Terça-feira, 3 de março de 2026
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As tensões entre Níger e França seguem em escalada após o recente ataque ao Aeroporto Internacional Diori Hamani e à Base Aérea de Niamey. Autoridades nigerinas afirmam que o incidente faz parte de uma campanha de desestabilização mais ampla, supostamente ligada a Paris. As relações entre os dois países atingiram o ponto mais baixo desde a retirada das forças militares francesas do Níger e a criação da Aliança dos Estados do Sahel, em 2023 – movimento que representou uma resposta direta à presença militar francesa e às ingerências externas na região.

O presidente interino do Níger, Abdourahamane Tchiani, reforçou a posição do governo ao classificar o ataque ao aeroporto como parte de uma “estratégia neocolonial” contra o Níger e o Sahel.

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“O ataque ao Aeroporto Internacional Diori Hamani e à Base Aérea 101 não está fora de um processo mais amplo levado a cabo por forças neocoloniais, particularmente as forças francesas – especiais, de inteligência e regulares – sob a direção de Emmanuel Macron contra o nosso país”, declarou em entrevista.

Tchiani afirmou que as relações entre os dois países se tornaram abertamente hostis desde a tomada do poder pelos militares, argumentando que Paris estaria irritada com a busca de soberania e reformas por parte de Niamey.

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“A nossa chegada criou uma situação aberta de hostilidade entre Macron e nós”, disse ele, acrescentando que alguns países europeus foram arrastados para o que descreveu como um “ódio visceral” contra o Níger.

O Níger e seus parceiros da Aliança dos Estados do Sahel reafirmaram o compromisso de defender sua soberania e buscar autossuficiência, baseada no controle de seus próprios recursos, apesar das persistentes ameaças de grupos insurgentes na região.

Presidente do Níger, Abdourahamane Tchiani
Wikimedia Commons

Argélia e Níger definem data para início do Gasoduto Transaariano

Durante a visita do presidente nigerino Abdourahamane Tchiani a Argel, Argélia e Níger deram um passo significativo para a integração regional ao anunciarem o início da construção do Gasoduto Transaariano (TSGP, na sigla em inglês). Ficou acertado que a estatal Sonatrach iniciará as obras em território nigerino no final de março.

O projeto, que ligará a África à Europa, foi destacado como uma iniciativa fundamental para fortalecer a segurança energética da região e consolidar a cooperação entre os dois países vizinhos, que vivenciaram um período de tensões.

Tebboune declarou à imprensa: “Concordamos em iniciar o projeto de construção do gasoduto transaariano no Níger imediatamente após o mês do Ramadã”, que termina no final de março. Ele enfatizou que a Sonatrach executará a obra em território nigerino.

A aceleração do projeto sinaliza o aprofundamento da cooperação entre os países do Sahel, em um movimento que desafia os interesses tradicionais da França na região e representa um passo concreto para a autonomia energética da África Ocidental.