Burkina Faso rompe relações diplomáticas com França, após acusar país de apoiar terroristas no Sahel
Ministro das Comunicações burquinense, Gilbert Ouédraogo, disse que nação escolheu 'responsabilidade e soberania' diante dos 'planos imperialistas' de Paris
O governo de Burkina Faso rompeu relações diplomáticas com a França em 26 de junho, citando as “ambições neocoloniais” de seu antigo colonizador, a quem acusou mais uma vez de apoiar grupos terroristas que atualmente assolam o Sahel.
A decisão foi tomada pouco mais de três anos e meio depois de o governo do capitão Ibrahim Traoré ter expulsado todas as tropas francesas e o embaixador francês do país, em janeiro de 2023, um ano após o regime apoiado pela França ter sido deposto por um golpe militar popular.
Em 2024, Burkina Faso expulsou outros três diplomatas franceses, acusados de atividades subversivas. Apesar disso, manteve relações diplomáticas formais até sexta-feira, quando anunciou o rompimento imediato, alegando o “apoio ativo da França a redes subversivas e terroristas”.
Os países vizinhos Mali e Níger, também sob ataque de grupos afiliados à Al Qaeda e ao Estado Islâmico, têm insistido repetidamente que os ataques terroristas são, na verdade, uma guerra por procuração contra a sua soberania, travada pela França após a expulsão das suas tropas.
“Diante desses planos imperialistas de dominar nosso país e subjugar nosso povo, escolhemos o caminho da responsabilidade e da soberania”, disse o ministro das Comunicações de Burkina Faso, Gilbert Ouédraogo, em um pronunciamento televisionado anunciando o fim das relações diplomáticas.

Reunião do Conselho de Ministros, Burkina Faso, 25 de junho
Foto: Governo de Burkina Faso/FB
“As condições essenciais para o desenvolvimento de relações baseadas no respeito mútuo, na confiança recíproca, no respeito ao princípio da não interferência em assuntos internos e na soberania nacional já não são atendidas”, acrescentou.
A França, que nega a acusação de apoio a grupos terroristas, classificou a decisão de romper todos os laços diplomáticos como “hostil e infundada”.
“As medidas recíprocas necessárias estão atualmente em análise”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Pascal Confavreux, expressando preocupação com a segurança dos cidadãos franceses em Burkina Faso e apelando para que mantenham um alto nível de vigilância.
No entanto, Ouédraogo já havia assegurado a segurança deles na declaração em que anunciou o fim das relações diplomáticas. “O Governo deseja enfatizar que esta decisão não prejudica de forma alguma os laços históricos, humanos, culturais e sociais que unem os povos burquinense e francês. Ela diz respeito exclusivamente ao quadro institucional das relações entre os dois Estados em nível diplomático”, afirmou.
Reafirmando a “hospitalidade” de Burkina Faso para com os cidadãos estrangeiros e comprometendo-se a garantir a sua segurança, ele apelou a “todos os cidadãos para que ajam com responsabilidade, moderação e espírito cívico em relação aos cidadãos franceses e a todos os expatriados que vivem em território burquinense, em estrita conformidade com as leis da República”.
























