Um processo eleitoral que exclua o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso político há 90 dias, se transformará em uma imensa fraude, afirmou o Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo.

Prensa Latina*

Excluir da contenda nas urnas o líder histórico e fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), que é vítima de sentenças sem provas ditadas em processos judiciais manipulados, afetará “a possibilidade de que o povo brasileiro possa expressar livremente sua vontade”, diz o Grupo de Trabalho.

Em uma declaração emitida após o tribunal de segunda instância ter agravado a condenação do ex-presidente, o Grupo de Trabalho da entidade que agrupa 112 partidos políticos de esquerda da América Latina e do Caribe manifestou que a questão central em nosso continente é a democracia e a justiça social.

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“Tudo o que restrinja ou debilite põe em perigo os direitos conquistados”, advertiu.

O documento recordou que a sentença de primeira instância e sua revisão pelo tribunal de apelações de Porto Alegre foi questionada e recusada por importantes juristas de nível internacional, pela evidente falta de imparcialidade, de garantias do devido processo e um julgamento baseado em convicções e sem provas.

Tal processo, destacou, põe em questionamento a institucionalidade democrática do Brasil, “com o que isto implica para a estabilidade política do país e da região”.

O Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo observou também que esta ação das elites políticas empresariais, da comunicação e judiciais não é algo novo na região, que já viveu essa mesma operação em outras nações propiciando golpes de Estado ou perseguindo líderes progressistas.

Em outra  parte, a declaração apontou que uma parte importante do Poder Judicial brasileiro se transformou em um instrumento com objetivos políticos dirigidos a perseguir o Partido dos Trabalhadores, suas principais referências e, particularmente, o ex-presidente Lula.

A respeito declarou que há anos as elites políticas, empresariais e os grandes meios de comunicação levam adiante uma ofensiva também jurídica para retomar o controle do Brasil, com o fim de reverter os avanços em matéria social e na construção de uma sociedade mais justa e soberana, e subordiná-lo aos interesses dos Estados Unidos.

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