Grupos armados destroem povoados e matam mais de 160 pessoas na Nigéria
Reporte da filial local da Cruz Vermelha informa que maioria das vítimas era muçulmana e que ‘muitas casas foram queimadas’
A filial da Cruz Vermelha na Nigéria divulgou nesta quarta-feira (04/02) um reporte sobre uma série de ataques de grupos armados contra os pequenos povoados de Woro e Nuku, na região rural de Kwara, no centro-oeste do país. As ofensivas teriam resultado na morte de pelo menos 167 moradores locais, segundo o informe.
O reporte explica que trabalhadores humanitários e membros das duas comunidades estão auxiliando no socorro às vítimas, razão pela qual afirmam que o número de afetados pode aumentar nas próximas horas. Tampouco há informações detalhadas sobre os danos estruturais provocados nas duas localidades.
A porta-voz da polícia local, Adetoun Ejire-Adeyemi, disse que “há muitas casas que foram queimadas e o número exato de vítimas ainda não foi confirmado, tampouco o de pessoas feridas”.
Até o momento, nenhum grupo conhecido reivindicou a autoria dos ataques. O governo do estado de Kwara, em uma publicação nas redes sociais afirmou que está investigando os acontecimentos, sem entregar detalhes sobre o que já foi apurado.
O governador do estado, Abdulrahman Abdulrazaq, afirmou em um comunicado que o ataque foi “uma expressão covarde de frustração por parte de células terroristas, após as campanhas antiterroristas em andamento em partes da nossa administração estado”. A mensagem, porém, não parece direcionada a nenhum grupo específico.
Já o governo nacional da Nigéria afirmou que enviará tropas do Exército para a região de Woro e Nuku, não só pra “garantir a segurança das localidades” como para “desarticular grupos paramilitares” que atuam na zona.
Ameaças de Trump
Nos últimos meses, a Nigéria tem estado sob pressão do governo dos Estados Unidos, devido a declarações do presidente da nação norte-americana, Donald Trump, sobre uma suposta “perseguição a cristãos” no país, retórica que costuma ser acompanhada de ameaças de intervenção militar em território nigeriano.
As ameaças chegaram a se tornar efetivas em 26 de dezembro de 2025, quando os Estados Unidos, realizaram um bombardeio a localidades no interior do país – ação que foi descrita pelo Departamento de Guerra norte-americano como “um ataque poderoso e mortal contra membros do Estado Islâmico”.
Dias depois, em 8 de janeiro de 2026, Trump foi perguntado em uma entrevista ao mesmo diário NYT sobre aquele episódio, e respondeu que “adoraria que fosse um ataque único, mas se eles continuarem matando cristãos, serão ataques repetidos”.

Casas foram queimadas por ação de grupos armados , nos povoados nigerianos de Woro e Nuku
X / @DiploActiva
As informações reportadas até o momento sobre os ataques aos povoados de Woro e Nuku não confirmam o relato do governo dos Estados Unidos.
Segundo o trabalhador humanitário Babaomo Ayodeji, funcionário da filiar nigeriana da Cruz Vermelha ouvido pelo NYT, “a grande maioria das vítimas, mais de 80%, são de pessoas pertencentes a grupos muçulmanos”.
Ainda assim, autoridades locais não descartam que os atentados tenham sido realizados pelo grupo fundamentalista islâmico Boko Haram, apesar de se tratar de uma organização que costuma atacar, prioritariamente, grupos de outras religiões.
População e reservas de petróleo
Vale acrescentar que a Nigéria é o país com maior população da África, com mais de 237 milhões de habitantes, além de possuir a segunda maior reserva de petróleo do continente, atrás apenas da Líbia.
A nível mundial, sua posição também é de destaque, tanto em termos populacionais (sexto lugar, superando o Brasil) quanto em termos de reservas petrolíferas: nesse aspecto, o país fica na posição de número 11 no ranking global, atrás não só da Líbia, como também de Venezuela, Arábia Saudita, Irã, Iraque, Canadá, Emirados Árabes, Kuwait, Rússia e Estados Unidos.
Com informações do The New York Times.
























