Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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Os Estados Unidos estão em uma crise do capitalismo que se manifesta em vários aspectos e, como tática para sair da crise – tal como fizeram outras vezes –, promovem conflitos armados. A análise é de João Pedro Stédile, economista e ativista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que acrescenta: “Após o genocídio contra o povo palestino e a guerra na Ucrânia, agora querem trazer conflitos para a América do Sul, invadindo a Venezuela”.

Em entrevista ao jornalista e fundador do Opera Mundi, Breno Altman, para o programa 20 Minutos o ativista contextualiza que essa crise levou à decadência tanto do império norte-americano quanto do projeto de poder europeu. Dessa forma, o novo cenário mostra que os europeus perderam a iniciativa política para a Rússia – que, além de vencer a guerra, mantém-se como potência econômica e militar – e também perderam a Ásia para a China.

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“De maneira que, para os Estados Unidos, ‘sobra’ a América Latina. Por isso, eles recuperaram a Doutrina Monroe, segundo o lema: ‘América para os norte-americanos’. Uma visão que está explícita no último documento da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, que foca suas atividades imperialistas no hemisfério sul”, destaca.

Segundo a análise de Stédile, a batalha contra a Venezuela é “decisiva para frear os EUA”. A mesma lógica, segundo ele, se aplica às eleições na Colômbia em 2026 e à atual interferência eleitoral em Honduras. “Além de tentar derrubar o governo de Maduro, eles também atuaram nas eleições presidenciais no Chile, Argentina, Peru e Equador”, afirma.

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“Há uma esperança de que o BRICS, com seus 21 países, incluindo grandes nações do Sul Global, possa superar essa redivisão do mapa. O bloco pode ser uma alternativa a esse processo, como uma articulação para enfrentar a ganância do imperialismo estadunidense”.

O especialista ainda observa uma divisão dentro dos EUA: por um lado o setor democrata e a juventude mobilizando contra a guerra no Caribe e por outro o secretário Marco Rubio que “tradicionalmente um articulador da direita mundial, sobretudo na América Latina, onde financia a extrema direita e está atrelado ideologicamente a derrubar governos.

“Eles acreditam nas mentiras de Corina, que se derrubar Maduro ela assumirá o poder ou que vão conseguir agir no país bolivariano igual foi na Síria e Ucrânia. No entanto, na Venezuela é diferente. Há um poder compartido entre as forças armadas, o PSUV e o povo, que está organizado. Essa aliança é uma fortaleza de força ao Maduro”, conclui.

Veja a entrevista completa no canal de Opera Mundi no YouTube