María Stela Cáceres*

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Devemos trabalhar pela paz e o desenvolvimento de um diálogo que possibilite o respeito pelo governo eleito democraticamente na Venezuela.

Venezuela: a responsabilidade na opinião, no julgamento implica um dever de conhecimento da história recente, para ver de longe, a partir do Paraguai, a aplicação de estratégias já conhecidas em sua cuidadosa execução e seus terríveis resultados…

Demasiados exemplos, aqui perto: o Chile de Allende e a greve financiada pela CIA e as mulheres “ingênuas” dos panelaços… O desabastecimento da última etapa do governo de Isabel Perón na Argentina… E ainda antes disso, a queda de Perón em 1955, a derrubada do grande Presidente Arturo H. Illia, em 1966… Para não entrar em exemplos do Paraguai…

Pergunto: Será possível estender o olhar e compreender os processos a longo prazo? Além disso saber e assumir que “os salvadores da pátria” nunca a salvam, afundam-na no autêntico terrorismo de Estado e, nesse contexto, a norte é massiva, os desaparecimentos e a apropriação de bens… o crescimento da dívida externa… e todos os males… que suspendem os direitos humanos.

Compreender isto em relação à Venezuela é um ato de inteligência e de suprema capacidade humana.

Está disponível nas redes sociais demasiado material para que se possa analisar e decidir se estamos na conjuntura, neste atalho violento do caminho ou se passamos ao grande projeto da pátria grande com que se iniciaram nossas nações há dois séculos…

Em consequência, repudiamos todas as violências, nos doem e consideramos cada morte irreparável, mas devemos trabalhar pela paz e o desenvolvimento de um diálogo que possibilite o respeito pelo governo eleito democraticamente na Venezuela.

Aqueles que exigem “democracia” na Venezuela, ignoram, antes de mais nada, o mecanismo essencial da democracia: o voto popular pelo qual um grupo de pessoas se transforma em mandatários e ministros, ou seja, pessoas a serviço do povo… Em um poder obediente dos compromissos assumidos na campanha e que é preciso respeitar os prazos: esta é a maneira “civilizada” de conviver.

Roguemos pelo povo da Venezuela, para que continue seu desenvolvimento que os organismos das Nações Unidas consignam como tal.

Posso fazer estas considerações de respeito ao desenvolvimento dos povos sem ingerências porque trabalhamos no Museu das Memórias: Ditadura e Direitos Humanos e ocupamos o espaço onde se instalou a grande ingerência dos Estados Unidos e junto os aliados que vinham se preparando há muito tempo, que deram o golpe de 4 de maio de 1954… Dois anos mais tarde, instalou-se a Direção Nacional de Assuntos Técnicos, com a assessoria do coronel Robert K. Thierry… Depois vieram os rios de sangue que já são conhecidos… Os milhares de militares e policiais formados e egressos da Escola das Américas, partícipes do Plano Condor…e hoje, novamente oferecem com diplomacia seus serviços de capacitação e apoio profissional…

Volto a dizer, conhecer ou repassar a história recente é um seguro de saúde mental e um seguro para a vida de nossos povos…estes processos, já os conhecemos e sabemos como acabam…

Com dor, com esperança: fé + trabalho, solidariamente pela dignidade dos povos de nossa América.

(*) Agência Pia, Santiago do Chile – Jornalista. Diretora do Museu das Memórias “Ditadura e Direitos Humanos” do Paraguai. – Tradução: Ana Corbisier