Mais de 20 pessoas morrem em ataques das RSF no Sudão
Grupo em guerra contra exército sudanês atacou comboio de ajuda humanitária da ONU e hospital nos estados de Kordofan do Norte e do Sul
No Sudão, pelo menos 23 pessoas morreram entre quinta (05/02) e sexta-feira (06/02) em ataque das Forças de Apoio Rápido (RSF), que estão em guerra contra o exército sudanês.
Segundo a ONG local Rede de Médicos do Sudão, uma pessoa foi morta e três ficaram feridas em um ataque das RSF nesta sexta contra comboio do Programa Mundial de Alimentos (PMA), de ajuda humanitária da ONU, na área de Allah Karim, no estado de Kordofan do Norte.
“O comboio estava a caminho de entregar assistência a pessoas deslocadas em El Obeid”, acrescentou a nota da ONG.
Já outras 22 vítimas, sendo quatro profissionais da saúde, e oito feridos foram atingidos por um bombardeio das RSF contra o Hospital Al-Kuweik. “Vinte e duas pessoas, incluindo o diretor médico do Hospital Militar de Al-Kuweik e três membros da equipe médica, foram mortas, e outras oito ficaram feridas em um atentado a bomba realizado pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) contra o Hospital de Al-Kuweik, no estado de Kordofan do Sul”, relatou a organização.
Sudan Doctors Network: 22 Killed, Including 4 Medical Staff, and 8 Injured in Rapid Support Forces Bombing of Al-Kuweik Hospital
Twenty-two people, including the medical director of Al-Kuweik Military Hospital and three medical staff members, were killed, and eight others were… pic.twitter.com/JchU6pbhsu
— Sudan Doctors Network – شبكة أطباء السودان (@SDN154) February 5, 2026
Esses se configuram como ataques em meio aos confrontos da guerra no Sudão, protagonizada pelo exército do país, sob o comando de Abdel-Fattah al-Burhan, e as RSF lideradas por Mohamed Hamdan Dagalo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o conflito deixou cerca de 40 mil mortos nos últimos dois anos. Enquanto isso, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos relatou mais de 3.300 mortes de civis desde janeiro de 2025, um número que representa quase 80% de todas as mortes de civis em 2024.
O conflito já deixou quase 12 milhões de deslocados e um colapso institucional que paralisou o país. A ONU alerta que, sem um acordo verificável, o Sudão poderá entrar numa fase de fragmentação territorial prolongada, com o risco de desestabilização regional.

Conflito entre exército sudanês (na foto) e RSF já deixou quase 12 milhões de deslocados
Autor desconhecido/Wikimedia Commons
O conflito também se encaixa no cenário global, não apenas regional. Em dezembro de 2025, o tenente-general Yasser al-Atta , membro do Conselho Soberano do Sudão e segundo no comando do exército nacional, acusou os Emirados Árabes Unidos (EAU) de financiar uma “guerra racial” no país africano e de comprar o silêncio das potências ocidentais diante dos massacres cometidos pelas Forças de Apoio Rápido.
“Eles invadiram casas em Cartum e outras cidades. Saquearam e destruíram hospitais, instalações elétricas, de água e tudo o que mantém a população viva”, denunciou o general, lamentando o silêncio internacional apesar das evidências divulgadas nas redes sociais. “Esse silêncio foi comprado com o poder do dinheiro dos Emirados Árabes Unidos ”, declarou.
A fala da autoridade sudanesa também se dá em meio a acusações de cumplicidade e financiamento dos EUA a grupos insurgentes envolvidos em vários aspectos do conflito.
Um plano de cessar-fogo foi apresentado para o conflito. Em 25 de dezembro de 2025, o primeiro-ministro sudanês, Kamel Idris, apresentou ao Conselho de Segurança da ONU uma iniciativa abrangente com o objetivo de pôr fim à guerra que assola o país africano desde 2023 e que foi descrita pelas Nações Unidas como “a pior crise humanitária do mundo”.
O plano previa um cessar-fogo monitorado pela ONU, pela União Africana e pela Liga Árabe, acompanhado da retirada completa e do desarmamento das RSF de todas as áreas que ocupam atualmente.
Fontes diplomáticas reconhecem que o plano enfrenta resistência, principalmente porque representaria uma vitória política e militar para o governo sudanês, dificultando a aceitação, por parte das RSF, de negociações que as desarmariam e reduziriam sua influência no cenário interno.
Idris afirmou que uma trégua “não tem chance de sucesso” sem o confinamento das forças insurgentes em campos monitorados e verificados internacionalmente.
(*) Com TeleSUR
























