10/02/2010 - 10:58 | Mauricio Savarese | São Paulo
O vilão é o zagueiro do Chelsea, John Terry, que após se envolver com a namorada de um colega, perdeu a braçadeira de capitão e o respeito de boa parte do país
Até duas semanas atrás, o capitão do Chelsea e da seleção inglesa, o zagueiro John Terry, era um dos homens mais respeitados da Inglaterra. Para os torcedores do time londrino, o melhor atleta a vestir sua camisa na história. Levantaria a Copa do Mundo caso uma das mais habilidosas gerações do país triunfe na África do Sul. Tudo isso está em dúvida após Terry admitir um relacionamento extraconjugal com a namorada de um colega de equipe. Não se fala em outro assunto na terra da rainha.
A relação com a modelo francesa Vanessa Perroncel, no segundo semestre do ano passado, durou quatro meses. Terry é casado, tem dois filhos e ainda jogará na seleção ao lado de sua vítima, o lateral Wayne Bridge, ex-Chelsea e agora no Manchester City. A mídia inglesa informou que o zagueiro se ofereceu para pagar dois milhões de libras para que a beldade não revelasse o caso. O pedido não foi atendido e, por conta disso, o técnico da Inglaterra, Fabio Capello, tirou do jogador do Chelsea sua braçadeira de capitão. “Ele não conta mais com o respeito dos colegas”, disse o treinador italiano a interlocutores.
No futebol inglês, ser capitão de uma equipe é tão importante quanto ser o artilheiro. Em um país que valoriza as tradições e a estirpe dos seus atletas e clubes, Terry era considerado “o capitão dos capitães”. Não apenas por sua capacidade técnica – foi duas vezes eleito o melhor defensor da Europa – como por sua participação em campanhas humanitárias, espírito de liderança no time e elogios dos treinadores do Chelsea, que o consideram seu principal assistente em campo para posicionar os jogadores.
Até políticos intervieram, questionando inclusive a possibilidade de Terry representar a Inglaterra na Copa do Mundo em junho. “No campo ele é um jogador fantástico e um bom capitão da Inglaterra, mas para usar a braçadeira você tem de ter outras responsabilidades para o país. E se essas suspeitas foram provadas, e por enquanto são apenas suspeitas, isso coloca em questão a condição dele de ir ao Mundial”, disse Gerry Sutcliffe, ministro dos Esportes.
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Nos jogos do Chelsea, o clima é de comoção pela postura de Terry, que evitou ir além de um pedido de desculpas aos ingleses, à esposa – que já pediu o divórcio - e a Wayne Bridge. Faixas pedem a Capello que revise a decisão, declaram apoio e pedem ao Chelsea que não tome a mesma decisão. Jogadores de times rivais também se manifestaram pedindo que o clima não contamine a seleção inglesa, que chega ao Mundial como uma das favoritas. Apenas os fãs do Manchester United – de Rio Ferdinand, próximo capitão do time nacional – e do Manchester City – equipe de Bridge – parecem não se empolgar com a campanha.
Gerry Penny/EFE (07/02/2010)
Torcedores do Chelsea carregam em Londres faixas com os dizeres "só há um capitão do
Chelsea" e "Exército azul de John Terry", em apoio ao zagueiro
Bridge está afastado dos gramados há dois meses e deve voltar nas próximas semanas. O jogador sofreu uma lesão no joelho durante a partida contra o Chelsea de Terry e, desde então, recupera-se do problema físico. O técnico do Manchester City, Roberto Mancini, afirmou que o jogador está superando o problema e que isso não vai interferir no desempenho dele em campo. “A vida privada não é importante. Bridge tem trabalhado muito bem em campo, e isto é o que importa”, disse o treinador.
Em uma partida do campeonato inglês, jogadores do Manchester City se manifestaram em favor de Bridge, que se limitou a dizer que tem preocupações apenas com o filho de três anos que teve com a modelo. Carlos Tévez, Stephen Ireland e Nigel de Jong entraram em campo usando uma camisa com a inscrição “Team Bridge”.
O zagueiro Terry já tinha vivido sua tragédia pessoal em 2008, quando perdeu o pênalti que daria ao Chelsea o desejado título de campeão europeu. A glória acabou nas mãos do rival Manchester United. Mas ele próprio admitiu que a situação atual é bem mais grave para um homem que no mesmo ano em que traiu a esposa recebeu de uma associação inglesa o prêmio de “Papai do Ano” – ele tem um casal de filhos gêmeos.
Os efeitos da crise sobre a seleção inglesa serão conhecidos no dia 3 de março, em um amistoso contra o Egito, que acabou de se sagrar campeão africano. Uma semana antes, Terry e Bridge podem se reencontrar na partida entre Chelsea e Manchester City, pela liga inglesa. O lateral provavelmente estará mais atento do que nunca à bola nas costas.
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