04/02/2010 - 12:27 | Mauricio Savarese | São Paulo

"Time do Katrina" vence o Super Bowl, a final do futebol americano

O New Orleans Saints, equipe estreante em decisões que era medíocre até a cidade ser arrasada pelo furacão Katrina, bateu o favorito Indianapolis Colts na decisão

Para muitos norte-americanos, pouco interessa o que acontecerá na África do Sul entre 11 de junho e 11 de julho deste ano. O ápice da temporada lá aconteceu no domingo (7), em Miami, quando o New Orleans Saints bateu o Indianapolis Colts na 44ª edição do Super Bowl, a final da liga de futebol americano. O placar de 31 a 17 ajudou a recuperar a moral da cidade mais afetada pelo furacão Katrina em agosto de 2005.

Raras vezes o país se uniu tanto em torno de uma equipe - não só pela condição de azarão, mas também pela necessidade de dar boas notícias a Nova Orleans pela primeira vez em cinco anos. Até o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que torceria pelo time de Nova Orleans.

O ápice da temporada foi definido depois de finais de conferência (Americana e Nacional) apontarem as melhores equipes do ano. Os Colts, liderados por Peyton Manning, um dos melhores passadores de bola do campeonato, bateram o New York Jets por 30 a 17 em uma partida emocionante. No fim do segundo período, o time de Indianápolis, em casa, perdia por 11 pontos. Até que começou sua reação com reforço na defesa. Mais eficiente, marcou 17 pontos e venceu.

Nessa mesma partida, Manning, um dos mais famosos quartos-zagueiros (passadores) da história do esporte, finalizou 26 de 39 lançamentos e propiciou três touchdowns – jogada em que um atleta leva a bola além da linha de fundo do adversário e marca seis pontos. Ele chegou ao Super Bowl como o primeiro jogador a terminar sete jogos dos playoffs com passes completados que, somados, superam 300 jardas. Nem o mítico Joe Montana, lançador do San Francisco 49ers em sua melhor fase – tanto que virou nome de jogo de videogame – conseguiu tanto.

Para chegar à final, os azarões Saints passaram pelo forte Minnessota Vikings por 31 a 28, na prorrogação. Até a tragédia abater Nova Orleans em 2005, o time era medíocre. Os torcedores da equipe creditam o melhor desempenho ao espírito de superação de toda a cidade. Em 2006, uma derrota na final da conferência para o Chicago Bears adiou o sonho de conquista do anel de campeão do futebol americano, conquistado naquela ocasião exatamente pelos Colts. Neste ano, a chance chegou após um chute a 40 metros da meta que foi acertado por Garret Hartley – novo herói da cidade.

Para especialistas, a temporada da liga de futebol foi atípica, já que os dois últimos vencedores do Super Bowl, o New York Giants e o Pittsburgh Steelers, nem sequer se classificaram para os playoffs (finais). Entre os 16 finalistas, figuraram apenas quatro dos últimos 12 campeões. "O Colts foi muito mais consistente na temporada. As duas equipes ficaram invictas durante quase toda a temporada regular, mas o Colts mostrava muito mais solidez”, disse ao Opera Mundi o editor da revista ESPN, Ubiratan Leal. “Tanto que só perdeu quando cumpria tabela, jogando com reservas. O Saints tem um ataque espetacular, mas foi irregular em vários momentos e a defesa mostrou vulnerabilidade na temporada. No jogo que valia tudo, a defesa foi bem.”

Negócios à parte

Três milhões de dólares. É essa a quantia que uma empresa pode gastar para anunciar na televisão por 30 segundos no intervalo do Super Bowl. Quase sempre também têm de bancar peças publicitárias caríssimas que irão ao ar apenas uma vez. Mesmo assim, parece compensar: além da tradição de criações que se tornam influentes na publicidade em todo o mundo, os anunciantes têm à disposição uma audiência de até 100 milhões de americanos consumidores e muitas vezes endinheirados. Sem falar no resto do mundo.

Mais animado depois do Super Bowl em ano de crise econômica, em 2009, a CBS – rede que transmite a competição – recebeu novos anunciantes. Mas a gigante Pepsi optou por romper um acordo de mais de 20 anos com a organizadora do futebol americano para investir 20 milhões de dólares em uma campanha social.