Crônicas

Resistir, resistir, resistir

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Teria sido tão fácil para a Cristina no dia seguinte ao fim do seu mandato agarrar suas coisas e viajar para o exterior; já havia cumprido o que lhe correspondia como chefe de governo. A mesma coisa podia ter feito Dilma quando lhe deram o golpe de Estado, o que era mais fácil: ir embora sem olhar para trás. Mas…

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A verdade atrás de uma máscara

“Todos os truques para dissimular, enganar ou convencer, revelam uma mentira.” Carolina Vásquez Araya* Quando um governante se sente encurralado pelo fracasso de sua gestão, sua primeira reação é insultar, atacar ou ameaçar a Imprensa e depois -como um ato absolutamente contraditório- buscar apoio de especialistas em estratégias de comunicação para iniciar uma campanha capaz de restaurar sua empobrecida imagem…

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Envelhecer é o quê?

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“Faz nove anos recebi o crachá de velha. Aconteceu na linha verde do metro paulistano. Uma mocinha, sentada no assento preferencial, ao me ver se levantou prontamente cedendo o lugar para mim. Meu impulso bem-educado pensou em dizer: Obrigada pela gentileza, mas com os meus 52 anos ainda não ganhei o direito de sentar no banco preferencial, que é líquido…

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Perdeu-se o rumo e a empatia

A perda de valores e de sensibilidade humana é o maior dos problemas da humanidade. Carolina Vásquez Araya* Quando à solidariedade e à empatia se antepõem o interesse pessoal, a preeminência de um sistema de crenças políticas ou religiosas e a busca do sucesso –expressado fundamentalmente em termos materiais– resulta indefectível a perda de sensibilidade humana ante os outros, dado…

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Passeios pela água doce

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A Terra é azul! exclamou o astronauta Yuri Gagarin ao avistar, do espaço, nosso planeta. Azul porque 3/4 do planeta são água. No entanto: menos de 3% de toda água da Terra é doce. Boa parte da água doce está em lugares de difícil acesso: calotas polares e subterrâneos. Adivinhou? A água doce é um tesouro! Fernanda Pompeu* 1 Água…

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Guatemala: A bolha por trás das grades

As constantes crises que atualmente ocorrem na Guatemala trazem reminiscências de passadas ditaduras. Carolina Vásquez Araya* É muito lindo viver em democracia. Ter a suficiente liberdade de pensamento para opinar abertamente sobre qualquer coisa, desde uma banal piada até os temas profundos da sociedade; caminhar pelas ruas sem medo de sofrer uma morte não programada na agenda do dia e sobretudo…

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A dignidade imprescindível do povo equatoriano

Nestes momentos de alegria e festa na América Latina pelo triunfo da Aliança País, é necessário recordar que tudo na história contemporânea teve início com o sonho de um “Ninõ Arañero” (1) (moleque bamba), vendedor de doces de mamão nas ruas de sua terra natal Venezuela. Resumo sua origem porque somos feitos de Memória Histórica e identidade. Meninos como Chávez…

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Álvaro Lins

Encontrei pela primeira vez Álvaro Lins em São Paulo, em l960. Tinha-lhe escrito quando ele era embaixador em Lisboa e concedera asilo ao general Humberto Delgado. A decisão, tomada sem consulta a Brasília, desagradou ao Governo de Juscelino Kubitschek e enfureceu Salazar. Miguel Urbano Rodrigues* A sua resposta à minha carta comoveu–me. A empatia, quando o abracei pela primeira vez, foi…

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Meio século depois: Tolstoi e a Revolução

Percorrendo a estrada de muitos rencontros com autores que descobri na juventude, reli nas últimas semanas O Caminho dos Tormentos, de Alexei Tolstoi. Miguel Urbano Rodrigues* Lido em Conakry em l961, provocou em mim o terremoto interior que infletiu o rumo da minha vida. O choque emotivo e ideológico desencadeado pela trilogia de Alexei Tolstoi conduziu-me à opção comunista e…

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Tempos Brutos

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Desde garotinho preferiu o não ao sim, a tentativa à certeza. Esse temperamento não correspondia às fantasias dos pais e professores. Fernanda Pompeu* Ele era uma ave rara no meio de um rebanho rotineiro. De avós a netos, todos haviam encarado a vida como uma biblioteca de tramas já escritas. Na qual bastava estender a mão, colher um volume e…

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Teixeira Gomes e o envelhecimento

“E a parte mais dolorosa da senilidade consiste em assistir, consciente mas impotente, à nossa própria ruína mental! (…) a vista já muito mal me serve e a minha memória é um vidro transparente onde logo se apaga tudo quanto nela se reflete”. Miguel Urbano Rodriguez* São palavras de Teixeira Gomes, anotadas em 1938 no quarto do hotel em Bougie…

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Poderosas Mulheres

“Escuta, formosa filha do amor, as instruções da prudência, e permite que os preceitos da verdade penetrem profundamente em teu coração, assim os encantos de tua mente darão brilho à elegância de suas formas, e tua beleza, como a rosa a qual se assemelha, conservará sua doçura mesmo depois de murchada”. Olavo Câmara* Portanto, você mulher, mãe e amiga receba…

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Le fil rouge – Una saga revolucionária

LE FIL Rouge** (O Fio Vermelho) é uma saga. Apresenta-se como romance, mas enquadra-se mal nesse gênero literário. Miguel Urbano Rodrigues* Gilda Landino Guibert escreveu um poema revolucionário em prosa que projeta os leitores para cenários de luta pela liberdade e pela transformação do mundo. O sujeito é simultaneamente individual, uma família, e coletivo, os italianos de aldeias da Toscana…

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Os futuros líderes

As debilidades do sistema marginalizam e condenam a infância. Carolina Vásquez Araya* Imagine que nasceu onde a maioria das meninas e meninos neste planeta: uma choça humilde com chão de terra e um teto que sai voando a cada inverno. Uns pais frustrados, cansados e carentes das ferramentas educativas capazes de oferecer uma saída aos seus múltiplos problemas. Um sistema…

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As migrantes em trânsito

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Saem de suas casas: em municípios, aldeias, casarios, arrabaldes… sem rumo fixo, como folhas secas arrastadas pelo vento, mortas em vida, caluniadas, golpeadas, abusadas, rechaçadas e estigmatizadas. Ilka Oliva Corado* Pouco se sabe delas: são invisibilizadas, o Estado as marginaliza, a sociedade as exclui, o classismo, o racismo e os resquícios do patriarcado. Seu país as obrigam ao abandono e…

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Diversidade: Meu nome é existir

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Então chega a segunda-feira. No cafezinho, a colega conta que a viagem com o noivo foi 10, ruim mesmo só a fila no aeroporto. O chefe diz que passou o domingão no sofá, ele e a mulher botaram em dia a pipoca e os capítulos atrasados do Homeland. O estagiário, deixando a timidez de lado, confidencia que conheceu uma garota…

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As vozes silenciosas

De nada serve uma voz de alerta quando não há quem a escute nossas vozes. Carolina Vásquez Araya* Não sei em qual síndrome poderia encaixar, mas em minha mente surgem algumas cujas características incluem grande tolerância à dor, uma constante tendência ao ensimesmamento, diminuição da atenção, da memória e outras funções indispensáveis para o desempenho normal de uma pessoa ou…

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Saúde ao meu pai: De filhas e pais

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A última vez que eu o vi, me disse meu paizinho: “Preta, eu vou morrer”. Fria e direta como é natural em mim, eu respondi sem sentir pena: “paizinho, não fique chateado, todos nós vamos morrer”. Quase um mês depois ele faleceu, a notícia nos chegou de longe, na diáspora, a milhares de quilômetros da Guatemala, há apenas cinco dias.…

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Em Paris pela última vez

Quando alguém tem uma profunda consciência histórica -como é o caso de Miguel Urbano- mesmo as reflexões mais íntimas e pessoais têm o cunho não apenas de um ser humano individual, mas o de um tempo comum. A sua história pessoal nunca foi e nunca é apenas pessoal. Miguel Urbano Rodrigues* Mais de uma vez ao longo da minha extensa…

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Miguel Urbano Rodrigues: Istambul, cidade mágica

Tenho dificuldade em encontrar palavras para expressar o que senti ao chegar a Istambul pela primeira vez. A cidade, fundada há 25 séculos, fascinou-me. Transcorrido mais de sessenta anos, Istambul continua a ser para mim enfeitiçante. Miguel Urbano Rodrigues* Voltei agora em fevereiro para mais uma despedida. Passaram apenas cinco anos desde a última visita. A primeira surpresa foi rever Santa…

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A farsa do dia de Ação de Graças

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Não há nada mais falso, mais ruim, mais soberbo nos Estados Unidos que celebrar o Dia de Ação de Graça. É a celebração mais importante depois do 4 de julho, a terceira é o Natal. Ilka Oliva Corado* Amparados numa história falsa, escrita pelos genocidas que invadiram este país e exterminaram os nativos do norte do continente, celebra-se a cada…

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Guatemala: O pedaço mais apetitoso

Num jogo de suposições, usemos a imaginação. Carolina Vásquez Araya* “O tráfico de pessoas com finalidade de exploração sexual é um drama humano e social, uma violação aos direitos humanos e um delito. É uma prática ilegal que afeta especialmente meninas e meninos e adolescentes, roubando-lhes a inocência e a dignidade. Constitui um crime inaceitável que transgride direitos fundamentais, enquanto…

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Bartolomé de las Casas, o protetor dos índios

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Talvez tão famoso como o navegador Cristóvão Colombo, o sevilhano Bartolomé de Las Casas (1474-1566), encomendeiro e sacerdote passou à história de América como protetor dos índios e historiador a destruição do território. Marta Denis Valle* Esse personagem passou quase que a vida inteira ligado a conquista da América, do que é considerado um dos principais cronistas, mas mudou de…

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Do ódio ao inimigo

Quando temos um inimigo – e estamos em luta contra esse inimigo – suspendemos a crença de que nele há um ser também capaz de algo bom. Abstraímos suas características de ser humano como nós. Passamos a vê-lo como um ser achatado, sem família, sem sentimentos, sem uma vida que, para ele, certamente é tão preciosa quanto, para nós, a…

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Nossas terríveis armas

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Mãos ao alto! Agora, sim, de vez, chegamos à conclusão que somos, nós mesmos, armas; e que tudo pode mesmo ser ou virar arma. Que de um segundo a outro algo pode vir de qualquer lado e estragar tudo. Só com corações e mentes desarmadas poderemos nos sentir seguros. Marli Gonçalves* Andamos todos nós armados até os dentes. Aliás, literalmente,…

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O príncipe menstruado

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Três meninas. Denise, Fátima e eu. A tarde era de um domingo medíocre e acalorado. A brincadeira, proposta por Fátima, consistia em representar uma cena teatral: o momento em que o príncipe encantado beijava a bela adormecida, acordando-a de um sono enfeitiçado para uma vida fausta em promessas principescas de amor, filhos e paz. Fernanda Pompeu* A falta de cenário…

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Escute, sou vítima de tráfico

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Quando vivia na Guatemala ouvi uma mãe de família dizer, referindo-se a uma jovenzinha que trabalha em um bar (na Guatemala são chamados de bares os centros noturnos parecidos com cantinas onde também se oferece serviço sexual, também chamados de prostíbulos) como garçonete e tinha três filhos de diferentes pais, era mãe solteira: “Essa está aí porque é uma puta…

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Desafinando o coro dos contentes

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A frase do título é verso de Torquato Neto (1944-1972). Poeta que em sua brevíssima vida desafinou as mesmices do redigir. O cara experimentou para valer e pôs a alma para fora. Salve, menino Torquato! O craque da máquina de escrever. Fernanda Pompeu* Foi pensando no poeta e letrista piauense que me recordei do carioca Carlos Lamarca (1937-1971). Não que…

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Pode me escutar um minuto?

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Tem de pedir por favor? Pagar? Comprar uma ficha? Você diz uma coisa e respondem outra. Ninguém mais dá mais atenção um ao outro? Reparou? Será que alguém pode me escutar um minuto? Virou uma competição de egos, de desgraças, coisa para novos estudos sobre intercomunicação e a nova Torre de Babel. Marli Gonçalves* Melhor falar com o espelho, com…

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Quente ou frio?

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Quando eu era menina, mas se bobear ainda gosto, jogava muito “quente ou frio? “- para qualquer coisa. Você tentava adivinhar algo, ou encontrar um objeto escondido, e se fosse chegando perto, a coisa ia esquentando, pegando fogo… Se distanciasse, ia ficando frio, gelado, glacial! E caímos na risada. Como é bom cairmos na risada, coisa que há tempos não…

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Feliz dia, mãe…

Feliz dia, vão te dizer solenemente como se tiveste realizado uma proeza, porém não. Deste à luz um filho sem que o quiseste, quase sem saber, um filho que ao chegar, nos teus 12 anos apenas, marcou o início de uma etapa sem perspectivas. O pequeno produto de um ato de baixeza infinita que acabou com tua infância e a…

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O Eduardo Galeano dos ninguéns

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Em 13 de abril se completou um ano da morte de Eduardo Galeano. Diálogos do Sul lhe presta homenagem com esse texto de uma guatemalteca, mestiça de negra e índia que vive indocumentada em território de Estados Unidos. Ilka Oliva Corado* Sempre estive convencida de que os seres extraordinários nos deixam em dias funestos, de céu encoberto chorando cântaros de…

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Censurar os párias e iletrados

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Ilka Oliva Corado* Tudo vai bem com meus textos enquanto não apoio as conquistas progressistas dos governos latino-americanos que se uniram ao sonho do menino que vendia aranha (alusão a um conto de Eduardo Galeano). Tudo vai bem com meus textos enquanto me calo frente às injustiças que sofrem os imigrantes que não têm documentos nos Estados Unidos. Tudo vai…

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Sempre alerta, que estado é este de viver?

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Marli Gonçalves* Já ia mesmo falar sobre isso. Sobre o medo, o estado constante de alarme, de alerta, de atenção, aqueles que decretamos por nós mesmos praticamente todos os dias. A sexta-feira de terror e sangue em Paris, no entanto, mostrou que os horizontes do perigo passaram a ser ainda maiores, mais mortais e complexos. Fica difícil viver em paz…

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Sua excelência, o rádio

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Fernanda Pompeu* Muito antes dos iPods e similares colados nos ouvidinhos, houve os rádios de tomada e depois de pilha. Pelo Brasil profundo eles ainda resistem, apesar do assombroso avanço dos smartphones. Mas bem mais interessante do que o aparelho em si, é viajar para atrás no relógio e encontrar a importância do rádio antes que a televisão roubasse as…

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Sonhei que eu era a Dilma

Maria José Silveira* Como em todo sonho, eu não reconheci bem onde estava. Era um quarto, o meu quarto no Palácio da Alvorada, mas era como se nunca estivesse estado lá. O que não tinha a menor importância; o que importava era decisão que eu havia tomado. O primeiro que fiz foi me vestir do jeito que gosto: calça preta…

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O nigeriano

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Ilka Oliva Corado* Há alguns dias fui tomar café da manhã com um amigo. O restaurante estava repleto, tínhamos que fazer fila para entrar; é uma beleza italiana onde se come bem e confortavelmente e tornou-se nosso restaurante favorito para os cafés da manhã. A mulher que recebia os fregueses me deu um número, era o 60; e estavam só no…

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Contra a América do Sul progressista, nenhuma oligarquia, nenhum império

Ilka Oliva Corado* Acontece que me dizem que não devo morder a mão de quem me dá de comer. Como vivo nos Estados Unidos pretendem que eu solape sua política externa. Que seja arrastada como muitos latino-americanos que encontram aqui a plataforma perfeita para manipular, estruturar e financiar ataques mediáticos contra a nossa Pátria Grande. Dizem que se sou socialista,…

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A pura verdade

Carolina Vásquez Araya* O denominador comum do discurso político é a falsidade. Assim pensam aqueles que desejam conquistar um espaço e acham que é impossível fazê-lo sem mentir, porque segundo eles ninguém dará um voto a quem destroce suas aspirações. Por isso: “em meu governo será dada prioridade às necessidades do povo”, “quando me elegerem presidente as coisas vão mudar…

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Barba, Cabelo e Bigode

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Marli Gonçalves* Pensei que a modernidade seria mais pelada, lisinha. Bem, para nós, as mulheres, até que rolou, meio institucionalizada a depilação. Pelos? Só cabelos, que jogamos para lá e para cá no tal jogo da sedução. Só que agora os homens resolveram mostrar seus personagens e foram desencavar a barba. Correndo! – tem até mulher usando também e não…

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Todos nós fomentamos o tráfico de pessoas

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Ilka Oliva Corado* O tráfico de pessoas é um tema escabroso que como sociedade de dupla moral preferimos manter à margem da bolha de apatia em que vivemos. Não é que não seja de suma importância tratá-lo, denunciá-lo e agir para combatê-lo. Precisamente porque é uma realidade crua e nos exige consciência é que preferimos ignorá-la, mas o que aconteceria…

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Escrever e falar como aldeã

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Ilka Oliva Corado* Acontece que quando escrevo ou quando falo me dizem que o faço como aldeã e não como profissional (as pessoas têm um conceito equivocado do que é profissionalismo que nada tem a ver com títulos universitários). Quando falo, dizem que o faço como alguém do interior e exigem que fale como cidadã letrada da capital. Passo. Eu…

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No Mês do Orgulho LGTB, nós os Queer

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Ilka Oliva Corado* Muitas vezes me recomendaram não falar disso em público porque diminui o meu “prestígio” e fará com que muitos leitores se afastem. Eu me nego, porque o tema dos Direitos Humanos e Direitos Civis das pessoas com diferente identidade sexual deve ser exposto e a luta deve se realizar a plena luz do dia, da mesma forma…

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Medo

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Marli Gonçalves* A voz de pato, a cara borrada, cada vez mais medo, até para falar de assuntos banais agora há medo, presente, todo dia, toda hora. Qualquer lugar, raça, credo, condição social. Repare. Vivemos aterrorizados e não estou falando exatamente de fobias, dos medões, daqueles que só tratamento psicológico resolve. Trato do nosso dia a dia vivendo num país…

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Quando as putas são nossas

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Ilka Oliva Corado* Eu me lembro claramente de um meio dia quando voltava para casa depois da escola quando estava no primário, e que me agarrei aos socos com uns moleques e cheguei em casa toda estropiada e com a barra do uniforme desfiada. Minha pobre mãe que me considerava a filha indomável me perguntou desanimada: e agora, com quem…

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Rindo do quê?

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Fernanda Pompeu* A morte se anuncia quando paramos de rir. Meu pai foi um sujeito de várias risadas. Ele tinha o humor da provocação. Quando tudo soava calmo ou careta demais, ele soltava uma frase ou fazia um gesto para bagunçar o coreto. Mesmo sem ter lido o poeta Torquato Neto (1944 -1972), papai fazia acontecer os versos: Vai bicho…

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Arruma, rearruma e desarruma

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Marli Gonçalves* Esta é a nossa vida. Fazemos isso o tempo inteiro, numa espécie de TOC que é comum a todos. Já notou? Pode ver aí que você também tem alguma coisa ou ocasião que tem esse faniquito. Tira dali, põe aqui. Troca. Por exemplo, nossas finanças – quer coisa que a gente mais arrume, desarrume e rearrume? Há também…

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Eduardo Galeano nosso, dos ninguém

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Ilka Oliva Corado* Diante da má notícia com que amanhecemos e que nos dói tanto, escrevi estas palavras para despedir de Eduardo Galeano. Os intelectuais escreverão seus pergaminhos como bons letrados mas nós, os párias, os ninguém, o pranteamos na nossa realidade de explorados. É dessa situação escrevo. Sempre estive convencida de que os seres extraordinários se vão em dias…

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Telefone de Deus vai dar ocupado

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Marli Gonçalves* Deus me livre de imaginar que o povo está todo apelando para Deus porque está é jogando a toalha de tal forma que vai parecer muito aquele filme do piloto que sumiu, por isso que é preciso apertar o cinto e tal, pensa só. Apertar o cinto já estão mandando. Não olha agora, mas repara: o piloto sumiu.…

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Ô Véi, vamos falar dos véios?

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Marli Gonçalves* É véi para lá. Véi pra cá. Fala aí, véio! No pobre linguajar que se instala na nossa população o vocativo “Véi” virou uma daquelas pragas – de gíria e de muleta oral e verbal – que ninguém sabe onde começou nem quando vai acabar. O problema é que a rapaziada não sabe nem que o tal Véi/…

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Para cantar quando o Carnaval passar

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Marli Gonçalves* Agora a gente não se guarda mais para quando o carnaval chegar. Guarda e estoca coisas para quando o carnaval passar. Como as coisas mudam, não? Antes, falávamos em encher os canecos, e estávamos nos referindo ao chopp e à cerveja. As marchinhas hoje ganharam novos sentidos e vamos precisar qu sejam entoadas por algum bloco na rua…

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Jornalismo: profissão João Bobo

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Marli Gonçalves* Bate no centro, pela direita, bate pela esquerda, soca, soca, soca; verga, mas não cai. Jornalista, com orgulho muito especial e carinho pela profissão que escolhi, embora tenha hora que um desânimo sem medida tome conta, vejo que viramos mesmo belo saco de pancadas, de um lado; culpados pelos problemas do mundo, de outro. Mal amados, malvistos. A…

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Efraín Rúa dribla a morte

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“Eram tempos de mudança e de rebelião. O Peru estava à beira da explosão, milhares de camponeses se levantavam para a recuperação de suas terras e os latifundiários calavam os protestos a sangue e fogo. O país tinha ungido a Belaunde graças a promessas como a realização da reforma agrária e a recuperação das jazidas de petróleo de La Brea…

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Retrospectivas e umas perspectivas

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Marli Gonçalves* Já começou. Nos próximos dias vai ser um tal de olhar para trás e lembrar tudo de ruim – coisa boa, pensa bem, foi pouca – que aconteceu nesse ano, que a gente vai ficar enjoado. Acho meio chato sofrer de novo, principalmente com as mortes. Também ando lendo muito sobre troféus Melhores de Alguma ou Qualquer Coisa…

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Prêmio Rose Marie Muraro

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Fernanda Pompeu* Clara Charf, Herilda Balduino de Sousa, Lenira Maria de Carvalho, Mireya Suárez, Moema Viezzer e Neuma Aguiar foram agraciadas com o Prêmio Rose Marie Muraro: Mulheres Feministas Históricas, destinado para ativistas com mais de 75 anos. A iniciativa vem da parceria entre a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e…

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Brasil 40 graus

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Fernanda Pompeu* O livro 1964 na visão do ministro do Trabalho de João Goulart, escrito por Almino Affonso, se parece com o filme Titanic. Todos que foram ao cinema sabiam do naufrágio final. Assim como os leitores do livro sabem que o golpe de 1964 afundou, por mais de duas décadas, a democracia brasileira. Então qual a graça em ver…

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1964 + 50

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Fernanda Pompeu* Histórias de pessoas de carne e osso – e também de personagens de papel – que, a partir de 1964, viveram na roda viva da ditadura militar. Episódios quinzenais toda quinta-feira. Quando vi meu pai morto, faz um ano, pensei para me consolar: ele teve uma vida imensa. Conheceu o fracasso, mas também o sucesso. Tentou, errou, tentou…

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Corações partidos

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Marli Gonçalves* Sempre achei superbonito aqueles casais que, para consagrar seus amores, mostram-se amarrados, carregam coisas complementares em pedaços e que, quando juntas, retomam a unidade, completando-se de forma romântica. Feitas de material nobre, as peças podem ser moedas, anéis, chaves,/cadeado, e o coração, este cortado em duas partes com ziguezague que se encaixam perfeitamente. Infelizmente, nesse nosso amor por…

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Getúlio Vargas: Um tiro completa 60 anos

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Fernanda Pompeu* Meu saudoso pai comprava flores no mercado municipal de Taubaté – Vale do Paraíba -, quando a florista esbaforida soltou a bomba: Acabei de ouvir no rádio que o velho se matou! O velho era Getúlio Dornelles Vargas, presidente do Brasil. O rádio, em 1954, era o principal veículo pelo qual os brasileiros ouviam músicas, programas humorísticos e notícias. TV era…

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O professor

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Fernanda Pompeu*  Histórias de pessoas de carne e osso – e também de personagens de papel – que viveram na roda viva da ditadura militar. Não havia nenhuma chance de um mal-entendido quanto ao local e horário. No 31 de outubro de 1975, toda São Paulo estava sabendo que na Catedral da Sé, o católico Dom Paulo Evaristo Arns, o…

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Duas filhas da ditadura

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Fernanda Pompeu*   Histórias de pessoas de carne e osso – e também de personagens de papel – que viveram na roda viva da ditadura militar. Novos episódios toda quinta-feira. Já se vão quase trinta anos que minha amiga, num gesto tresloucado e para sempre inexplicável, atirou contra a própria cabeça interrompendo uma mente brilhante. Pois, com 20 anos, ela era…

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Contos da maladita

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Fernanda Pompeu* Em 1975, eu estudava no Colégio Equipe. Para quem não ouviu nada sobre ele, conto aqui. Era um colégio particular com inspiração coletiva e fama de permitir que os alunos se expressassem. Isso numa época na qual a livre expressão podia virar questão de segurança nacional. Nos dias atuais, há garotas e garotos – e velhinhos também -…

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Amantes de aço

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Fernanda Pompeu* Gabriel García Márquez (1927-2014), autor do romance mágico Cem Anos de Solidão e de outras iguarias jornalísticas e literárias, declarou certa vez que para escrever necessitava ter uma flor amarela sobre a mesa. Até parece que o talento de Gabo precisava ser visitado pela inspiração, puro fetiche. Escritores são particularmente tocados por manias. Uma amiga minha, colombiana como…

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Tiros: sobre uma biografia de Getúlio Vargas

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Fernanda Pompeu* Getúlio Vargas (1882-1954) gostava tanto do poder que ao saber de um golpe que o destituiria da presidência da República preferiu dar um tiro no peito. Deixou na sua carta-testamento a célebre frase: Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história. Foi o fim de um homem que passou,…

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