O Brasil pintado para inglês ver

A partir desta semana, os moradores do Rio de Janeiro e os visitantes de passagem pela capital fluminense têm duas oportunidades para conferir como o Brasil era retratado por europeus nos 300 anos que antecederam a invenção da fotografia.

Começa nesta sexta-feira (29), no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, a exposição "Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826", que traz o trabalho feito pelo pintor nos cinco meses em que esteve no país, além de pinturas feitas em Portugal.

O pintor inglês Charles Landseer, que veio para o Brasil em 1825, tinha uma missão um tanto quanto especial: ele era o artista oficial da missão diplomática britânica, que, sob a chefia de Charles Stuart, negociaria o reconhecimento da independência brasileira em Lisboa.

Além do Rio de Janeiro, onde se impressionou com a vegetação e com a relação brasileira com a escravidão, Landseer passou por Recife e Olinda, Salvador, Vitória, Santos, São Paulo e Desterro (hoje Florianópolis).

Quando voltaram para a Inglaterra, Stuart confiscou os mais de 300 registros feito por Landseer, afirmando que tinha o direito, como chefe da missão.

A exposição fica no Instituto Moreira Salles até o dia 18 de abril.

Brasil-Colônia

Dois séculos antes, em 1637, o holandês Frans Post chegara ao Brasil com comitiva de Maurício de Nassau, com uma missão parecida com a do pintor inglês – registrar suas impressões da terra até então desconhecida. Nos anos que passou em Recife, Post registrou, além da vegetação brasileira, animais e costumes dos habitantes, os engenhos de açúcar que movimentavam a economia local.

Na época colonial, relatos de escrivães e pinturas de artistas europeus eram a melhor forma de as monarquias europeias terem uma ideia sobre o que se passava nas novas terras, já que não pretendiam visitá-las. Os pintores tiveram um papel importante para a história do país, porque registraram não apenas os costumes do Brasil como também criaram a chance de ver o país por olhares europeus.

Hoje, parte da obra de Frans Post está no acervo do MNBA (Museu Nacional de Belas Artes), também no Rio de Janeiro, que após três anos é novamente exposto ao público. Cinco pinturas (algumas das primeiras feitas do país) estão expostas na Sala Joaquim Lebreton.


(Sarah Germano)

SERVIÇO

Instituto Moreira Salles
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea. De terça a sexta, 13h às 20h (às 17h, visita guiada); sáb., dom. e feriados, 11h às 20h. Entrada franca.
Museu Nacional de Belas Artes
Av. Rio Branco, 199, Cinelândia. De terça a sexta, 10h às 18h (às 17h, visita guiada); sáb., dom. e feriados, 12h às 17h. Entrada: R$ 5 (grátis aos domingos).