Superação do capitalismo requer construção de novo projeto pela esquerda, afirma Haddad
Em entrevista com Breno Altman, ministro da Fazenda falou sobre seu livro ‘Capitalismo Superindustrial’, e também sobre sua disposição em ser candidato nas próximas eleições
Em edição especial do programa 20 MINUTOS, o jornalista Breno Altman, fundador de Opera Mundi, entrevistou o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que falou sobre seu novo livro, Capitalismo Superindustrial – Caminhos Diversos, Destino Comum, lançado pela Editora Zahar.
Perguntado sobre a tese defendida pelo livro, o ministro explicou que, segundo sua visão, o capitalismo superou a etapa original da manufatura e a segunda etapa, da grande indústria, descritas pelo filósofo alemã Karl Marx, e que agora, “existe uma terceira fase, que é a que eu chamo de superindustrial, porque o padrão da indústria absorve todos os setores da economia, inclusive a agricultura (…) tudo é feito pelo padrão fabril, até mesmo os serviços, a automação bancária ela é feita por um método fabril”.
“Tudo virou uma indústria, e a gente chama de ‘indústria do entretenimento’, de ‘indústria do turismo’, de ‘indústria cultural’, mas quando vai escrever sobre fala ‘pós-indústria’, ou ‘economia de serviços’, sem atentar para o caráter fabril da organização do trabalho”, analisou Haddad.
O ministro adicionou que “a superindústria torna o padrão fabril absoluto em todos os setores, e agora com a inteligência artificial a gente não consegue nem prever aonde isso vai chegar, e por outro lado a gente tem uma transformação das relações de produção, que se modificam a cada etapa do processo”.
“Quando eu digo que os partidos tradicionais estão presos dogmaticamente a uma visão de mundo que não se impôs, eles acabam se fechando para realidades sociais que, se incorporadas ao projeto político, ampliariam o campo de discussão desse partido com camadas mais amplas da sociedade”, arrematou.
Superação do capitalismo
Diante da proposta de Altman para explicar como socialismo e revolução, duas ideias chave dentro da tradição marxista, se situam na dinâmica do capitalismo superindustrial que seu livro descreve, Haddad afirmou que os teóricos que ele mais aprecia “nunca transformaram essa questão em uma contradição”.
Para o ministro da Fazenda, “estamos vivendo uma situação hoje que não é uma situação revolucionária, provavelmente é uma situação contrarrevolucionária”. Em seguida, questionou: “como a perspectiva revolucionária está ausente do horizonte histórico de curto prazo, você vai deixar de defender os interesses dos trabalhadores, na medida das possibilidades concretas e do que a luta social permite?”.
Altman, então, indagou sobre se a perspectiva histórica da esquerda, a partir do fim da União Soviética e da tese do “fim da História”, do cientista político nipo-estadunidense Francis Fukuyama, passou a ser puramente a de melhorar as condições de vida da classe trabalhadora e dos grupos mais vulneráveis sem ultrapassar as fronteiras do capitalismo.
Antes de o entrevistador completar a pergunta, Haddad concordou dizendo que “essa é a tese em vigor desde a globalização, mas vamos combinar que a globalização fez água”, dando a deixa para Altman perguntar se, para o ministro, o capitalismo pode ser superado.
“Hoje, nós não temos condições de afirmar que a superação do capitalismo é uma fatalidade”, afirmou Haddad, que logo depois, após o jornalista perguntar se a superação do capitalismo poderia ser definida, então, como uma “necessidade”, completou dizendo que “só será uma necessidade se nós (a esquerda) construirmos um projeto definitivamente melhor do que o que está posto”.
O ministro acrescentou que, para ele, a esquerda não estaria “se dedicando teoricamente, e suficientemente, nessa direção”.
Candidatura
Ao final da entrevista, Haddad falou sobre a disputa eleitoral de 2026, e disse que observa um cenário atual muito difícil para o governo.
“O cenário se complicou, está menos azul do que eu imaginava no final do ano passado, então eu estou conversando com o presidente Lula, devo sair do Ministério na semana que vem e vou sentar com os companheiros aqui de São Paulo”.
Perguntado por Altman se seria candidato a governador, o ministro respondeu que “isso eu vou anunciar depois da minha saída do Ministério, mas eu vou participar das eleições”.
























