Crônicas

Carolina Vásquez Araya
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Livros, esses pequenos universos onde às vezes nos perdemos

Algumas das lembranças mais poderosas de minha infância têm a ver com livros. Nasci em uma casa onde abundavam e de pais cujas preocupações, muito distantes do conteúdo das leituras de suas filhas, nos davam total liberdade. Carolina Vásquez Araya*

Alfonso Gumucio
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“Não sei, não lembro”: García Meza, o ditador boliviano que perdeu a memória

As novas gerações sabem pouco sobre o ditador boliviano García Meza (julho 1980 – agosto 1981). Talvez tenham escutado que foi o responsável pelo assassinato do Marcelo Quiroga[1] e dos dirigentes do Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR) massacrados em uma casa da Rua Harrington. Ou das negociatas de La Gaiba e o tráfico de cocaína. Alfonso Gumucio* Inclusive para as pessoas do MAS que governam atualmente, García Meza é demasiado remoto. Eles não lutaram contra…

Carlos Russo Junior
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Sociedades de consumo: Alguns dos dilemas da democracia nos dias de hoje

“O fato é que uma sociedade de consumo não pode absolutamente saber como cuidar de um mundo e das coisas que não pertencem de modo exclusivo ao espaço das aparências mundanas, visto que sua atitude central ante todos os objetos, a atitude do consumo, condena à ruína tudo o que toca.” (H.Arendt). Carlos Russo Jr.* Nas sociedades democráticas contemporâneas a liberdade foi perdida em meio a um sistema que deixou de representar os anseios dos…

Crônicas
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Um percurso pelas ideias de Karl Marx, esse gigante da história

O que é que a humanidade deve a ele? O que é que os trabalhadores devem a Karl Marx? Muito. Sem suas ideias, sem a pressão desencadeada por essas ideias, os trabalhadores não teriam direitos sociais, nem haveria a esperança de uma nova sociedade socialista, sem exploração do homem pelo homem. Jorge Rendón Vásquez* Há duzentos anos, Karl Marx nasceu em Trier, uma pequena cidade da Alemanha, às margens do rio Mosel e perto do rio…

Carolina Vásquez Araya
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Predadores sexuais: “Papai, por que você me odeia?”

As crescentes revelações de casos de violação de bebês obrigam-nos a reagir. Os predadores sexuais são sujeitos normais, respeitados socialmente, amparados pelo sistema. Carolina Vásquez Araya* Algo muito ruim sucede com a espécie humana quando pais, irmãos, professores, líderes espirituais ou simples vizinhos são capazes de violar. Mas algo muito mais perverso se revela diante das agressões sexuais perpetradas contra seres tão indefesos como bebês, meninas e meninos em seus primeiros anos de vida. Corpos e…

Argentina
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O que o patriarcado deve a Evita Perón

Não há Perón sem Evita. Nem Perón nem o Peronismo existiriam sem Evita Perón. Evita é a poesia da rebelião dos povos. Ilka Oliva Corado* A história tem sido ultrajada desde a idade da humanidade por seres patriarcais, misóginos, homofóbicos, racistas, classistas, xenofóbicos, e no caso particular da América Latina, seres de mentes colonizadas têm se encarregado de invisibilizar mulheres como Evita, que nunca aceitaram o jugo patriarcal e jamais dormiram sob o ronrom das delícias…

Brasil
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Ano eleitoral: vamos debater a corrupção e os maus costumes

Ano eleitoral. Moralidade, a corrupção, é tema principal, dizem pesquisas. E repetem candidatos a presidente, governos, legislativos. E juízes, procuradores… Bob Fernandes* Muitos recebem auxílio-moradia mesmo morando na cidade onde trabalham… Enquanto punem a imoralidade alheia. O que é certo ou errado, correto ou não? O que deve ou não ser respeitado em nome do bem comum? Esse debate deve mirar autoridades, obviamente. Mas não só. E não só, no topo dos maus costumes, a…

Comunicação
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Povo informado é a arma mais poderosa, por isso recurso em desinformação é milionário

Os cidadãos têm a obrigação individual e coletiva de questionar, pesquisar, ler, divulgar e compartilhar informação uma e outra vez por vertentes diferentes, para que não se consiga apagar de uma só vez a Memória Histórica e para que sejam a memória individual e coletiva os eixos centrais da resistência dos povos que se negam a deixar-se enganar e pisotear. 

América Latina
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Dos campos às cabines de TV: as meninas também jogam (e entendem de) futebol

Eu cheguei nos Estados Unidos em novembro e nos primeiros dias de abril, quando começava a derreter a neve do inverno, saí para buscar trabalho nos campos de futebol. Levava comigo meu título de árbitra de futebol avalizado pela FIFA e uma carta de recomendação da Federação de Futebol da Guatemala.

Brasil
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Na América Latina, floresce uma primavera de milhões de Lulas 

Lula se encontra nos braços queimados dos que cortam cana de sol a sol, no lombo partido dos que carregam sacos nos mercados, nas mãos gretadas dos pedreiros, nas palavras dos diaristas. Nas mãos criadoras dos artistas de rua.

Destaque 2
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Mulheres: Sólidas como o diamante

As mulheres de todas as latitudes têm sido butim de guerra, objeto de abuso sexual, trabalhista e jurídico, têm sido vassalas de um patriarcado imposto a força para dobrar seus intentos de independência. Como qualquer sistema ditatorial: só que muito mais sutil, muito mais solapado. Já basta de ensinar-lhe quais são as fronteiras de sua liberdade. Carolina Vázquez Araya*

Brasil
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Desfile da Paraíso do Tuiuti é um marco na história do carnaval brasileiro

“Irmão de olho claro ou da Guiné Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado Senhor, eu não tenho a sua fé e nem tenho a sua cor Tenho sangue avermelhado O mesmo que escorre da ferida”. (Paraíso do Tuiuti. “Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?) Ângelo Cavalcante* Caramba… Não era só uma escola de samba; não foi apenas um enredo; não foi uma noite. O que a Paraíso do Tuiuti fez no desfile…

Brasil
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Frei Betto: Ensina a teu filho que o Brasil tem jeito

Ensina a teu filho que neste país há políticos íntegros como Antônio Pinheiro, pai do jornalista Chico Pinheiro, que revelou na mídia seu contracheque de parlamentar e devolveu aos cofres públicos jetons de procedência duvidosa. Ensina teu filho a votar com consciência e jamais ter nojo de política.

Caderno C
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Pagu, a Patrícia Galvão

Pagu tinha um aguçado instinto de independência. Também era dona de uma fantástica cabeça multimídia, mais de meio século antes dessa palavra fazer sentido. Pagu pensava com palavras, imagens, gestos e muita ação. Pagu desenhava, Pagu escrevia, Pagu agitava. Fernanda Pompeu*

Mulheres
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Feminicídios: Uma carga muito pesada

Para as mulheres, a condenação implícita no comentário do cardeal é uma carga muito pesada sobre seus ombros. É tão injusta como irresponsável, sobretudo quando esse prelado exerce sua missão em um dos países com os maiores índices de feminicídio do mundo. Um país, além disso, onde a maioria da população é profundamente crente e necessita um guia fortemente comprometido com os direitos humanos.

Caderno C
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América Latina, rebelde e resistente

Porque a América Latina é milenar: com raiz de carvalho, guanacaste e cacaueiro. Com frutos de memória, consciência e dignidade. Mesmo que os traidores afirmem o contrário, América Latina, originária é fogo de lenha em casa de operário. É a foice, a enxada e o facão do lavrador. Ilka Corado*

Mulheres
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O mito da civilização

Nosso conceito de civilização, essa palavra tão ambígua como enganosa, é algo muito diferente de seu significado real, o qual aludia ao conjunto de ideias, crenças, artes e costumes característicos de um conjunto humano determinado. Na realidade, seu significado variou para a capacidade de enriquecimento de uns a partir da exploração de outros.

Caderno C
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A farsa do dia de Ação de Graças

Amparados numa história falsa, escrita pelos genocidas que invadiram estes territórios e exterminaram os nativos do norte do continente, celebra-se a cada novembro o Dia da Ação de Graças. Esse dia deveria ser lembrado como o Dia do Genocídio Caucasiano contra os nativos norte americanos. Ilka Oliva Corado*

Guatemala
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Guatemala: Oasis da incoerência e do oportunismo

Na Guatemala os absurdos em matéria de Direitos Humanos se contam até o infinito, já é costume que populações inteiras de indígenas sejam despojadas de suas terras, tenham suas casas queimadas, e sejam assassinadas pelos braços armados dos bandos de criminosos que pululam no governo. Ilka Corado*

Caderno C
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É primavera, Madá!

Isso me fez lembrar um personagem de Jô Soares, Sebastien, “o último exilado” em Paris. Em um programa de televisão, já nos estertores da ditadura, ele ligava para sua mulher no Brasil, Madá querendo saber como estava o país.

Guatemala
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Os excessos do poder

Uma das consequências do monopólio do poder em um círculo de corrupção e privilégios, somado à ausência de qualidade da gestão pública, é a marginalização da infância e da juventude como uma estratégia de dominação. A táctica de privar esse sector de acesso à educação. Carolina Vásquez Araya.*

Caderno C
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O encantamento do Che

Brilham seus olhos quando falo do Che, com só ver os sapatos que tinha no dia de sua captura, da pra compreender a grandeza imortal de um ser humano que era mais avançado que a época que lhe tocou viver, e que deixou tudo para ir em busca da liberdade dos povos.

Crônicas
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Quando sempre temos que usar o hífen

O Acordo Ortográfico entrou em vigor em 2009. Seu objetivo é unificar a ortografia (o modo como se escrevem as palavras) entre os 8 países que usam o português. São eles, Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor Leste. Fernanda Pompeu*

#Releituras
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O Che e outras histórias

“Como “morto em combate” ia passar o Che a história das mentiras, se o jornalista Albert Brun não tivesse visto o médico José Miranda Caso no pátio do hospital e ficar sabendo que haviam matado Che algumas horas antes com uma rajada de metralhadora”. Jorge Mancilla Torres*

Brasil
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Golpe e ditadura militar seriam alternativas para o Brasil?

“O golpe já ocorreu, em 2016, destruiu o embrião democrático que minha geração pensou estar nutrindo. E não há razão alguma para ter receio de outra ditadura. Ela já chegou.” Ceci Juruá* Certamente não, diz a quase unanimidade dos intelectuais e cientistas sociais do Brasil. E eu me incluo neste grupo, com a convicção de quem sempre lutou nas hostes democráticas. Mais ainda, amparada no conhecimento de nossa história e na vivência e resistência a dois…

Brasil
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Luiza Erundina, reserva moral

Luiza Erundina saiu da prefeitura rigorosamente com a mesma renda pessoal com que entrou. Honestidade raríssima entre seus pares. Sua inteireza moral funciona como receituário para o poder das mulheres em prol de uma sociedade mais igualitária.

Cinemateca Diálogos do Sul
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O lúcido Milton Santos

Milton Santos foi um dos maiores críticos da ditadura do pensamento único. O professor dizia que o Brasil precisava encontrar seu próprio modelo de desenvolvimento: O centro do mundo é o lugar onde se está. Sem abandonar o que somos, podemos nos tornar universais.

Crônicas
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Graciliano Ramos assinaria o Globo?

É possível ler no Globo aquilo que Graciliano Ramos escreveu logo na abertura de Memórias do Cárcere: “Não caluniemos o nosso pequenino fascismo tupinambá; se o fizermos, perderemos qualquer vestígio de autoridade e, quando formos verazes, ninguém nos dará crédito”. Antonio Máximo*

Guatemala
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Os pequenos imigrantes

Como é possível criminalizar estes pequenos imigrantes como se para eles imigrar fosse uma travessura levada ao extremo? Porque essas meninas, meninos e adolescentes que cruzam as fronteiras em condições horripilantes de risco e indefesas, são tratados como delinquentes em todos os pontos do trajeto.

Sem categoria
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Gerações vencidas

América Latina, com suas muitas cores, sua fecundidade, seus Povos Originários e seus mártires, é uma terra de contradições e entre estas estão as gerações vencidas; acomodadas nas sombras do descaramento, do oportunismo e da indolência. Gerações que se negam a uma identidade própria e que pisoteiam todo rastro de memória e dignidade.

Manchete
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Clara Charf de todas as lutas

Lutar parece ser o verbo do coração de Clara Charf. Toda sua energia está na ação. Companheira de Carlos Marighella, guerrilheiro assassinado pela Ditadura Militar, viveu no exílio de 10 anos em Cuba Clara sempre contribuiu para as políticas, campanhas, programas que apoiam os direitos das mulheres e na atualidade, é presidenta da Associação Mulheres pela Paz.

Sem categoria
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Meu avô judeu

Gostava de dizer na escola que eu tinha um avô judeu. Isso durou até o dia que ele me chamou para dizer que eu não era e nunca seria uma menina judia. Não se tratava de uma escolha, mas de origem.

Guatemala
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As meninas más do Lar Seguro

Este Lar está a escassos quilômetros da capital da Guatemala e há quatro meses foi o cenário de um horrendo acontecimento que deixou mais de 40 meninas convertidas em cinzas, outras mutiladas, outras grávidas por violação, todas com a sua vida destroçada para sempre.

América Latina
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Resistir, resistir, resistir

Teria sido tão fácil para a Cristina no dia seguinte ao fim do seu mandato agarrar suas coisas e viajar para o exterior; já havia cumprido o que lhe correspondia como chefe de governo. A mesma coisa podia ter feito Dilma quando lhe deram o golpe de Estado, o que era mais fácil: ir embora sem olhar para trás. Mas ficaram e não para estar de braços cruzados, a mesma coisa que fez Lula, que…

Crônicas
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A verdade atrás de uma máscara

“Todos os truques para dissimular, enganar ou convencer, revelam uma mentira.” Carolina Vásquez Araya* Quando um governante se sente encurralado pelo fracasso de sua gestão, sua primeira reação é insultar, atacar ou ameaçar a Imprensa e depois -como um ato absolutamente contraditório- buscar apoio de especialistas em estratégias de comunicação para iniciar uma campanha capaz de restaurar sua empobrecida imagem pública. E onde realiza essa campanha? Obviamente através dos mesmos recursos usados por seus detratores:…

Crônicas
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Envelhecer é o quê?

“Faz nove anos recebi o crachá de velha. Aconteceu na linha verde do metro paulistano. Uma mocinha, sentada no assento preferencial, ao me ver se levantou prontamente cedendo o lugar para mim. Meu impulso bem-educado pensou em dizer: Obrigada pela gentileza, mas com os meus 52 anos ainda não ganhei o direito de sentar no banco preferencial, que é líquido e certo a partir dos 60.” Fernanda Pompeu* Já meu impulso mal-educado pensou em vociferar:…

Sem categoria
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Perdeu-se o rumo e a empatia

A perda de valores e de sensibilidade humana é o maior dos problemas da humanidade. Carolina Vásquez Araya* Quando à solidariedade e à empatia se antepõem o interesse pessoal, a preeminência de um sistema de crenças políticas ou religiosas e a busca do sucesso –expressado fundamentalmente em termos materiais– resulta indefectível a perda de sensibilidade humana ante os outros, dado que a energia é enfocada na consequência do bem-estar individual acima de tudo. Isto não…

#PlanetaÁgua
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Passeios pela água doce

A Terra é azul! exclamou o astronauta Yuri Gagarin ao avistar, do espaço, nosso planeta. Azul porque 3/4 do planeta são água. No entanto: menos de 3% de toda água da Terra é doce. Boa parte da água doce está em lugares de difícil acesso: calotas polares e subterrâneos. Adivinhou? A água doce é um tesouro! Fernanda Pompeu* 1 Água desperta, água sonhadora para: acariciar ajudar alimentar banhar batizar beber benzer brincar brindar brotar construir…

Guatemala
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Guatemala: A bolha por trás das grades

As constantes crises que atualmente ocorrem na Guatemala trazem reminiscências de passadas ditaduras. Carolina Vásquez Araya* É muito lindo viver em democracia. Ter a suficiente liberdade de pensamento para opinar abertamente sobre qualquer coisa, desde uma banal piada até os temas profundos da sociedade; caminhar pelas ruas sem medo de sofrer uma morte não programada na agenda do dia e sobretudo aceitar com absoluta certeza a pertinência das leis que regem a comunidades, com a convicção…

Ecuador
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A dignidade imprescindível do povo equatoriano

Nestes momentos de alegria e festa na América Latina pelo triunfo da Aliança País, é necessário recordar que tudo na história contemporânea teve início com o sonho de um “Ninõ Arañero” (1) (moleque bamba), vendedor de doces de mamão nas ruas de sua terra natal Venezuela. Resumo sua origem porque somos feitos de Memória Histórica e identidade. Meninos como Chávez nascem um a cada quinhentos anos e passam pela terra para marcar a história dos…

Miguel Urbano Rodrigues
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Álvaro Lins

Encontrei pela primeira vez Álvaro Lins em São Paulo, em l960. Tinha-lhe escrito quando ele era embaixador em Lisboa e concedera asilo ao general Humberto Delgado. A decisão, tomada sem consulta a Brasília, desagradou ao Governo de Juscelino Kubitschek e enfureceu Salazar. Miguel Urbano Rodrigues* A sua resposta à minha carta comoveu–me. A empatia, quando o abracei pela primeira vez, foi imediata. E evoluiu rapidamente para um sentimento de amizade. Na época, eu divergia da linha…

Miguel Urbano Rodrigues
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Meio século depois: Tolstoi e a Revolução

Percorrendo a estrada de muitos rencontros com autores que descobri na juventude, reli nas últimas semanas O Caminho dos Tormentos, de Alexei Tolstoi. Miguel Urbano Rodrigues* Lido em Conakry em l961, provocou em mim o terremoto interior que infletiu o rumo da minha vida. O choque emotivo e ideológico desencadeado pela trilogia de Alexei Tolstoi conduziu-me à opção comunista e ao combate político pelo socialismo. Ao regressar a São Paulo, o encontro com o Caminho…

Sem categoria
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Tempos Brutos

Desde garotinho preferiu o não ao sim, a tentativa à certeza. Esse temperamento não correspondia às fantasias dos pais e professores. Fernanda Pompeu* Ele era uma ave rara no meio de um rebanho rotineiro. De avós a netos, todos haviam encarado a vida como uma biblioteca de tramas já escritas. Na qual bastava estender a mão, colher um volume e viajar para conflitos e resoluções alheios. Ranulfo pensava diferente. Acreditava que, para além de acompanhar…

Miguel Urbano Rodrigues
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Teixeira Gomes e o envelhecimento

“E a parte mais dolorosa da senilidade consiste em assistir, consciente mas impotente, à nossa própria ruína mental! (…) a vista já muito mal me serve e a minha memória é um vidro transparente onde logo se apaga tudo quanto nela se reflete”. Miguel Urbano Rodriguez* São palavras de Teixeira Gomes, anotadas em 1938 no quarto do hotel em Bougie onde faleceu em 1941. Tinha então 77 anos e via-se como ruína física e mental…

Mulheres
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Poderosas Mulheres

“Escuta, formosa filha do amor, as instruções da prudência, e permite que os preceitos da verdade penetrem profundamente em teu coração, assim os encantos de tua mente darão brilho à elegância de suas formas, e tua beleza, como a rosa a qual se assemelha, conservará sua doçura mesmo depois de murchada”. Olavo Câmara* Portanto, você mulher, mãe e amiga receba as nossas mais profundas homenagens. Mas saiba que a reverenciamos hoje e sempre e estaremos…

Miguel Urbano Rodrigues
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Le fil rouge – Una saga revolucionária

LE FIL Rouge** (O Fio Vermelho) é uma saga. Apresenta-se como romance, mas enquadra-se mal nesse gênero literário. Miguel Urbano Rodrigues* Gilda Landino Guibert escreveu um poema revolucionário em prosa que projeta os leitores para cenários de luta pela liberdade e pela transformação do mundo. O sujeito é simultaneamente individual, uma família, e coletivo, os italianos de aldeias da Toscana que se bateram contra o fascismo mussoliniano e posteriormente em França, como imigrantes, ao lado…

Guatemala
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Os futuros líderes

As debilidades do sistema marginalizam e condenam a infância. Carolina Vásquez Araya* Imagine que nasceu onde a maioria das meninas e meninos neste planeta: uma choça humilde com chão de terra e um teto que sai voando a cada inverno. Uns pais frustrados, cansados e carentes das ferramentas educativas capazes de oferecer uma saída aos seus múltiplos problemas. Um sistema de governo orientado a favorecer a um grupo pequeno de políticos e empresários cujos objetivos…

Mulheres
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As migrantes em trânsito

Saem de suas casas: em municípios, aldeias, casarios, arrabaldes… sem rumo fixo, como folhas secas arrastadas pelo vento, mortas em vida, caluniadas, golpeadas, abusadas, rechaçadas e estigmatizadas. Ilka Oliva Corado* Pouco se sabe delas: são invisibilizadas, o Estado as marginaliza, a sociedade as exclui, o classismo, o racismo e os resquícios do patriarcado. Seu país as obrigam ao abandono e à migração. Elas vão pelas vias férreas, em furgões, em vagões, entre montanhas e selvas,…

Sem categoria
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Diversidade: Meu nome é existir

Então chega a segunda-feira. No cafezinho, a colega conta que a viagem com o noivo foi 10, ruim mesmo só a fila no aeroporto. O chefe diz que passou o domingão no sofá, ele e a mulher botaram em dia a pipoca e os capítulos atrasados do Homeland. O estagiário, deixando a timidez de lado, confidencia que conheceu uma garota especial na balada. E o que o colega gay e a colega lésbica contam? Nada.…

Guatemala
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As vozes silenciosas

De nada serve uma voz de alerta quando não há quem a escute nossas vozes. Carolina Vásquez Araya* Não sei em qual síndrome poderia encaixar, mas em minha mente surgem algumas cujas características incluem grande tolerância à dor, uma constante tendência ao ensimesmamento, diminuição da atenção, da memória e outras funções indispensáveis para o desempenho normal de uma pessoa ou de um grupo social. Tenho procurado todas as possíveis razões para tanto silêncio coletivo e…

Sem categoria
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Saúde ao meu pai: De filhas e pais

A última vez que eu o vi, me disse meu paizinho: “Preta, eu vou morrer”. Fria e direta como é natural em mim, eu respondi sem sentir pena: “paizinho, não fique chateado, todos nós vamos morrer”. Quase um mês depois ele faleceu, a notícia nos chegou de longe, na diáspora, a milhares de quilômetros da Guatemala, há apenas cinco dias. Ilka Oliva Corado* Eu sou a filha que desde a adolescência menos o abraçou e…

Manchete
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Em Paris pela última vez

Quando alguém tem uma profunda consciência histórica -como é o caso de Miguel Urbano- mesmo as reflexões mais íntimas e pessoais têm o cunho não apenas de um ser humano individual, mas o de um tempo comum. A sua história pessoal nunca foi e nunca é apenas pessoal. Miguel Urbano Rodrigues* Mais de uma vez ao longo da minha extensa vida, na despedida de uma cidade pensei, por motivos diferentes, que não voltaria ali, que…

Manchete
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Miguel Urbano Rodrigues: Istambul, cidade mágica

Tenho dificuldade em encontrar palavras para expressar o que senti ao chegar a Istambul pela primeira vez. A cidade, fundada há 25 séculos, fascinou-me. Transcorrido mais de sessenta anos, Istambul continua a ser para mim enfeitiçante. Miguel Urbano Rodrigues* Voltei agora em fevereiro para mais uma despedida. Passaram apenas cinco anos desde a última visita. A primeira surpresa foi rever Santa Sofia, hoje  museu. Tinha esquecido que, contempladas do exterior, duas das fachadas da Basílica, pela…

Guatemala
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Guatemala: O pedaço mais apetitoso

Num jogo de suposições, usemos a imaginação. Carolina Vásquez Araya* “O tráfico de pessoas com finalidade de exploração sexual é um drama humano e social, uma violação aos direitos humanos e um delito. É uma prática ilegal que afeta especialmente meninas e meninos e adolescentes, roubando-lhes a inocência e a dignidade. Constitui um crime inaceitável que transgride direitos fundamentais, enquanto os criminosos se beneficiam, lucram, torturam e truncam vidas a costa do sofrimento de outros…

Povos Indígenas
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Bartolomé de las Casas, o protetor dos índios

Talvez tão famoso como o navegador Cristóvão Colombo, o sevilhano Bartolomé de Las Casas (1474-1566), encomendeiro e sacerdote passou à história de América como protetor dos índios e historiador a destruição do território. Marta Denis Valle* Esse personagem passou quase que a vida inteira ligado a conquista da América, do que é considerado um dos principais cronistas, mas mudou de sua posição de conquistador diante dos horrores que contemplou desde os primeiros momentos. O padre…

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Do ódio ao inimigo

Quando temos um inimigo – e estamos em luta contra esse inimigo – suspendemos a crença de que nele há um ser também capaz de algo bom. Abstraímos suas características de ser humano como nós. Passamos a vê-lo como um ser achatado, sem família, sem sentimentos, sem uma vida que, para ele, certamente é tão preciosa quanto, para nós, a nossa. Sua única dimensão é o mau. Maria José Silveira* Na guerra, em uma revolução…

Sem categoria
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Nossas terríveis armas

Mãos ao alto! Agora, sim, de vez, chegamos à conclusão que somos, nós mesmos, armas; e que tudo pode mesmo ser ou virar arma. Que de um segundo a outro algo pode vir de qualquer lado e estragar tudo. Só com corações e mentes desarmadas poderemos nos sentir seguros. Marli Gonçalves* Andamos todos nós armados até os dentes. Aliás, literalmente, porque uma mordida pode causar uma boa inflamação, há de se lembrar. Marcante como impressão…

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O príncipe menstruado

Três meninas. Denise, Fátima e eu. A tarde era de um domingo medíocre e acalorado. A brincadeira, proposta por Fátima, consistia em representar uma cena teatral: o momento em que o príncipe encantado beijava a bela adormecida, acordando-a de um sono enfeitiçado para uma vida fausta em promessas principescas de amor, filhos e paz. Fernanda Pompeu* A falta de cenário não incomodava, pois não havia público. Nos preocupamos apenas com o figurino. A madrasta jogou…

Mulheres
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Escute, sou vítima do tráfico de pessoas

Quando vivia na Guatemala ouvi uma mãe de família dizer, referindo-se a uma jovenzinha que trabalha em um bar (na Guatemala são chamados de bares os centros noturnos parecidos com cantinas onde também se oferece serviço sexual, também chamados de prostíbulos) como garçonete e tinha três filhos de diferentes pais, era mãe solteira: “Essa está aí porque é uma puta e gosta de um pau”. Ilka Oliva Corado*  As mulheres que participavam da conversa, todas…

Sem categoria
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Desafinando o coro dos contentes

A frase do título é verso de Torquato Neto (1944-1972). Poeta que em sua brevíssima vida desafinou as mesmices do redigir. O cara experimentou para valer e pôs a alma para fora. Salve, menino Torquato! O craque da máquina de escrever. Fernanda Pompeu* Foi pensando no poeta e letrista piauense que me recordei do carioca Carlos Lamarca (1937-1971). Não que os dois (que eu saiba) tivessem afinidades ideológicas. De certo, o primeiro estaria mais para…

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Pode me escutar um minuto?

Tem de pedir por favor? Pagar? Comprar uma ficha? Você diz uma coisa e respondem outra. Ninguém mais dá mais atenção um ao outro? Reparou? Será que alguém pode me escutar um minuto? Virou uma competição de egos, de desgraças, coisa para novos estudos sobre intercomunicação e a nova Torre de Babel. Marli Gonçalves* Melhor falar com o espelho, com a parede, com o teto, pensar em voz alta para achar que tem alguém ouvindo,…

Caderno C
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Quente ou frio?

Quando eu era menina, mas se bobear ainda gosto, jogava muito “quente ou frio? “- para qualquer coisa. Você tentava adivinhar algo, ou encontrar um objeto escondido, e se fosse chegando perto, a coisa ia esquentando, pegando fogo… Se distanciasse, ia ficando frio, gelado, glacial! E caímos na risada. Como é bom cairmos na risada, coisa que há tempos não conseguimos fazer sem culpa. E você, o que acha? Está quente ou frio? Sempre dependerá…

Caderno C
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Feliz dia, mãe…

Feliz dia, vão te dizer solenemente como se tiveste realizado uma proeza, porém não. Deste à luz um filho sem que o quiseste, quase sem saber, um filho que ao chegar, nos teus 12 anos apenas, marcou o início de uma etapa sem perspectivas. O pequeno produto de um ato de baixeza infinita que acabou com tua infância e a converteu em uma maturidade indesejada. Pior ainda, te condenou a mais injusta cadeia de privações.…

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O Eduardo Galeano dos ninguéns

Em 13 de abril se completou um ano da morte de Eduardo Galeano. Diálogos do Sul lhe presta homenagem com esse texto de uma guatemalteca, mestiça de negra e índia que vive indocumentada em território de Estados Unidos. Ilka Oliva Corado* Sempre estive convencida de que os seres extraordinários nos deixam em dias funestos, de céu encoberto chorando cântaros de chuva. Eduardo Galeano se foi num dia assim, hoje amanheceu soluçando com a nevoa da…

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Censurar os párias e iletrados

Ilka Oliva Corado* Tudo vai bem com meus textos enquanto não apoio as conquistas progressistas dos governos latino-americanos que se uniram ao sonho do menino que vendia aranha (alusão a um conto de Eduardo Galeano). Tudo vai bem com meus textos enquanto me calo frente às injustiças que sofrem os imigrantes que não têm documentos nos Estados Unidos. Tudo vai bem com meus textos enquanto eu esconda com meu silêncio e indolência as intervenções estadunidenses…

Sempre alerta, que estado é este de viver?

Marli Gonçalves* Já ia mesmo falar sobre isso. Sobre o medo, o estado constante de alarme, de alerta, de atenção, aqueles que decretamos por nós mesmos praticamente todos os dias. A sexta-feira de terror e sangue em Paris, no entanto, mostrou que os horizontes do perigo passaram a ser ainda maiores, mais mortais e complexos. Fica difícil viver em paz com tantos inimigos, inimigos gente, inimigos insetos, inimigos fatos, inimigos governantes, inimigos destinos, inimigas ideias,…

Sem categoria
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Sua excelência, o rádio

Fernanda Pompeu* Muito antes dos iPods e similares colados nos ouvidinhos, houve os rádios de tomada e depois de pilha. Pelo Brasil profundo eles ainda resistem, apesar do assombroso avanço dos smartphones. Mas bem mais interessante do que o aparelho em si, é viajar para atrás no relógio e encontrar a importância do rádio antes que a televisão roubasse as salas e as atenções. O rádio, nos anos 1940 / 1950, funcionou como uma espécie…

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Sonhei que eu era a Dilma

Maria José Silveira* Como em todo sonho, eu não reconheci bem onde estava. Era um quarto, o meu quarto no Palácio da Alvorada, mas era como se nunca estivesse estado lá. O que não tinha a menor importância; o que importava era decisão que eu havia tomado. O primeiro que fiz foi me vestir do jeito que gosto: calça preta confortável e blusa de manga comprida, seda branca e estampa vermelha. Mantive a maquilagem habitual,…

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O nigeriano

Ilka Oliva Corado* Há alguns dias fui tomar café da manhã com um amigo. O restaurante estava repleto, tínhamos que fazer fila para entrar; é uma beleza italiana onde se come bem e confortavelmente e tornou-se nosso restaurante favorito para os cafés da manhã. A mulher que recebia os fregueses me deu um número, era o 60; e estavam só no 35. Quando voltava com o número na mão, vi um homenzarrão preto azeviche, desses negros…

Guatemala
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Contra a América do Sul progressista, nenhuma oligarquia, nenhum império

Ilka Oliva Corado* Acontece que me dizem que não devo morder a mão de quem me dá de comer. Como vivo nos Estados Unidos pretendem que eu solape sua política externa. Que seja arrastada como muitos latino-americanos que encontram aqui a plataforma perfeita para manipular, estruturar e financiar ataques mediáticos contra a nossa Pátria Grande. Dizem que se sou socialista, então que vá viver em qualquer país socialista e que não critique desde a comodidade…

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A pura verdade

Carolina Vásquez Araya* O denominador comum do discurso político é a falsidade. Assim pensam aqueles que desejam conquistar um espaço e acham que é impossível fazê-lo sem mentir, porque segundo eles ninguém dará um voto a quem destroce suas aspirações. Por isso: “em meu governo será dada prioridade às necessidades do povo”, “quando me elegerem presidente as coisas vão mudar neste país”, “não duvidem de minha palavra porque estou aqui para cumpri-la”. A falsidade vem…

Caderno C
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Barba, Cabelo e Bigode

Marli Gonçalves* Pensei que a modernidade seria mais pelada, lisinha. Bem, para nós, as mulheres, até que rolou, meio institucionalizada a depilação. Pelos? Só cabelos, que jogamos para lá e para cá no tal jogo da sedução. Só que agora os homens resolveram mostrar seus personagens e foram desencavar a barba. Correndo! – tem até mulher usando também e não é para circo nenhum. A concorrência anda alta. Eu já tinha reparado, mas sem parar…

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Todos nós fomentamos o tráfico de pessoas

Ilka Oliva Corado* O tráfico de pessoas é um tema escabroso que como sociedade de dupla moral preferimos manter à margem da bolha de apatia em que vivemos. Não é que não seja de suma importância tratá-lo, denunciá-lo e agir para combatê-lo. Precisamente porque é uma realidade crua e nos exige consciência é que preferimos ignorá-la, mas o que aconteceria se nesse tráfico estiver envolvido algum familiar nosso como vítima? As coisas mudam, não é?…

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Escrever e falar como aldeã

Ilka Oliva Corado* Acontece que quando escrevo ou quando falo me dizem que o faço como aldeã e não como profissional (as pessoas têm um conceito equivocado do que é profissionalismo que nada tem a ver com títulos universitários). Quando falo, dizem que o faço como alguém do interior e exigem que fale como cidadã letrada da capital. Passo. Eu sou vendedora de mercado e minha essência é irrefutável. Falo de forma forte, direta, clara…

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No Mês do Orgulho LGTB, nós os Queer

Ilka Oliva Corado* Muitas vezes me recomendaram não falar disso em público porque diminui o meu “prestígio” e fará com que muitos leitores se afastem. Eu me nego, porque o tema dos Direitos Humanos e Direitos Civis das pessoas com diferente identidade sexual deve ser exposto e a luta deve se realizar a plena luz do dia, da mesma forma que se desenvolvem as outras lutas pelas igualdades sociais. Há dois anos escrevi sobre o…

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Medo

Marli Gonçalves* A voz de pato, a cara borrada, cada vez mais medo, até para falar de assuntos banais agora há medo, presente, todo dia, toda hora. Qualquer lugar, raça, credo, condição social. Repare. Vivemos aterrorizados e não estou falando exatamente de fobias, dos medões, daqueles que só tratamento psicológico resolve. Trato do nosso dia a dia vivendo num país esquisito, de onde brotam vingadores, odiadores, e onde cruzamos no presente com gente sem passado…

Ilka Oliva Corado
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Quando as putas são nossas

Ilka Oliva Corado* Eu me lembro claramente de um meio dia quando voltava para casa depois da escola quando estava no primário, e que me agarrei aos socos com uns moleques e cheguei em casa toda estropiada e com a barra do uniforme desfiada. Minha pobre mãe que me considerava a filha indomável me perguntou desanimada: e agora, com quem você brigou? Com uns moleques do colégio que me chamaram de filha da puta e…

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Rindo do quê?

Fernanda Pompeu* A morte se anuncia quando paramos de rir. Meu pai foi um sujeito de várias risadas. Ele tinha o humor da provocação. Quando tudo soava calmo ou careta demais, ele soltava uma frase ou fazia um gesto para bagunçar o coreto. Mesmo sem ter lido o poeta Torquato Neto (1944 -1972), papai fazia acontecer os versos: Vai bicho desafinar / o coro dos contentes. Só quando a doença se apossou é que seu…

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Arruma, rearruma e desarruma

Marli Gonçalves* Esta é a nossa vida. Fazemos isso o tempo inteiro, numa espécie de TOC que é comum a todos. Já notou? Pode ver aí que você também tem alguma coisa ou ocasião que tem esse faniquito. Tira dali, põe aqui. Troca. Por exemplo, nossas finanças – quer coisa que a gente mais arrume, desarrume e rearrume? Há também os momentos troca de estação, quando temos de virar o armário ao contrário ou quando…

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Eduardo Galeano nosso, dos ninguém

Ilka Oliva Corado* Diante da má notícia com que amanhecemos e que nos dói tanto, escrevi estas palavras para despedir de Eduardo Galeano. Os intelectuais escreverão seus pergaminhos como bons letrados mas nós, os párias, os ninguém, o pranteamos na nossa realidade de explorados. É dessa situação escrevo. Sempre estive convencida de que os seres extraordinários se vão em dias aziagos, de céus encobertos chorando cântaros de chuva. Eduardo Galeano se foi em um dia…

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Telefone de Deus vai dar ocupado

Marli Gonçalves* Deus me livre de imaginar que o povo está todo apelando para Deus porque está é jogando a toalha de tal forma que vai parecer muito aquele filme do piloto que sumiu, por isso que é preciso apertar o cinto e tal, pensa só. Apertar o cinto já estão mandando. Não olha agora, mas repara: o piloto sumiu. Agora, mandar e creditar ao Senhor a correção de tantos rumos desajustados? Sei não se…

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Ô Véi, vamos falar dos véios?

Marli Gonçalves* É véi para lá. Véi pra cá. Fala aí, véio! No pobre linguajar que se instala na nossa população o vocativo “Véi” virou uma daquelas pragas – de gíria e de muleta oral e verbal – que ninguém sabe onde começou nem quando vai acabar. O problema é que a rapaziada não sabe nem que o tal Véi/ véio que eles chamam significa velho: dito com uma certa preguiça, sarcasmo e ironia característica…

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Para cantar quando o Carnaval passar

Marli Gonçalves* Agora a gente não se guarda mais para quando o carnaval chegar. Guarda e estoca coisas para quando o carnaval passar. Como as coisas mudam, não? Antes, falávamos em encher os canecos, e estávamos nos referindo ao chopp e à cerveja. As marchinhas hoje ganharam novos sentidos e vamos precisar qu sejam entoadas por algum bloco na rua para que sejam ouvidas. Esse texto espera que você lembre as melodias para a gente…

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Jornalismo: profissão João Bobo

Marli Gonçalves* Bate no centro, pela direita, bate pela esquerda, soca, soca, soca; verga, mas não cai. Jornalista, com orgulho muito especial e carinho pela profissão que escolhi, embora tenha hora que um desânimo sem medida tome conta, vejo que viramos mesmo belo saco de pancadas, de um lado; culpados pelos problemas do mundo, de outro. Mal amados, malvistos. A chacina em Paris, contra o que é mais difícil de encontrar inclusive no jornalismo, o…

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Efraín Rúa dribla a morte

“Eram tempos de mudança e de rebelião. O Peru estava à beira da explosão, milhares de camponeses se levantavam para a recuperação de suas terras e os latifundiários calavam os protestos a sangue e fogo. O país tinha ungido a Belaunde graças a promessas como a realização da reforma agrária e a recuperação das jazidas de petróleo de La Brea e Pariñas, em mãos da International Petroleum Company (IPC). Mas o Congresso, dominado pela Coalizão…

Retrospectivas e umas perspectivas

Marli Gonçalves* Já começou. Nos próximos dias vai ser um tal de olhar para trás e lembrar tudo de ruim – coisa boa, pensa bem, foi pouca – que aconteceu nesse ano, que a gente vai ficar enjoado. Acho meio chato sofrer de novo, principalmente com as mortes. Também ando lendo muito sobre troféus Melhores de Alguma ou Qualquer Coisa 2014 e acabo surpreendida: como é que eu nunca tinha ouvido falar nessas pessoas tão…

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Prêmio Rose Marie Muraro

Fernanda Pompeu* Clara Charf, Herilda Balduino de Sousa, Lenira Maria de Carvalho, Mireya Suárez, Moema Viezzer e Neuma Aguiar foram agraciadas com o Prêmio Rose Marie Muraro: Mulheres Feministas Históricas, destinado para ativistas com mais de 75 anos. A iniciativa vem da parceria entre a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Cada uma receberá 50 mil reais pelos serviços prestados em prol da cidadania…

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Brasil 40 graus

Fernanda Pompeu* O livro 1964 na visão do ministro do Trabalho de João Goulart, escrito por Almino Affonso, se parece com o filme Titanic. Todos que foram ao cinema sabiam do naufrágio final. Assim como os leitores do livro sabem que o golpe de 1964 afundou, por mais de duas décadas, a democracia brasileira. Então qual a graça em ver um filme ou ler um livro, se conhecemos o fim? Pelo encanto do roteiro que…

Ditadura Nunca Mais
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1964 + 50

Fernanda Pompeu* Histórias de pessoas de carne e osso – e também de personagens de papel – que, a partir de 1964, viveram na roda viva da ditadura militar. Episódios quinzenais toda quinta-feira. Quando vi meu pai morto, faz um ano, pensei para me consolar: ele teve uma vida imensa. Conheceu o fracasso, mas também o sucesso. Tentou, errou, tentou novamente. Foi homem capaz de uma consistente história de amor de vida inteira com a…

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Corações partidos

Marli Gonçalves* Sempre achei superbonito aqueles casais que, para consagrar seus amores, mostram-se amarrados, carregam coisas complementares em pedaços e que, quando juntas, retomam a unidade, completando-se de forma romântica. Feitas de material nobre, as peças podem ser moedas, anéis, chaves,/cadeado, e o coração, este cortado em duas partes com ziguezague que se encaixam perfeitamente. Infelizmente, nesse nosso amor por uma sociedade justa e moderna agora estamos divididos e tão cedo ou dificilmente essas nossas…

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Getúlio Vargas: Um tiro completa 60 anos

Fernanda Pompeu* Meu saudoso pai comprava flores no mercado municipal de Taubaté – Vale do Paraíba -, quando a florista esbaforida soltou a bomba: Acabei de ouvir no rádio que o velho se matou! O velho era Getúlio Dornelles Vargas, presidente do Brasil. O rádio, em 1954, era o principal veículo pelo qual os brasileiros ouviam músicas, programas humorísticos e notícias. TV era bem de ricos. O que se seguiu foi uma agitação gigantesca. O falecimento de um presidente…

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O professor

Fernanda Pompeu*  Histórias de pessoas de carne e osso – e também de personagens de papel – que viveram na roda viva da ditadura militar. Não havia nenhuma chance de um mal-entendido quanto ao local e horário. No 31 de outubro de 1975, toda São Paulo estava sabendo que na Catedral da Sé, o católico Dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o pastor James Wrigth celebrariam uma missa em memória do jornalista…

Israel
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A dor de ser e não ser judia

Natalia Keller Trajber* Há dias me sinto incomodada com um dos temas que, de tempos em tempos, emerge de maneira sangrenta, trazendo consigo dores intensas, dramas insuportáveis e, para mim, um sentimento imenso de impotência, injustiça, desumanidade e aparente abismo intransponível. Vou tentar explicar, mas peço paciência e, antes de mais nada, a suspensão dos apressados pré-julgamentos, pré-linchamentos e afins, ok?! Os que conhecem minha história sabem de minha origem judaica, origem esta que embora…