Depois do power rangers
do power bank e do power charger
chegou a república do powerpoint

que só conseguiu provar uma coisa:
fornecer material fake para manchetes
e expor o país ao ridículo…

Rui Barbosa, contraditório sempre sem perder o brilho,
falou em 1920 sobre Imprensa marionete…

….eis uns trechinhos…

” Um país de imprensa degenerada ou degenerescente é, portanto, um país cego e um país miasmado, um país de ideias falsas e sentimentos pervertidos, um país, que, explorado na sua consciência, não poderá lutar com os vícios, que lhe exploram as instituições.(…)

MAU GOVERNO, MÁ IMPRENSA todos os regimes que descaem para o absolutismo vão entrando logo a contrair amizades suspeitas entre os jornais. Bem se sabe, por exemplo, o que, a
tal respeito, foi o império de Napoleão III. Mas na Alemanha, debaixo da influência bismarckiana, é que se requintou, em proporções desmedidas e com inconcebível generalidade, essa anexação da publicidade ao governo(…)

Nestes aleijões constitucionais da América Latina, como o Brasil, nestes míseros tolhiços de repúblicas, que tais qual o pau torto de nascença, tarde, mal ou nunca se endireitam, o ideal dos governos está na irresponsabilidade.(…)

Era mister, pois, inutilizar a imprensa, tirando-lhe a virilidade, emasculando-a n’alma, jarretá-la de pés e mãos, para não atacar, nem resistir, avezá-la a pôr loja de algibebe e casa de encobrideira, onde os governos sobrevestissem os rebuços de suas mascaradas, e encantoar, com as presas dos seus crimes, a verdade dos seus atos…”

Trechos de Rui Barbosa (1849-1923)
em A Imprensa e o dever da verdade
publicado em 1920