Crise no Sudão se agrava e população enfrenta fome generalizada, aponta relatório
Levantamento indica que milhões de pessoas vivem com apenas uma refeição por dia no Sudão em meio ao terceiro ano de guerra civil
A falta de recursos alimentares no Sudão tem deixado milhões de pessoas com apenas uma refeição por dia. A situação agrava a crise alimentar no país e amplia os impactos do conflito, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (13/04) por organizações humanitárias, entre elas a Ação Contra a Fome, CARE Internacional, Comitê Internacional de Resgate e Mercy Corps e Conselho Norueguês para Refugiados.
De acordo com o canal de notícias Al Jazeera, o conflito entre o exército sudanês e as Forças de Suporte Rápido (RSF, por sua sigla em inglês) chega ao seu terceiro ano nesta quarta-feira (15/04). “A guerra causou fome generalizada e deslocou milhões de pessoas em meio a uma das maiores crises humanitárias do mundo”, afirma a reportagem.
A guerra, iniciada em abril de 2023 entre o exército sudanês e o grupo paramilitar RSF desencadeou uma onda de violência que aprofundou uma das piores crises humanitárias atuais.
Segundo o relatório, milhões de famílias têm acesso a apenas uma refeição diária nos dois estados mais afetados pelo conflito, Darfur do Norte e Kordofan do Sul. “Frequentemente, muitas pessoas ficam dias inteiros sem comer”, aponta o documento, que também relata o consumo de folhas e ração animal como alternativa para sobrevivência.
As organizações alertam ainda que as cozinhas comunitárias, criadas para fornecer refeições coletivas, enfrentam dificuldades para funcionar devido à escassez de alimentos.
A crise é agravada pela deterioração econômica e pelos efeitos das mudanças climáticas, segundo o levantamento.
Com base em entrevistas com agricultores, comerciantes e agentes humanitários, o relatório aponta que a guerra tem interrompido atividades agrícolas e contribuído para o avanço da fome, além de indicar o uso da fome como arma de guerra.
O documento destaca ainda que mulheres e meninas são afetadas de forma desproporcional, com alto risco de violência sexual, incluindo casos de estupro e assédio durante deslocamentos para áreas rurais, mercados ou pontos de coleta de água.
Famílias chefiadas por mulheres têm três vezes mais chances de enfrentar falta de insumos em comparação às chefiadas por homens, segundo o relatório.























