril Venezuela recorda 13 anos do golpe  de Estado dirigido, patrocinado e financiado pelo governo de George W. Bush, contra o comandante Hugo Chávez. Fizeram a mesma coisa que hoje fazem contra mim.

A campanha mundial, todas as televisões, a CNN mentindo, uma campanha mundial todos os jornais em suas manchetes, em Buenos Aires, em San  Salvador, dizendo “Chávez é um ditador, Chávez matou a seu povo”, para justificar a derrubada e o assassinato de Hugo Chávez. Um milagre! A união cívico-militar salvou o comandante Chávez. Passaram 47 horas, nada mais, para que o povo civil e militar, em insurreição democrática restabelecesse a Constituição e salvasse a vida do presidente e o colocasse onde o povo o havia colocado para que governasse.

Treze anos. Muitas coisa mudaram, sem dúvida. O Presidente Obama não é George W, Bush. Então é uma incongruência inusual e extraordinária dizê-lo, uma desproporção maior que o decreto firmado e que está vigente nos Estados Unidos dizendo que Venezuela é uma ameaça.

O comandante Chávez consolidou uma Revolucão democrática, a pobreza geral que era em torno de 81 por cento nos anos 1990, hoje está abaixo de 19 por cento; a miséria, a pobreza exame que esteve na ordem de 41 por cento, hoje está em torno de 5.6 por cento. Nas décadas de 1980 – 90 a imensa riqueza petrolífera que ingressou ao país, só 36 por cento foi investido em desenvolvimento social. Sabem qual é a media do investimento, da riqueza do país nos anos da era revolucionária? 62 por cento no ano passado, em 2013 chegamos até 64 por cento. Me da tristeza porque em 2014 chegamos a 60 por cento, resultado da guerra econômica. Mas nos vamos recuperar. Nossa meta é chegar a um padrão de distribuição de 70 por cento da riqueza e isso se traduz em 700 mil moradias, um país de 27 milhões, façam as contas, 700 mil casas e este ano pretendemos chegar a um milhão de moradias. Não são casas hipotecadas para roubar ao pobre ou ao trabalhador. Não. São habitações que se entregam em condições necessárias para que sejam da família.

Bom, mil coisas fez o comandante Chávez. Democratizou a vida política. Presidente Obama e seus representantes, Venezuela tem, digo com humildade, Venezuela tem um recorde mundial de eleições. Tem o sistema eleitoral mais transpareceram e moderno que se pode conhecer na nossa história. Isso foi constatado e proclamado pelo presidente Jimmy Carter. Um homem honrado também, Jimmy Carter disse que Venezuela tinha o sistema eleitoral mais completo, seguro e transparente que ele jamais tinha visto em mais de 100 eleições das que participou no mundo. Não se pode acusar a Jimmy Carter de boliviariano, socialista, nem de chavista.

O comandante Chávez iniciou uma Revolução como nunca antes em 200 anos de ser venezuelanos. Conquistamos nos campos de batalha, sob o sacrifício maior da história desta terra. Mais da metade da população venezuelana morreu nos campos de Boyacá, de Pichincha, de Junín, de Ayacucho, de Carabobo. Fomos como exército unido e como dizem os documentos de John Quincy Adams, presidente de Estados Unidos, fundador de Estados Unidos, que nos chamava de potência americana.

Ninguém nos presenteou o que somos e por isso eu disse em resposta a agressão do governo de Estados Unidos, presidente Obama cometeu a agressão e assim digo com todo o respeito devido e diplomático, o que tenho que dizer, não posso calar. Trouxe mais de onze milhões de firmas que serão entregues pela via diplomática e venho em nome de 30 milhões de venezuelanos exigir do presidente Obama que revogue o decreto em que ameaça Venezuela.

É o mesmo que pede por unanimidade a Unasul que aprovou um documento histórico rechaçando e pedindo revogação. Assim também pediram os 33 países da Celac. É um decreto irracional, desproporcionado e deve ser revogado.Eu não me fio muito nessa história. Recordo o Che quando dizia “ni un tantico así”, O que disse o presidente Obama, ou seja, uma declaração de que Venezuela não ameaça, não é suficiente. E necessário percorrer os caminhos políticos, diplomáticos e jurídicos para desanuviar esse decreto ameaçador. Venezuela, nossos filhos, nossos netos não estarão tranquilos até que Estados Unidos pelas vias corretas, além de declarar que não somos ameaça, que revogue esse decreto. Esse decreto é muito perigoso. Tenho aqui. Não é somente a sanção a sete funcionários, o que já seria suficiente para exigir sua derrogação, posto que são sete venezuelanos honrados. Tudo o que dizem sobre eles sé falso e os defenderei. Defende-los-ei como presidente ronquem tenha que defendei. Este decreto se mete na vida interna de Venezuela. Não sei se os senhores tiveram tempo para ler pois entregamos uma cópia a cada delegação em todos os idiomas.

Não é história passada presidente Obama. É história presente. E eu quero futuro também e quero futuro com Estados Unidos. Nos não somos anti estadunidenses. Não. Eu sou admirador de Jimi Hendrix, Eric Clapton e quando tocava rock eu gostava de tocar e cantar suas canções, sobretudo aquela quando no festival de Woodstock interpretou o hino de Estados Unidos contra a guerra contra o Vietname. Extraordinário como Jimi Hendrix fazia as bombas, como transportava no tempo. Não somos anti estadunidenses. Nunca fomos nem Bolívar, nem Chávez foram anti estadunidense. Somos anti imperialistas! Como é a maioria dos povos de Estados Unidos que está contra as guerras, que é contra que se destrua a Líbia, a Síria e que se invadam povos. A juventude de Estados Unidos quer mudar Estados Unidos, estou seguro disso, pois do contaráio o presidente Obama não teria sido eleito.

O presidente Obama é presidente porque há um sentimento profundo de mudança e os Estados Unidos quer deixar de ser império. Há dois Estados Unidos, o de Washington, o imperial, o dos lobbies e os Estados Unidos profundo que quer paz, desenvolvimento e quer que nos olhemos como irmãos olho no olho, e que cantemos juntos e que caminhemos juntos na história.

Nenhum país aceitaria um decreto assim. É indignante, disse a presidenta Cristina; o pretendente Corrêa me chamou nesses dias e me disse que parecia uma piada de mau gosto. É verdade, é trágico-cômico, é uma tragédia. Ninguém aceitaria que se metam nos assuntos internos. Os problemas de justiça venezuelana se resolvem pela justiça e o poder judiciário. A luta contra a corrupção é um problema da Venezuela, os problemas que temos os venezuelanos são nossos problemas e os resolveremos de acordo com a Constituição.

Temos o recorde mundial de eleições. 19 eleições em 15 anos e as forças revolucionárias bolivarianas e chavistas ganharam 18 e este ano vamos ganhar a número 19, quando se realizar a eleição parlamentar no momento que o poder eleitoral fixar e se não ganhar a vida continua, reconheceremos imediatamente, como sempre fizemos, qualquer que seja o resultado.

Não somos um país tutelado, nem monitorado, nem necessitamos ser mais monitorados nunca mais na vida democrática. Por isso proponho, como fiz com o enviado dos Estados Unidos, Thomas Shannon, homem a quem respeito, conversamos por 3 horas, com franqueza total lhe disse o que creio e estou disposto a falar com o presidente Obama com respeito e sinceridade quando ele queira. Enviei-lhe mensagens publicas e privada, durante dois anos desde que sou presidente e nunca me respondeu uma só mensagem das que lhe enviei.

Nomeie o ex embaixador no Brasil Maximilian Arveláez, embaixador nos Estados Unidos já fazem 13 meses e até agora não lhe deram o beneplácito em Washington. será que estamos em guerra e não sabemos?

Presidente Varela, o senhor foi chanceler, conhece muito bem o protocolo, passados 3 meses da solicitação já se considera negado. Quando passam 3, 4 meses e eu vi o desprezo com que o presidente Obama, lamentavelmente seus assessores o levaram a atuar com relação à Venezuela. Eu o nomeie encarregado de negócios e ele está la como chefe da delegação esperando. Quantos meses mais terá de esperar, presidente Obama, para que lhe dêem o beneplácito e confirmem sua palavra de que quer manter boas relações com Venezuela?

Eu quero acreditar nele, mas não tenho confiança. Respeito mas não confio no senhor presidente Obama. Se desejar, conversamos, porém, se não quer conversar, tudo bem, será seu legado para com a Venezuela: o decreto, o silêncio e o desprezo e a prepotência, Já eu disse varias vezes, presidente Obama, não passe à história como passou George W. Busch, apoiando o golpe de Estado contra o comandante Chávez. Passe à história de outra forma. Eu lhe estendo minha mão, presidente Obama, para que conversemos e resolvamos os assuntos que temos que resolver entre os Estados Unidos de América do Norte e Venezuela em paz.

Ninguém deve intervir nos assuntos de outros. Os setores devem sentir a mesma indignação que sentimos nós quando um funcionário dos Estados Unidos ou de qualquer país faz declarações sobre a vida interna. Perdoem-me a expressão, eu me “encabrono”, na Venezuela essa palavra não é palavrão, pode ser em outros lugares, peço desculpas. Mas eu me “encabrono” quando alguém fala de Venezuela porque eu não falo de nenhum país.

Por que há tanta forme? Porque reprimem a classe operária e os camponeses? Por que negam os direitos aos indígenas?

Ah! seria o fim, o caos, cada um maneja seu país, dirige seu país com os métodos de sua Constituição e ninguém deve se meter com Venezuela. Quando lhe disse estava seguro de ter a companhia do mundo, mas também disse que se Venezuela ficar só defendendo seus princípios constitucionais e seu direito à independência, batalharemos sozinhos lutaremos. Graças a Deus não estamos sós. Temos a companhia da Unasur, a companhia de Celac, a companhia de 138 países do G-7 mais China e a companhia mais importante dos povos que assinaram, por milhões. Cuba nos entregou três milhões de assinaturas, nada mais. Tenho aqui em mãos com quatro pontos, colocou publicamente como fiz em público com Thomas Shannon:

Primeiro ponto, que o governo de Estados Unidos e a elite que dirige Estados Unidos corrija, retifique, o erro de origem que levou a este decreto desproporcional e a cometer os corres que cometeram durante dois anos contra meu governo e meu povo. O erro de origem é o seguinte: Estados Unidos acreditou, a oligarquia e as elites do mundo acreditaram que com a partida física do comandante Hugo Chávez a revolução bolivariana se acabava e que Maduro não poderia, que tal e tal coisa, que a revolução dependia de um só homem. E Chávez disse mil vezes “eu não sou eu … eu sou um povo”, somos sua história que está viva e a revolução continuou e continuará seu caminho democrático de transformações, pacífico, constitucional, impecável. Primeiro ponto: reconhecer a independência e a soberania de nosso país e a revolução bolivariana e socialista.

Segundo ponto, derrogar o decreto pela via diplomática, política que se encontre e tirar essa ameaça que há sobre Venezuela.

Terceiro ponto: desmontar a maquinaria de guerra psicológica, política e econômica, militar, que possui na embaixada dos Estados Unidos na Venezuela. Não vou me extender sobre este tema mas poderia apresentar aqui vídeos, gravações de todo tipo de como, através da embaixada de Estados Unidos foram preparados golpes de Estado para me matar. Tenho as provas. Que faço? Fico calado? Que faço, finjo de louco, olho para outro lado? Estados Unidos tem que desmontar a maquinaria de guerra em que foi convertida a embaixada desse país em nosso país. Terceiro ponto.

Em quarto lugar, entre outros pontos, deve tomar as medidas legais para deter a conspiração que se desenvolve dentro do território de Miami, na Florida, de Nova York, dos Estados Unidos.

Queridos presidentes, presidentas, o decreto do ataque militar que sería produzido em março contra mim, para assassinar-me com um avião Tucano vindo do exterior, foi ditado por um senhor chamado Carlos Osuna que vive em Nova York. Eu pergunto: é leal alguém alguém decretar, por telefone, tenho as provas, a morte do presidente e dar um golpe de Estado, e nada ocorre? A conspiração que ocorre em Miami, compete com los programas de televisão e há concurso para ver qual é o melhor fuzil para matar a Maduro. Antes faziam com Chávez, não quero ser repetitivo mas estamos sofrendo uma agressão, estamos sob ameaça que deve ser desmontada.

Nós queremos paz, claro que queremos paz e queremos conversar com o governo de Estados Unidos isto e outros pontos que nos levem a construir uma relação civilizada, uma relação que nos permita, verdadeiramente, avançar.

Creio que estamos às portas de uma nova era. Já América Latina entrou em uma nova época, como disse o presidente Rafael Corrêa, parafraseando, não é uma época de mudança, é mudança de época. Correto, presidente?

Na América Latina já se deu uma mudança de época. A primeira Cúpula das Américas, em 1994, podemos dizer, de 1994a 2005, foi a era perdida do neoliberalismo e luta contra o neoliberalismo. Foi em Mar del Plata onde se enterrou a tentativa de recolonizar economicamente a nossos países.

De 2005 a 2015, a esta Cúpula, quanto avançamos. Nasceu a Petrocaribe como projeto consolidado. Em Petrocaribe investimos mais de 3.5 bilhões de dólares em dez anos e os países do Caribe que integram Petrocaribe tiveram crescimento 25 por cento de seu produto Interno Bruto e elevaram seus níveis de distribuição e de igualdade. Petrocaribe é garantia de estabilidade.

De 2005 nasceu a Unasul, em um 17 de abril de 2007, das mão de Lula, o gigante do Brasil, da Mão de Néstor Kirchner, fundados da Pátria nova, da mão de Hugo Chávez, de Tabaré Vásquez que está aqui, d mão dos que assumiram esse compromisso. Nunca tivemos em 200 anos um bloco sul-americano, hoje o temos consolidado.

Em 2011 nasceu a Celac, pela primeira vez o todo o Caribe, América do Sul, América Central, México, nos unimos como queria o libertador Simón Bolívar para tratar de nossos assuntos como irmãos. Lá, 2, 3 de dezembro, em Caracas, comandante Chávez lutando por sua vida presidiu aquela histórica reunião e depois formos a Chile com Sebatián Piñera, a Cuba e recentemente estivemos com o presidente Solís, na Costa Rica.

Lanço uma idéia, presidente Varela. 2015-2026, uma década e ou pouquinho mais. 2026 estaremos comemorando 200 anos do Congresso Afictiônico de Panamá. Estados Unidos, eu lhes lanço uma ideia. Assumamos o desafio de construir relações de respeito, de cooperação, de complementação, de construção da felicidade para nossos povos, de democracia verdadeira. De 2015 a 2016, assumamos o desafio do Bicentenário do Congresso de Panamá e viremos aqui outra vez a nos reunir em relações de respeito, de paz e possamos dizer aquilo que disse o presidente Juan Carlos Varela: cumprimos. somos um hemisfério de paz em prosperidade que é o objetivo desta magna reunião.

Ontem vimos uma carta do papa Francisco que solidarizamos com todos os conceitos ali expostos. Saldo o secretario de Estado cardeal Pietro Parolin, com quem temos reunião mais tarde. E o papa nos dá uma bofetada, como uma chicotada de Cristo e nos chama a todos os que temos responsabilidade a construir, com responsabilize, um mundo novo e o papa lhe disse nosso irmão Juan Carlos Varela, senhor presidente os esforços por estender pontes, canais de comunicação, tecer relações, buscar o entendimento nunca são em vão.

A situação geográfica de Panamá, no centro do continente americano, que a converte em um ponto de encontro de Norte e Sul dos oceanos Pacífico e Atlântico, é seguramente uma chamada  pro mundi beneficio a gerar uma nova ordem de paz e de justiça e a promover a solidariedade e a colaboração respeitando a justa autonomia de cada nação.

Com o papa Francisco dizemos, desde Venezuela: Respeitemos a justa autonomia de cada nação e construamos a partir desta Cúpula histórica, a paz, a independência, a união, a prosperidade e sobretudo a felicidade de nosso povo.

Muito obrigado, presidente.