31/07/2010 - 15:12 | Alfonso Daniels | enviado especial a Puerto Maldonado
Às quatro da manhã, Teresa veste a pouca roupa que trouxe, uma por cima de outra. Ela tem apenas 14 anos e nem sabe aonde está. Espera algumas horas e, ao comprovar que todos ainda estão dormindo, sai em disparada pela entrada do bordel sem olhar para trás. Faz três dias que ela chegou. O lugar é uma cabana coberta de lona azul e forrada com pôsteres de mulheres nuas com um tubo no meio rodeado de cadeiras, onde garimpeiros ilegais vêm tomar cerveja e deitar-se com uma menina.
"Eu corri, corri, corri até encontrar um senhor numa moto que me tirou de lá. Graças a Deus, me salvei. Estava perdida e, além do mais, de noite tudo é escuro, não há lâmpadas nem nada. O policial depois me parabenizou, disse que era um milagre eu ter saído viva, pois lá ninguém se salva. Eles te estupram e te jogam no matagal", conta a menina, que não pode revelar o verdadeiro nome por razões de segurança.
Alfonso Daniels/Opera Mundi
Os bordéis onde meninas são exploradas sexualmente são apenas choupanas cobertas de lona
Passaram-se dois dias desde aquela noite e Teresa fala no único abrigo para crianças exploradas na região de Madre de Dios, no coração da Amazônia peruana, enquanto espera seus pais chegarem de Lima.
A um quarteirão dali, passa a nova rodovia Interoceânica, prevista para ser concluída no fim do ano, provocando uma febre do ouro ao facilitar a chegada de pessoas e suprimentos e, ao mesmo tempo, uma explosão nas redes de prostituição infantil para saciar os apetites sexuais dos garimpeiros.
Entidades de defesa dos direitos humanos estimam que todo ano chegam cerca de 1.200 meninas de 12 a 17 anos aos bordéis em meio aos imensos acampamentos à beira da estrada que servem de ponto de abastecimento dos garimpeiros. Ou, em vez disso, estão nos vilarejos miseráveis do garimpo dentro da mata, em lugares como Guacamayo, Delta 1 e Delta 2, verdadeiros desertos aonde só é possível chegar de motocicleta, por caminhos estreitos que partem da rodovia.
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Os bordéis têm nomes como "FBI" e "Noche Azul" e ficam ao lado de outras cabanas que oferecem lavagem da moto, telefone e futebol na televisão sob um calor forte, mau cheiro do esgoto a céu aberto e uma atordoante música salsa. Assim que a reportagem do Opera Mundi chegou ao vilarejo, duas meninas se aventuraram do lado de fora, mas logo deram meia volta quando um homem fez um gesto com a mão, enquanto a poucos passos dali um grupo de garimpeiros assistia à partida entre Itália e Paraguai na Copa do Mundo.
Promessas falsas
As meninas são trazidas de outras regiões do país com a promessa de trabalhos simples e bem remunerados - que, na verdade, não existem. "Elas recebem propostas para cuidar de bebês, trabalhar em uma loja de roupas, acompanhar crianças à escola por 500 soles (180 dólares) por mês. As garotas se surpreendem, pois uma empregada doméstica em Cuzco, por exemplo, ganha em média 80 soles. Quando chegam, no entanto, são levadas para os acampamentos de garimpeiros e de lá não saem mais", diz Óscar Guadalupe, diretor da Associação Huarayo, que administra o abrigo onde estava Teresa.
Alfonso Daniels/Opera Mundi
Placa indicando a construção da Rodovia Intero-
ceânica, que deve ficar pronta até o fim do ano
Desde outubro de 2008, 72 meninas foram atendidas no abrigo, um edifício simples de madeira com desenhos de crianças sorridentes pendurados nas paredes, em uma rua secundária de Mazuko, porta de entrada da região. Mas nem todas tiveram tanta sorte quanto Teresa. "Havia uma menina de 16 anos que também se negou a atender", lembra Guadalupe.
"O marido da dona do bar a violentou, engravidou e a fez abortar. A menina teve uma infecção terrível. Ele a mantinha trancada com cadeado, até que um dia pediu que ela fosse à farmácia buscar uma vacina. Foi quando ela fugiu".
Dívida eterna
A maioria não consegue nem isso. A polícia afirma que existe uma espécie de acordo de controle entre donos de bares e garimpeiros: quando veem que uma menina escapa, comunicam-se para impedir que ela passe. Das maiores de idade, eles costumam tomar os documentos. Às menores, prometem o pagamento para quando forem embora, o que raramente acontece.
Além disso, põem todos os gastos na conta da menina - desde um copo quebrado até o dinheiro que a cafetina teve de pagar por ela: 5 gramas de ouro, no caso de uma garota de aparência andina, ou 10 se ela for "A1" (ou seja, da cidade). Por isso, as meninas acabam "endividadas" com a aliciadora.
Perguntado se recebe ajuda oficial, Guadalupe faz um gesto resignado: "Não fazem quase nada. Tentamos incentivar intervenções policiais e às vezes temos sucesso, como em fevereiro do ano passado, quando resgatamos 12 vítimas. Mas há dedos-duros na polícia que avisam sobre qualquer intervenção. O que conseguimos é muito pouco, apenas um grão de areia".
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Da Silva
31/07/2010 - 20h16
Nos brasileiros estamos horrorizado que o Presidente LULA do Brasil ( Inacio Lula da Silva) quer dar azilo a uma Iraquiana, que teve um ato ilicito, traicao conjugal, porque ele nao toma parte desta reportagem e com uma URGENCIA socorre estas criancas ? Alias estes homens sao animais, perduram na promiscuidade ate mesmo com suas proprias filhas. Que estas meninas sejam socorridas.
Sergio Soares
01/08/2010 - 20h05
Essa reportagem parece uma cópia do filme " Anjos do Sol" (diretor Rudi Langemann) ou o filme é uma cópia da reportagem. O autor do filme buscou materiais e inspiração em reportagens iguais a essa publicadas pelo "OperaMundi". Certo é que a prostituição infantil é pouco explorada pelo cinema nacional. Recomendo o Filme.
claudio
31/07/2010 - 20h31
Fico indignado que coisas como esta acontecem, e que os meios de comunicação com maior repercução nao divulguem esse tipo de coisas, para que acham uma maior sensibilidade das autoridades e cobrança das pessoas. Parece que estão acontecendo as escuras......gente kadê os meios de comunicação.....kadê as autoridades.....nao podemos aceitar isso..................é vergonhoso pra todos nós.....
Adriano
31/07/2010 - 20h36
Onde está o nosso exercito que não faz nada????
É uma vergonha nacional Sr. Lula!!!!!!!!!!
Nélia Franco
31/07/2010 - 21h26
Que mundo é esse em que vivemos! Para que defendemos o direito de nascer? Seria melhor defendermos o direito de NÂO nascer! Essas meninas não deveriam ter nascido, porque o Mundo não lhes oferece nada de bom! É terrível imaginar-se na situação dessas meninas, não podemos lavar as mãos. Mas, o que fazer?
Ellen Herculano
31/07/2010 - 21h30
Eu como Assistente Social, demosntro o meu repudio e vejo que essa questão social necessita de grande enfrentamento, de bandeiras e de politicas publicas no sentido de ame ou minimizar essa grande chaga social que assola nossas crinças e jovens.
Hélio Jacinto Pereira
31/07/2010 - 21h33
Parece que este Reporter, pensa que descobriu a Polvora.
No Vale do Ribeira, noestado de SP, as Margens da Rodovia Regis Bittencourt nos Municipios de Miracatu, Juquia,Registro,Jacupiranga,Cajati e Barra do Turvo as Meninas de 13a17 anos se prostituem todos os dias.
Na Capital de SP, Bolivianas, trabalham em oficinas de costura em Regime de Semi Escravidão sob a vista Grossa das Policias Civil e Militar, contando com a omissão total do Governo do Estado de SP.
O Reporter, sera que não enxergou nada de positivo nesta viagem?
Sera que este Reporter, não é mais um sonhador que pensa em preservar a Floresta a todo custo, reservando ela pras Gerações Futuras das Nações ditas Civilizadas?
Alexandre
31/07/2010 - 23h01
A prostituição, assim como o garimpo ilegal, pode ser considerado uma externalidade da rodovia na região. Portanto, estes impactos deveriam estar inclusos no EIA - RIMA da obra com ações de caráterer minimizador. Onde está o IBAMA?
Fabio
31/07/2010 - 23h02
O governo federal tem que intervir neste assunto de extrema importancia para todos nós brasileiros , pois a Floresta Amazonia é um patrimonio nosso e não podemos deixar o homem destruila.
Fora as vidas em jogo no local .
Izáh
31/07/2010 - 23h33
É URGENTE E NECESSÁRIA AÇÕES DOS GOVERNOS ESTADUAL E FEDERAL NA LOCALIDADE. NÃO É POSSÍVEL DEIXAR AS CRIANÇAS A MERCÊ DE EXPLORADORES E ABUSADORES. E O CONSELHO TUTELAR DEVE PEDIR AJUDA AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA REGIÃO E AGIR IMEDIATAMENTE.
FRANCISCO JUCÁ ROLIM
01/08/2010 - 06h14
Enquanto isto, lá em Brasilia os senadores e deputados com as caras mais limpas (descarados, quase 100 pocento corruptos, ficam trocando elogios entre êles, Chammando uns aos outros de '' excelência ". Ridículos. Homens sem vergonha na cara, a começar pelo Presidente, José Sarney. Ladrão e corrupto. Tudo com o apoio do Presidente da República.
Andre Lemos
01/08/2010 - 07h01
Ordem e progresso??? Essa rodovia é mais um dos absurdos desse país. O lema da bandeira deveria ser: Desastre e corrupção!!!
jorge sato
01/08/2010 - 07h44
...porque sempre nesse caso de prostiuição infantil os estabelecimentos agirem livremente e expandirem anos apos ano (com autoridades competentes cientes) sao mais fortes que as leis?...propina?...medo?...indiferença devido as vitimas serem de classe pobre?...não consigo entender...
nilda
19/08/2010 - 14h02
mais aqui no brasil, é tb a mesma coisa ou pior, começa c/a prostituição que entra nos lares todos os dias atraves da rede globo e rede record que são as novelas, nos jornais o globo a pagina de anuncio tem anuncios de sexo, estamos vivendo como sodoma e gomorra, mais jesus esta voltado e vai levar c/ele a sua igreja fiel, e ai vamos ver a coisa preta p/quem ficar.
luiz
19/08/2010 - 14h31
O brasil e nossos vizinhos precisam de politicos sérios que tome providencia sobre assuntos como esses e ir verificar as denuncias
José
19/08/2010 - 14h35
É muito triste, lermos tais reportagens onde o Tema é de crianças sendo enganadas e levadas à prostituição, sem dizer que não é só no Perú, só no Brasil mas sim no mundo inteiro, onde estar ganhando com isso as autoridades mundiais. Enquanto existir esse plano politico que desejas e quer promover os interesses particulares de poucas pessoas, sem levar em consideração aos demais, vai haver sempre essa IMOLARIDADE MUNDIAL.
Antonio Nunes
19/08/2010 - 17h10
Avisem os autores dos comentarios abaixo que o caso ocorre no Peru, e todos os pedidos de providencias tem de ser endereçados às autoridades daqujele país e não do Brasil. No Brasil já temos este tipo de problemas de sobra em todo o país e o Lula vive dizendo que tá tudo bem, e nada foi feito para coibir esses casos. Também pudera, eles s´tomam medidas que lhes tragam votos e meninas de 12 a 16 anos não votam, mas seus algozes votam, e pode ter certeza que um ser humano capaz de praticar tais atos, só pode ser eleitor do Lula e da terrorista Dilma.
josé vicente
19/08/2010 - 17h29
Quem sabe se o dia em que as grandes empresas da midia se enteressar pelo assunto, os grandes populistas "os cara" resolvem salvar algumas dessas infelizes criaturas , presas indefesas de vorazes bebados e vagabundos.
Bem , não podemos esquecer que tem que dar algum voto na urna e na onu.
José Vicente
19/08/2010 - 17h38
Claro que não concordo com os meios que querem castigar a senhora iraniana.
Por isso que não moro lá.
Não gosto das leis deles.
Agora ignorar a situação em que vive uma enorme quantidade de crianças bem debaixo do nosso nariz.
Ai esses "caras" estão de brincadeira.
Mas não podemos esquecer que varios homens que se dizem do bem e até idolos nacionais adoram mininihas.
"Ou eu tô errado".